sexta-feira, 30 de setembro de 2011

IRMÃOS CORAGEM - CAPÍTULO 68


Roteirizado por Toni Figueira
do original de Janete Clair 

CAPÍTULO 68

PARTICIPAM DESTE CAPÍTULO:

DELEGADO FALCÃO
DIANA
FAUSTO PAIVA
MOREIRA
DR. RAFAEL
DALVA

CENA 1  -  COROADO -  DELEGACIA  -  INT.  -  DIA.

Diogo Falcão jamais poderia identificar naquela mulher contida, tímida, pesarosa, vestida com simplicidade e moderação, a outra, atrevida, satânica, desbocada. Para ele, a mulher que ali estava era...


DELEGADO FALCÃO  -  ... Dona Lara, boa noite! Que prazer em rever a senhora!

Estendeu a mão, mas a mulher recuou, num gesto brusco. Falcão encolheu-se.


DIANA  -  Quero ver meu marido!

DELEGADO FALCÃO  -  Que pena! Sinto muito, Dona Lara, mas não é possível.

DIANA  -  Por quê?

DELEGADO FALCÃO  -  Porque... ele está proibido de receber visitas. Sabe, andou fazendo besteiras... agredindo meus homens. É uma puniçãozinha necessária.

Aos poucos, Diana se revelava. E a atitude sarcástica do delegado contribuía para isso.


DIANA  -  Quer tirar a máscara, Falcão? Você foi proibido por Pedro Barros de me deixar entrar. Recebeu ordem dele, não?

DELEGADO FALCÃO  -  Dona Lara, a senhora me ofende!

DIANA  -  Você pensa que eu não sei quem você é, Falcão? Você está tirando sua vingança pessoal pra cima do João!

DELEGADO FALCÃO  -  Dona Lara!

DIANA  -  Que dona Lara, nem meia dona Lara! Me deixa ver João antes que eu acabe com essa porcaria desta cadeia.

DELEGADO FALCÃO  -  Eu não posso deixar a senhora entrar.

DIANA  -  Seu vendido! Seu sujo! Vou chamar o advogado! O juiz! O promotor! Você vai ser obrigado, por lei, a me deixar entrar! Seu calhorda!

No interior da cela João levantou-se e segurou as grades, fortemente. Ouvira a voz da esposa. Seus dentes trincaram-se e os punhos fecharam-se diante da total impossibilidade de reação.

CORTA PARA:


CENA 2  -  RIO DE JANEIRO  -  MARACANà -  EXT.  -  DIA.

Torcedores, aos milhares, se agrupavam diante dos grandes portões internos do Maracanã, á espera da saída dos jogadores. A partida fôra duramente disputada e, apesar dos esforços do time e da força moral da torcida, o Flamengo havia perdido por um a zero. Bandeiras em preto e vermelho haviam enchido tres quartas partes do “Maior Estádio do Mundo” e, findo o jogo, seguiam elas, tristonhas, para o longo descanso dos derrotados.

De repente, a massa humana agitou-se sobressaltada e o corpo metálico do ônibus emergiu do subsolo. No alto, á frente, em letras negras lia-se CR FLAMENGO. Batedores da polícia abriram caminho para a passagem do coletivo. Cabisbaixos os jogadores evitavam os olhares críticos daqueles a quem deviam riqueza, prestígio e fama.


Fausto Paiva entrou no Dart azul-metal. Irônico. Com um sorriso de lado a lado na boca antipática. Notou a aproximação de Paulo Moreira. O diretor do Flamengo acabava de engolir um comprimido. Doía-lhe a cabeça. Fausto arrancou uma primeira lenta e aproximou-se do homem.


FAUSTO PAIVA  -  Convencido agora?

MOREIRA  -  Não. Ainda não.

FAUSTO PAIVA  -  Então, continue insistindo com ele. Continue e vocês vão entrar por um cano que não tem mais tamanho.

Moreira voltou-lhe as costas, fugindo á gozação do técnico e á indiscrição da torcida que já se avizinhara do local. Fausto encaixou uma segunda e deslizou em direção ao portão central.

Quieta e desiludida, a multidão deixava o estádio.

CORTA PARA:

CENA 3  -  FAZENDA DE PEDRO BARROS  -  CASA-GRANDE  -  QUARTO DE LARA  -  INT.  -  NOITE.

O médico reconheceu que a moça fingia dormir. E não poupou palavras rudes. Diana deitara-se pouco antes, ao regressar de suas andanças pelo centro de Coroado. Rafael segurou-lhe os pulsos com brutalidade.


DR. RAFAEL  -  Não acha que está passando dos limites? Até quando teremos de suportas as suas loucuras? Sabe o que eu vou fazer com você? Vou mandar trancá-la, não na clínica de repouso, mas no hospício. Ouviu? No hospício. Vou chamar os homens do seu pai para colocá-la no carro e levo você comigo para a capital, agora!

DIANA  -  (abriu os olhos, agressiva)  Experimente, se for homem...

Tentou levantar-se. Rafael agarrou-a com firmeza.

DR. RAFAEL  -  Você não pode comigo, Diana.

DIANA  -  Você passou pro lado deles. Estão todos contra mim e fazendo o possível pra calar minha boca. E você os está ajudando!

DR. RAFAEL  -  Não há nada que você possa fazer a favor de João.

DIANA  -  Mas desmascaro Pedro Barros!

DR. RAFAEL  -  Quer você queira ou não, Pedro Barros é seu pai. E não é justo que você faça escândalo em torno do nome dele.

DIANA  -  Já vi tudo!  Você passou, sim para o lado dele. (saltou, lépida, para o chão, e ameaçou, decidida)  Lara não vai mais voltar.

DR. RAFAEL  -  (endireitou-se e respondeu com severidade)  Pois bem... serei obrigado a cumprir minha palavra.

Com os olhos vidrados, Diana apressou-se a obstruir a porta com o corpo.

DIANA  -  Você não pode ter coragem...

DR. RAFAEL  -  Necessito falar com Lara!  Se você não a deixar voltar, faço o que prometi.

A moça, aveludou a voz e modificou, abruptamente, a atitude.


DIANA  -  Eu sou Lara...

DR. RAFAEL  -  (segurou-a pelos braços e balançou-a como a um ramo de arbusto)  É muito cínica! Você não é Lara, é Diana!  Mas vai fazer com que Lara volte, neste instante. Vai dormir, Diana, e deixar Lara dominar seu corpo...

A moça virou o rosto e fechou os olhos. Rafael tentava impor sua vontade.

DIANA  -  Você não me domina...

DR. RAFAEL  -  Olhe para mim... olhe firme... (tomou-lhe o queixo entre as mãos e fitou profundamente os olhos da mulher)  Olhe firme, Diana... olhe bem. Você é mulher, fraca, não pode comigo. Relaxe-se bem... relaxe-se... isso, assim. Vai dormir, Diana... para ir embora... e só voltar quando eu quiser. Entendeu bem? Quando eu quiser... Quando eu chamar... só quando eu chamar. (bateu de leve no rosto inerte da paciente)  Lara! Lara! Que está sentindo?

Lara encolheu-se, apertando o crânio entre as mãos finas. Gemia e choramingava, ante os olhos atentos do médico.

MARIA DE LARA  -  Minha cabeça dói... dói muito!

DR. RAFAEL  -  Pode se levantar, Lara. Você já vai melhorar.

Lentamente, Lara sentou-se, enfraquecida. Rafael autorizou a entrada de Dalva no quarto extremamente confortável e decorado com requinte.


DALVA  -  Lara!

DR. RAFAEL  -  (disse à tia)  Lara precisa da senhora.  Não a faça falar, nem lhe pergunte nada. Precisa descansar.

Lara permanecia paralisada, com as mãos friccionando as têmporas, completamente alheia ao mundo.

FIM DO CAPÍTULO  68
Diana (Glòria Menezes)


E NO PRÓXIMO CAPÍTULO...

*** JERÔNIMO E BRAZ ESTÃO DECIDIDOS A TIRAR JOÃO DA CADEIA, MES ESTE RESISTE À IDÉIA DO IRMÃO.

*** RODRIGO LEVA POTIRA E SINHANA PARA VER A CASA ONDE VAI MORAR COM  A ÍNDIA APÓS O CASAMENTO.

NÃO PERCA O CAPÍTULO 69 DE

SESSÃO CAPAS E PÔSTERES

A capa que apresentamos abaixo foi publicada na revista Sétimo Céu, nr. 204, de março de 1973.
Nosso agradecimento ao amigo Césio Vital Gaudereto pela cessão do material.
Boa diversão!



SESSÃO FOTO QUIZ

A foto da semana passada é da atriz Tônia Carrero.
Agora, tentem descobrir quem é a garota da foto.
Eis algumas pistas:
1) É atriz de cinema, teatro e televisão.
2) Na televisão, estreou em telenovelas em Baila Comigo, na Rede Globo.
3) Participou de novelas como Brilhante, Eu Prometo e As Filhas da Mãe, todas da Globo.
Boa diversão!



quinta-feira, 29 de setembro de 2011

SESSÃO LEITURA

O conto que reproduzimos abaixo, intitulado Tragédia Brasileira, foi escrito pelo autor brasileiro Manuel Bandeira.
Para maiores informações sobre o autor, favor consultar: http://www.revista.agulha.nom.br/manuelbandeira.html.
Boa leitura!

TRAGÉDIA BRASILEIRA

Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade, conheceu Maria Elvira na Lapa – prostituída, com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança empenhada e os dentes em petição de miséria.
Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou médico, dentista, manicura... Dava tudo o que ela queria.
Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado.
Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: mudou de casa.
Viveram três anos assim.
Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa.
Os amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bom Sucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapp, outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato, Inválidos...
Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e de inteligência, matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal, vestida de organdi azul.

SESSÃO ABERTURA DE NOVELA

Estamos postando algumas aberturas sugeridas por nossa amiga Kely, que as retirou de quatro vídeos do Youtube, publicados por anaqueful, que contém as 20 melhores aberturas de novelas, escolhidas por quem postou o vídeo.
Nossos agradecimentos à Kely pela sugestão.
A nona colocada foi a da novela Deus nos Acuda, apresentada pela Rede Globo, no horário das 19 h, entre 31 de agosto de 1992 e 27 de março de 1993.
Para maiores informações sobre a novela, favor consultar: http://www.teledramaturgia.com.br/tele/deusnos.asp.
O tema musical da abertura era Canta Brasil, interpretado por Gal Costa.
Boa diversão!

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LETRA

CANTA BRASIL

As selvas te deram nas noites teus ritmos bárbaros
E os negros trouxeram de longe reservas de pranto
Os brancos falavam de amor nas suas canções
E dessa mistura de vozes nasceu o teu canto

Brasil, minha voz enternecida
Já dourou os teus brasões
Na expressão mais comovida
Das mais ardentes canções

Também, na beleza deste céu
Onde o azul é mais azul
Na aquarela do Brasil
Eu cantei de norte a sul

Mas agora o teu cantar
Meu Brasil quero escutar
Nas preces da sertaneja
Nas ondas do rio-mar

Oh! Este rio turbilhão
Entre selvas e rojão
Continente a caminhar
No céu, no mar, na terra!
Canta Brasil!!

Na beleza deste céu
Onde o azul é mais azul
Na aquarela do Brasil
Eu cantei de norte a sul

Mas agora o teu cantar
Meu Brasil quero escutar
Nas preces da sertaneja
Nas ondas do rio-mar

Oh! Este rio turbilhão
Entre selvas e rojão
Continente a caminhar
No céu, no mar, na terra!
Canta Brasil!!

No céu, no mar, na terra!
Canta Brasil!!

No céu, no mar, na terra!
Canta Brasil!!

No céu, no mar, na terra!
Canta Brasil!!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

SESSÃO SAUDADE


Caso Especial era um programa da Rede Globo que apresentava histórias de cerca de uma hora com os grandes astros da teledramaturgia da emissora.
Os episódios eram exibidos em datas determinadas e ou eram uma história especialmente escrita para a TV ou eram adaptações de peças de teatro, filmes, contos ou romances com temas bastante interessantes.
Para maiores informações sobre o programa, favor consultar: http://pt.wikipedia.org/wiki/Caso_Especial.
Com o intuito de matar a saudade dessa relíquia, escolhemos dois vídeos que contém trechos de um Caso Especial que trazia uma presença especial: o grande ator Sérgio Cardoso. O episódio se intitulava Meu Primeiro Baile e foi exibido no ano de 1972.
Boa recordação!

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IRMÃOS CORAGEM - CAPÍTULO 67


Roteirizado por Toni Figueira
do original de Janete Clair 

CAPÍTULO 67

PARTICIPAM DESTE CAPÍTULO:

PEDRO BARROS
DALVA
DUDA
FAUSTO PAIVA
RITINHA
JERÔNIMO
DR. RAGAEL
ENFERMEIRO
ENFERMEIRA
MOREIRA
DIANA
BRANCA

CENA 1  -  FAZENDA DE PEDRO BARROS  -  CASA-GRENDE  -  SALA  -  INT.  -  DIA.

Pedro Barros vivia um de seus dias de felicidade. Era todo sorrisos. De há muito o pessoal da fazenda não via o coronel tão satisfeito. Distribuía cigarros aos empregados, bajulava os capangas e, tolerante, admitia que os rapazes tomassem uma dose extra, “para esquentar antes de dormir”. Ria descontroladamente ao telefone, ante os olhares abismados dos familiares.


PEDRO BARROS  -  Essa não, Falcão! Essa não! Me conta outra porque essa é muito forte! Só pode ser boato! Não acredito! (as lágrimas chegavam a escorrer-lhe pelo rosto, entranhando-se nas barbas grisalhas)  É muito grande a piada. É demais! Demais! Tá bem. Eu te espero. Vem jantar com a gente! (ria, ainda, ao colocar o fone no gancho negro. Voltou-se para os amigos sentados á mesa) Vocês não podem imaginar! Só faltava esta!

DALVA  -  Estou curiosa por saber a razão de tanta graça...

Pedro Barros não se controlava. Ria a não mais poder.


PEDRO BARROS  -  Os Coragem... tiveram a coragem... desculpe o trocadilho infame... de fazer Jerônimo se candidatar pra eleição de prefeito de Coroado! (o coronel se engasgava de tanto rir. Um criado apareceu com um copo de água gelada. Pedro Barros bebeu o líquido de uma só vez)  Não é uma piada? Uma grande piada? O irmão preso... criminoso... com todo mundo revoltado com ele... e ele ainda tem a pretensão! Só rindo, Dalva!

As gargalhadas do velho varavam as dimensões da casa e se perdiam na vastidão de suas terras.

CORTA PARA:

CENA 2  -  RIO DE JANEIRO  -  SEDE DO FLAMENGO  -  CONCENTRAÇÃO  -  EXT.  -  DIA.

Durante toda a manhã, Duda praticou exercícios físicos, de conjunto. Correu, flexionou o tórax, chutou bola, pulou corda. Sob tensão nervosa, os médicos do Flamengo anotavam as reações do jogador. Fausto Paiva, a um canto, comentava com seu auxiliar os resultados do primeiro teste a que submetiam o grande craque da Gávea. Era visível a má vontade do treinador. Nem mesmo os mais otimistas aceitavam o retorno de Duda á forma anterior. Reunidos os jogadores ouviam as orientações técnicas e as ordens do severo treinador de campo. Logo depois os rapazes deixaram o gramado e partiram lépidos para os chuveiros.

CORTA PARA:

CENA 3  -  RIO DE JANEIRO  -  CASA DE DUDA  -  INT.  -  DIA.

Ritinha abriu a porta e Duda entrou.


RITINHA  -  Como foi tudo, bem?

DUDA  -  Um treino só, Ritinha. Temos que ter paciência.

RITINHA  -  Não sentiu dor nenhuma?

Duda descalçou a bota e atirou-a para debaixo do sofá.

DUDA  -  Não. Mas isso não é nada. Vamos ver quando começarem os treinos intensivos.

Ritinha achegou-se ao marido e sentou-se num de seus joelhos. Duda abraçou-a pela cintura.


RITINHA  -  Eduardo (tirou um envelope do bolso da blusa)  chegou uma carta para você, hoje. De Coroado.

Tomando o envelope, Duda procurou o endereço do remetente.


DUDA  -  É de Jerônimo. (leu, silenciosamente. Á medida que seus olhos passeavam pelo papel, as feições se fechavam)  Diabo! João tá preso, acusado de um crime que não cometeu!

RITINHA  -  (tapou a boca com a mão)  Nossa Senhora, Eduardo! Como é que pode?

Jerônimo relatava o roubo, a viagem do irmão a Morrinhos e sua tentativa de reaver o diamante. As perseguições, as tramas de Pedro Barros e a posterior prisão na gruna causaram impressão desoladora ao rapaz. Ritinha chorava em silencio.


VOZ DE JERÔNIMO  -  (off)  “De Potira e Rodrigo  (dizia a carta)  as notícias são melhores. Os dois vão casá breve. Ele tá muito animado. Ela, também. Vai sê um casamento muito simples. A gente não pode tê alegria, com a perda do nosso querido pai e com a prisão do mano...”

Duda levantou-se, sufocando um soluço. Jogou a carta sobre a mesinha de mármore.

DUDA  -  Quanta coisa acontece com a gente! E por que, Santo Deus? Por quê? Será que a gente perdeu o direito de viver bem? De achar uma pedra? De vencer na vida? De ter nome? (andava de um lado para outro, na sala)  Cada um que procure o seu diamante. Cada um que procure vencer! Pôxa vida! Cada um que lute a seu modo! Mas, que lute por bem, não com arma suja!

Bateu com os punhos cerrados contra a vidraça do terraço, partindo-a em mil pedaços. Uma fina linha vermelha, de traço irregular, surgiu-lhe no dorso da mão. Ferimento superficial. Duda sugou o sangue, com os olhos fechados.

CORTA PARA:

CENA 4  -  RIO DE JANEIRO  -  CONSULTÓRIO DO DR. RAFAEL  -  INT.  -  DIA.


Rafael acabara de entrar no consultório recém-arrumado. A enfermeira veio ao seu encontro, nervosa.

ENFERMEIRA  -  Bom dia, doutor! Tenho más novidades.(o médico estacou, aguardando o pior)  Sua paciente... Dona Diana Lemos... conseguiu fugir... à noite passada.

DR. RAFAEL  -  (a  surpresa deixou-o aparvalhado)  Fugiu?

ENFERMEIRA  -  Ajudada por ele, doutor! Por ele! (com o indicador esticado, a mulher acusava o jovem louro, de nariz afilado e pele espinhenta).

DR. RAFAEL  -  (ordenou, autoritário)  Digam... o que foi que aconteceu com Diana?

ENFERMEIRO  -  (confessou, tìmidamente)  Eu... eu caí na lábia dela!

ENFERMEIRA  -  Combinaram encontro e... tudo o mais!

O rapaz contou a história. A promessa de encontro, um giro numa das boates da zona sul e depois... o sonho... um quarto de hotel, a cama de lençóis brancos... Depois o jato de água morna. A bebida gelada e o sabor do cigarro fumado a dois. Rafael enervava-se com o relato.


DR. RAFAEL  -  O senhor será punido. Proibido de trabalhar, durante um mês. Sem vencimentos... Quanto á senhora, providencie uma ligação urgente para Coroado. O número está ali, no meu caderno de endereços. Casa de Pedro Barros. Temos de avisar a família.

A moça procurou o número pedido pelo médico, pegou o fone e discou.

ENFERMEIRA  -  Interurbano, urgente, por favor!

CORTA PARA:

CENA 5  -  SEDE DO FLAMENGO  -  SALA DO DIRETOR  -  INT.  -  DIA.

Fausto Paiva tremia de raiva, mas se obrigava, como empregado do clube, a prestar obediencia aos diretores.


FAUSTO PAIVA  -  Olha aqui, seu Moreira. Desse jeito eu não sei trabalhar. Quando vim para o Flamengo, vocês me deram carta branca. Agora, tá todo mundo querendo dar palpite, em pressão de todo lado. Assim, a coisa não vai!

O impasse atribulava a vida do homenzarrão, mas o diretor procurava acomodar a situação.

MOREIRA  -  Quero que você entenda, a pressão não é nossa, é da torcida. Você sabe o que é a torcida do Flamengo. Vale pela torcida de todos os clubes do mundo. Lembra-se do último jogo? O time foi vaiado. O Maracanã estava cheio de faixas: Queremos Duda.

FAUSTO PAIVA  -  E eu com isso? Quem escala o time sou eu, não a torcida.

MOREIRA  -  Mas, quem paga a você é esta mesma torcida que você procura diminuir...

Fausto emudeceu por instantes.

FAUSTO PAIVA  -  Eu não posso escalar um jogador sem condições.

MOREIRA  -  Pelo menos meio tempo, pra dar uma satisfação á torcida.

FAUSTO PAIVA  -  (não  voltou atrás. Irredutível)  Nem cinco minutos.

MOREIRA  -  É sua última palavra?

FAUSTO PAIVA  -  É.

O diretor colocou a pá de cal na conversa.

MOREIRA  -  Pois a diretoria decidiu, ontem, em reunião. Duda vai jogar a próxima partida!

FAUSTO PAIVA  -  (estourou)  Então, a diretoria que escale o time! Eu peço demissão!

Desceu os degraus da arquibancada, bufando de raiva.

CENA 6  -  COROADO  -  FAZENDA DE PEDRO BARROS  -  SALA  -  INT.  -  DIA.

A primeira coisa que Dalva avistou foi a perna de uma mulher. Depois um jornal aberto. E no sofá, por inteiro, o corpo da dona das pernas. Dalva respirou fundo.


DALVA  -  Você?

DIANA  -  Não me esperava?

DALVA  -  (estava em dúvida sobre a personalidade dominante. Lara ou Diana?) Não... isto é... você fugiu há dois dias da clínica. Pensei que... que tivesse voltado para lá.

DIANA  -  É... mas não voltei. Estou aqui, pra encher todo mundo. (não havia dúvida. A maneira vulgar de falar, denunciava a dona do corpo: Diana Lemos. Lara permanecia oculta nas trevas da mente. Ou da alma)  Já tomou suas providencias? Avisou ao delegado pra não me deixar ver João?

DALVA  -  (nervosa)  Não... não aconteceu nada disso.

DIANA  -  Se não aconteceu, melhor. Eu vim disposta a desmascarar todo mundo. Vim pra arrasar, pra bagunçar o coreto de muita gente. Seu, do meu pai e da fulana que está hospedada aqui.

Dalva controlou a voz, que lhe saiu esganiçada como a de uma criança amedrontada.

DALVA  -  Está pensando que pode... defender João?

DIANA  -  Estou pensando, não! (desafiou)  Eu vou defender João. Vou fazer o que aquela outra idiota não fez, por medo. Eu não tenho compromisso com ninguém.

Barros aproximava-se lento, movido pela curiosidade. Ouvira vozes na sala ao lado.


DALVA  -  Nem com seu pai?

DIANA  -  Eu não tenho pai!

O coronel ativou as passadas e adentrou a sala.

PEDRO BARROS  -  Nem precisa dizer nada. Basta olhar na cara dela pra gente ver que tá dominada por aquela alma ruim.

DIANA  -  Alma ruim porque diz as verdades. E quem tem muitos podres, não pode enfrentar verdades. Por exemplo: a de que você preparou o golpe contra João. Que mandou roubar o diamante dele.

PEDRO BARROS  -  (gritou, alterado)  Isto não é verdade!

DIANA  -  Como não é verdade? E as marcas que eu tenho nas minhas costas? Por que fizeram aquilo comigo? Pra me impedir de contar ao João toda a verdade.

PEDRO BARROS  -  É mentira!

DIANA  -  Não é não! E vocês sabem que ele não matou Lourenço. Desconfiam até de mim. Por isso não tem certeza de ter sido ele. Mas fazem carga contra o pobre. E acusam ele. E deixam aquela sujeita que está aqui exigir justiça! Aquela tonta, imbecil! Que procura defender o marido... mais safado que o diabo pôs no mundo!

Branca ouvia as palavras acres da moça. Desceu as escadas. Não reconhecia na jovem atrevida a filha tímida do Coronel Pedro Barros.


BRANCA  -  Essa é... Lara?

DIANA  -  Não. Eu não sou Lara. Sou Diana. Nunca ouviu falar de mim? Sou aquela que seu marido mandou surrar, pra evitar dizer as verdades.

BRANCA  -  Como? Eu não entendo...

DIANA  -  Sabe quem era Lourenço D’Ávila? (olhou para todos, um a um)  Ladrão e traidor, dona! Traiu Pedro Barros nas barbas dele. E Pedro Barros tinha ódio dele. Não lhe disseram isso? (sorriu, irônicamente. Branca empalidecera mortalmente)  E você está representando bem o seu papel de vítima.

PEDRO BARROS  -  Já chega...

DIANA  -  (cortou)  Não, não chega. Sabe por que Pedro Barros finge que quer justiça?(segurou a mulher pelo vestido, balançando-a como um boneco de molas)  E sabe por que mantém você aqui? Porque tem interesse em se livrar do João. Mas eu garanto que foi ele quem mandou matar Lourenço. E agora quer jogar a culpa toda em cima do João.

PEDRO BARROS  -  (babava-se de raiva)  Eu não vou ouvir mais nada! Leva ela embora daqui, Dalva!

A tia tentou pegar no braço da jovem. Com um hábil movimento ela esquivou-se à mão da mulher.


DIANA  -  Eu vou porque quero. Vou desandar por aí com Pedro Barros. E com o ladrão do Lourenço. E com a esposa vítima. E com a tia malvada.

Deixou a sala, rindo alto, estridente, ante a cara fechada dos que assistiram ao seu ataque. Diana reinava absoluta no corpo de Maria de Lara.


Ritinha (Regina Duarte)
FIM DO CAPÍTULO  67

E NO PRÓXIMO CAPÍTULO...

*** DIANA VAI À DELEGACIA PARA VER JOÃO E BRIGA COM FALCÃO, QUE NÃO PERMITE A VISITA.

*** DR. RAFAEL EXIGE QUE DIANA DEIXE LARA VOLTAR, MAS ELA RESISTE!


NÃO PERCA O CAPÍTULO 68 DE


terça-feira, 27 de setembro de 2011

HOMENAGEM AO NIVER DA LETE

Faça o seu dia mais feliz.
Único, exclusivo, especialmente pra você.
Hoje é o seu dia.
Tenha momentos de glória e satisfação.
Mantenha um sorriso estampado no rosto, pode ser aquele, o que te deixa mais especial.
Que esta data possa trazer-lhe boas recordações.
Feliz aniversário!


SESSÃO REMAKE MUSICAL - GOOD BYE YELLOW BRICK ROAD - KEANE

A música Good Bye Yellow Brick Road, interpretada originalmente por Elton John, é apresentada abaixo por Keane.

SESSÃO TÚNEL DO TEMPO MUSICAL - GOOD BYE YELLOW BRICK ROAD - ELTON JOHN

Good Bye Yellow Brick Road, interpretada por Elton John, fez parte da trilha sonora internacional da novela Supermanoela, apresentada pela Rede Globo, no horário das 19 h, entre 21 de janeiro e 02 de julho de 1974.
Para maiores informações sobre a novela, favor consultar: http://www.teledramaturgia.com.br/tele/supermanoela.asp.
Boa audição!

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LETRA

GOOD BYE YELLOW BRICK ROAD

When are you going to come down?
When are you going to land?
I should have stayed on the farm,
I should have listened to my old man.

You know you can't hold me forever,
I didn't sign up with you.
I'm not a present for your friends to open,
This boy's too young to be singing the blues.

So goodbye yellow brick road,
Where the dogs of society howl.
You can't plant me in your penthouse,
I'm going back to my plough.

Back to the howling old owl in the woods,
Hunting the horny back toad.
Oh I've finally decided my future lies
Beyond the yellow brick road

What do you think you'll do then?
I bet that'll shoot down your plane.
It'll take you a couple of vodka and tonics
To set you on your feet again

Maybe you'll get a replacement,
There's plenty like me to be found.
Mongrels, who ain't got a penny,
Sniffing for tid-bits like you on the ground

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

SESSÃO RETRÔ - VARIEDADES - EMILIANO QUEIRÓS

A reportagem que reproduzimos abaixo foi publicada na revista Sétimo Céu, nr. 41, de fevereiro de 1976.
Nossa gratidão à amiga Maria do Sul pela remessa do material.
Boa leitura!




SESSÃO RETRÔ - NOVELAS - ESPECIAL XIX - UMA ROSA COM AMOR

A reportagem que reproduzimos abaixo foi publicada na revista Cartaz, no ano de 1972. Nossa gratidão ao amigo Césio Vital Gaudereto, que nos enviou essa preciosidade.
Para maiores informações sobre Uma Rosa com Amor (versão de 1972), favor consultar: http://www.teledramaturgia.com.br/tele/rosa72.asp.
Boa leitura!




domingo, 25 de setembro de 2011

IRMÃOS CORAGEM - CAPÍTULO 66



Roteirizado por Toni Figueira
do original de Janete Clair 

CAPÍTULO 66

PARTICIPAM DESTE CAPÍTULO:

DELEGADO FALCÃO
JOÃO
SINHANA
JUCA CIPÓ
CABO ELIAS
JERÔNIMO
RODRIGO
DR. RAFAEL
DIANA

CENA 1  -  GARIMPO DOS CORAGEM  -  EXT.  -  AMANHECER.

A madrugada apontava nos céus. O mundo se iluminava aos poucos, variando os tons de vermelho-claro ao vermelho-vivo, com tintas alaranjadas e meios-tons em azul-celeste. O olho do sol abria-se, preguiçosamente, por detrás das montanhas.


DELEGADO FALCÃO  -  (irritado)  Quer saber de uma coisa? Vou dar um fim nisso. Já me cansei. Agora, vai ser pra valer. Quem for valente, que me acompanhe. (fez com a mão o gesto de convite á ação)  Vai todo mundo entrar na gruna., agora, disposto a matar ou morrer.

SINHANA  -  Falcão, não faça isso! Você vai fazer de meu filho um criminoso! Ele tá só revoltado, mas não quer matá ninguém. Não obriga ele a fazê o que ele não quer.

DELEGADO FALCÃO  -  Não quer matar ninguém, não é? Vamos lá ver.

Os homens agiam com rapidez e cautela, aproximando-se da entrada da gruna. João percebeu o movimento de assalto.

JOÃO  -  (gritou com ferocidade)  Não vem ninguém! Tou pronto pra tudo!

DELEGADO FALCÃO  -  Vou te dar uma chance! (gritou)  Vou contar até 10 pra você sair. Se não obedece, vai entrar todo mundo aí atirando pra te acertar. Se você atira, também vai ser pior pra todos nós. Vou te dar um tempo. Você sai, se não quer morrer!

Diogo Falcão, com a arma em punho, iniciou a contagem. No interior da gruna, João acompanhava, esticando-se contra o chão úmido e barrento. A voz do delegado chegava-lhe, nítida, aos ouvidos acostumados ao silencio.

DELEGADO FALCÃO  -   ...3 ...4 ...5 ...6 ...7...

João conferiu o tambor da arma e tateou a munição ao lado, próximo à cabeça.


Juca Cipó acabara de chegar, trazendo mais homens, do bando do coronel. A empreitada deixava de ser da justiça, para se caracterizar em manobra de interesse pessoal do coronel, dono de Coroado.

CABO ELIAS  -  (gritou, vendo Juca desmontar, rápido)  Chegaro em boa hora! Tamo preparando uma armadilha pro João!

DELEGADO FALCÃO  -  Está esgotando o tempo, João! Vai sair ou não vai?

JUCA CIPÓ  -  (estimulava o bando)  Fogo nele! Fogo nele, Falcão! Qué que eu ajude?

DELEGADO FALCÃO  -  (fez sinal para o cabo, chamando-o)  Você entra atirando e nós seguimos na sua trilha. Assim que der o primeiro tiro, deite-se na entrada da gruna e continue a atirar. Feito? (e para João Coragem)  É a última chance, João! – 8... 9...

JERÔNIMO  -  (gritou) Cuidado, João!

DELEGADO FALCÃO  -  10...

Cabo Elias entrou atirando para o fundo do buraco. Os estampidos repetiram-se um após outro e o cabo Elias caiu, estendido, com a perna ferida. Arrastou-se, aflito, num esforço doloroso. A perna doía-lhe e o sangue empapava-lhe a calça.

JOÃO  -  (berrou, ameaçador)  Eu avisei, cambada de vagabundo, a sôldo do coronel! Eu avisei! Vai embora daqui. Vão todos pras profundas do inferno! Num acreditô, Falcão? Vem vê, de perto! Vem você, patife!

Dois ou tres companheiros arrastaram o ferido para longe da zona de tiro.


CABO ELIAS  -  Ele tá com o diago no corpo!

JERÔNIMO  -  (avançou e levantou a mão, em sinal de paz)  Pera aí, Falcão. A gente tem direito de tentá resolvê as coisa por bem. Dê um voto de confiança pra minha mãe. Ela vai lá, tentá fazê meu irmão se entregá.

DELEGADO FALCÃO  -  Pois bem!  É a última chance. A situação dele piora cada vez mais. Se o cabo Elias morrer, ele vai ter que responder por mais uma morte.

RODRIGO  -  Foi em legítima defesa, Falcão. Ou você quer torcer a lei?

Falcão fechou a cara num trejeito de ódio.


JERÔNIMO  -  Vai, mãe!  A senhora ele ouve.

Sinhana se aproximou da gruna, a passo firme.


SINHANA  -  (da entrada, avisou ao filho acuado)  João, tou indo aí pra falá com ocê.

JOÃO  -  (desconfiado)  Tá sozinha, mãe? Ou vem com algum cabra do Falcão?

SINHANA  -  Sozinha, filho. Palavra de honra!

JOÃO  -  Entra, mãe!

CENA 2  -  GARIMPO  -  INTERIOR DA GRUNA  -  INT.  -  DIA.

A mulher alcançou o ponto onde o filho permanecia emboscado. Sujo, barbado, com as mãos rasgadas pelas arestas cortantes das rochas do rio. Sinhana abraçou o filho sem demonstrar medo ou covardia.


SINHANA  -  Num vim te censurá.  Nem reclamá pelo que tu tá fazendo. Acho que tu reage como home injustiçado. Também, num digo que tu faça bem e que teu procedimento deve sê imitado. Só quero te dizê uma coisa: que te compreendo. Mas vai chegá a um ponto que tu num tem mais razão, nem saída. Te acusam de um crime que tu não cometeu. Mas há pouco tu atirô num home. Se ele morrê ocê vai arcá com toda a culpa, mesmo tudo mundo vendo que tu atirô em legítima defesa. O home atirô primeiro. Mas, pro safado do Falcão, o que vai valê é a tua resistencia.

JOÃO  -  A senhora veio pedi pra me entregá. Pra que tanto rodeio? Diz logo e acaba com isso.

SINHANA  -  O que tu me responde?

JOÃO  -  Que num dianta. Eu num me entrego!

SINHANA  -  Tu perdeu a crença, a fé?

JOÃO  -  Perdi tudo. Até o amor de Deus!

SINHANA  -  (se benzeu, recriminando o filho)  Num diz assim que é pecado!

JOÃO  -  (desiludido)  Deus me deixô.  Eu prefiro acreditá que não existe do que acreditá que ele também me traiu.

SINHANA  -  Deus tá aqui, junto de nós, filho, e tá me mandando dizê procê alimentá sua fé. Tua atitude num leva a nada. Ou melhó, leva á disgraça. E não é pouca a que caiu em riba de nós. Teu irmão mais novo taí, e precisa de ocê. Os sonho dele vão sê cortado e é por sua causa.

JOÃO  -  (com rispidez)  Eu num nasci grudado com meu irmão!  Cada um tem sua vida, seu destino. O meu, já vi que é o pior de todos. Ele que siga o dele.

SINHANA  -  (bateu com as duas mãos nas coxas grossas)  Tua resposta é não?

JOÃO  -  É. Não.

A velha procurou uma rocha saliente no solo úmido e se sentou, prendendo a saia entre os joelhos.

SINHANA  -  Tá bão. Então eu fico com ocê. O que te acontecê de mal, acontece a mim, também. Prefiro morrê, varada por uma bala do Falcão, do que vê meu filho acuado como uma fera perigosa. (João tentou dizer qualquer coisa; Sinhana cortou-lhe a palavra)  E num dianta. Daqui só saio morta, ou com ocê, pra se entregá por bem.

CORTA PARA:

CENA 3  -  GARIMPO  -  EXT.  -  DIA.

O dia ia alto, quando Sinhana despontou na bôca do esconderijo.


SINHANA  -  Trago uma resposta do meu filho.

JERÔNIMO  -  Ele vai se entregá, mãe?

SINHANA  -  Vai. Por minha causa. Pra que se acabe com essa situação. Mas, tem que tê garantia de que ninguém vai traí ele.

DELEGADO FALCÃO  -  Manda ele entregá as armas (ordenou)  E tem minha palavra de que nada lhe acontece.

Sinhana voltou-se para a entrada da gruna e chamou pelo filho.

DELEGADO FALCÃO  -  (ordenou, enérgico)  João vai se entregar, minha gente! Ninguém atira. Eu me responsabilizo por ele!

O rapaz apareceu na boca da caverna, empunhando o revólver e com a mão esquerda á guisa de anteparo sobre os olhos, protegendo-se da luminosidade do dia. Era uma figura coberta de barro. O cabelo tornara-se amarelado, com pedaços de terra grudados ás longas mechas negras. No rosto, barro. No peito, barro. João parecia uma figura talhada em barro, a despontar na entrada escura da gruna.

DELEGADO FALCÃO  -  Jogue sua arma fora! (gritou,  atento aos movimentos do rapaz)

SINHANA  -  (reforçou a ordem)  Filho, tu prometeu!

Num gesto de indignação, João Coragem atirou as armas no meio das águas tranquilas do rio. Sinhana correu a abraçá-lo.
JUCA CIPÓ  -  (gritou, histèricamente)  Agarra ele, gente! Agarra! Ele escapa...

DELEGADO FALCÃO  -  Fique quieto, Juca... Tudo vai dar certo.

A um sinal do delegado, os homens agarraram o garimpeiro, dobrando-lhe os braços por trás das costas. João não reagiu. Acomodou-se ao seu destino. Dias piores estariam por chegar.

CORTA PARA:

CENA 4  -  RIO DE JANEIRO  -  CONSULTÓRIO DO DR. RAFAEL  -  INT.  -  DIA.


O médico insistia, Diana reagia. Rafael avizinhou-se da moça, com ar divertido. Diana fumava, soltando baforadas contra o rosto do especialista.

DR. RAFAEL  -  Está querendo se divertir comigo, Diana?

DIANA  -  Não estou fazendo nada, meu bonitão. É você que está me obrigando a mofar aqui, nesta sala, enquanto eu tenho tanta coisa pra fazer lá fora. Há duas horas, ou mais, sei lá, que estamos aqui, como dois paspalhões, um olhando para o outro, sem fazer nada. Ao menos... se você tivesse uma vitrola, com alguns discos bacanas, a gente podia dançar. Que tal a idéia? Assim o tempo passa mais depressa...

DR. RAFAEL  -  Diana, estou aguardando sua resposta. Vamos acabar com essa brincadeira. Me diga, honestamente, o que fez da arma de seu pai.

DIANA  -  De que adianta eu dizer, se você não acredita em mim? Pra você eu não passo de uma mentirosa, de uma imoral e não sei o que mais.

DR. RAFAEL  -  Eu quero acreditar.  Conte tudo o que lhe aconteceu naquela noite em que você saiu disposta a matar Lourenço.

Lara tornou a sentar-se sobre a mesa, cruzando as pernas, sem se importar com a presença do homem á sua frente. Alisou as pernas, sensualmente, antes de responder.

DIANA  -  Legal! Vou te dar o serviço direitinho. Escuta só. Como já disse, saí armada da casa de Pedro Barros. Peguei o carro, etc., etc., e fui parar no clube, onde eu sabia que aquele cachorro costumava ir. Lá me disseram que ele estava bebendo num bar que há ali perto. Um bar vagabundo. Sabe como é? Esses de estrada, cheio de mulher pilantra... Aí eu fui pra lá. Procurei o sem-vergonha e o dono do bar me disse que ele já havia estado lá, mas que tinha saído. Resolvi tomar um trago, pra esquentar... Logo, um cara se engraçou comigo. Topei a brincadeira. Estava a fim de me divertir, já que não havia encontrado Lourenço. Bebi mais. Bebi muito e saí fora do sério. O cara me convidou: “Como é, beleza, vamos embora?” – Disse pro otário: - “Não vou a lugar nenhum com você. Não sei quem você é... Aí ele veio com a história de que não tinha pago toda a bebida pra levar um fora. Tentou me agarrar. Esperneei, enquanto todo mundo ria, dentro do bar. O cara me arrancou pra fora e me levou pro caminhão dele. Era chofer de estrada. Foi aí que tirei o revólver da bolsa e o ameacei. “Tá pensando que eu sou de graça, mocinho?” O cara era vivo e forte e, num descuido meu, roubou minha arma, jogando-a fora. Foi aí que corri, entrei no meu carro e saí em disparada. O sujeito ficou esbravejando feito um touro que perde a vaquinha na hora H. Tá aí toda a história da arma. O camarada jogou ela longe. A sorte foi que ele se conformou e não me seguiu. Se você acredita ou não, é problema seu. Mas, a gente pode ir ao tal bar e você vai ver como todo mundo diz que foi verdade. Quem sabe o carinha não anda por lá, ainda?

DR. RAFAEL  -  Não acredito na sua história.  Só estou desolado vendo as complicações em que você se envolve. Aonde quer que Diana vá. Maria de Lara irá também. E isso quer dizer que, se você se portar mal, quem sofrerá as consequencias será ela.

DIANA  -  Já sei, já sei (disse, impaciente)  Não me venha de novo com aquela história da camisa-de-força e grades de ferro.

DR. RAFAEL  -  É o destino que te espera, Diana, se você não se portar bem!  

Diana fez uma pequena pausa para acender outro cigarro.

DIANA  -  Bem, em resumo, o que vai ser de nós duas? Quem vai vencer no final da história, eu ou ela?

DR. RAFAEL  -  Na verdade, há poucos casos como o seu na literatura médica. Minha primeira esperança é achar em vocês uma maneira de conseguir uma personalidade estável.

DIANA  -  Como?

DR. RAFAEL  -  Fazendo com que vocês duas se fundam numa só, se é que isso pode ser atingido. Combinando as melhores qualidades de cada uma, para fazer um caráter forte e consciente. (tirou um lenço do bolso e enxugou a testa, molhada de suor)  Bem... agora pode se despedir, Diana. Eu já sei o suficiente. Quero falar com Lara.

A moça fez um muxôxo e abanou a cabeça, em sinal de negação. Soprou mansamente a fumaça para o teto. Ao falar a voz não traía a mínima emoção.


DIANA  -  Quem disse que eu quero ir embora? (olhou para o médico com ar zombeteiro, sorrindo silenciosamente)  Agora, chegou a minha vez, doutor. Ela que se arranje. Eu não vou voltar tão cedo. Vou ficar até... quando quiser. E tem mais: já vou dando o fora. Isto aqui, tá cada vez mais chato...

Foi até a porta, endireitou a saia e desapareceu sem dar tempo ao médico de tentar impedi-la. Rafael correu ao telefone. Na portaria alguém atendeu.


DR. RAFAEL  -  Alô! Aqui é o Dr. Rafael. Minha cliente, Diana Lemos, vai tentar deixar a clínica. Impeçam-na de qualquer maneira. Não a deixem sair! Chego já aí!

Desligou, batendo com força o fone no gancho.

FIM DO CAPÍTULO  66
Sinhana entra na gruna e tenta convencer o filho a se entregar.

e no próximo capítulo...


*** DUDA E RITINHA, NO RIO DE JANEIRO, FICAM DESOLADOS AO RECEBER NOTÍCIAS DE COROADO E SABER QUE JOÃO ESTÁ PRESO!

*** FAUSTO PAIVA, MUITO ABORRECIDO COM A INSISTENCIA DOS DIRETORES DO FLAMENGO EM MANTER DUDA NO TIME, PEDE DEMISSÃO!

*** DIANA REAPARECE EM COROADO, NA CASA DO PAI, DIZENDO QUE VAI DESMASCARAR TODO MUNDO!

NÃO PERCA O CAPÍTULO 67 DE