segunda-feira, 31 de outubro de 2011

SESSÃO RETRÔ - VARIEDADES - NUNO LEAL MAIA

A reportagem que reproduzimos abaixo foi publicada na revista Sétimo Céu, nr. 22, de abril de 1980.
Nossos agradecimentos à amiga Maria do Sul pela remessa do material.
Para maiores informações sobre a novela Pé de Vento, mencionada no artigo, favor consultar: www.teledramaturgia.com.br/tele/pedeventot.asp.
Boa leitura!



SESSÃO RETRÔ - COMERCIAIS - FUSCA

A Sessão Retrô – Comerciais de hoje, que apresenta um comercial de 1965, homenageia as biscoitinhas Maria do Sul e Fernanda (Fer), que gostam tanto de um fusquinha.

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domingo, 30 de outubro de 2011

IRMÃOS CORAGEM - CAPÍTULO 81


Roteirizado por Toni Figueira
do original de Janete Clair 
 

CAPÍTULO 81

PARTICIPAM DESTE CAPÍTULO:

PADRE BENTO
JOÃO
DELEGADO FALCÃO
MARIA DE LARA
PEDRO BARROS
RODRIGO
INDAIÁ
JERÔNIMO
POTIRA

CENA 1  -  MORRINHOS  -  HOTEL CENTRAL  -  QUARTO DE FALCÃO  -  INT.  -  NOITE.

Por um breve instante o aço brilhou á luz mortiça do quarto do hotel. O pé do garimpeiro esmagava o peito do delegado, caído ao solo, submisso e trêmulo. João curvou-se no gesto estremo de espetar o punhal na garganta do inimigo. O braço ia descer, impiedoso, mas em fração de segundo, ficou retido no ar, como se parado por estranha força sobrenatural. Ele voltou a cabeça assustado, para encarar um rosto conhecido.


PADRE BENTO  -       Está maluco, João?

Padre Bento segurava firme o punho ameaçador, impedindo a descida fatal. A mão do foragido tremia.


JOÃO  -  (implorou, ofegante) Me solta, padre! Esse bandido tem que morrê!

PADRE BENTO  -  (autoritário)  Se você nunca matou ninguém, não perca sua alma agora. Entregue-se e defenda-se!

JOÃO  -  Vou embora, padre... não lhe perdôo por isso. Eu vou... mas danado com Deus que botô o senhô no meu caminho!

Afrouxando a pressão do pé, João libertou o corpo de Falcão e, num átimo, desapareceu pela porta do quarto.

CENA 2  -  HOTEL CENTRAL  -  PORTARIA  -  INT.  -  NOITE.


João avançou estreito corredor do hotel, ladeado por uma parede pintada de rosa e por dezenas de quartos enfileirados, de portas azuis. Lara assistia, incrédula, à descida alucinada do marido. Os olhos de ambos se encontraram á entrada do estabelecimento.


MARIA DE LARA  -  João! O que está acontecendo?

JOÃO  -  Você... você e esse delegado... tem cuidado! Eu dou cabo, também, de você!

DELEGADO FALCÃO  -  (gritava, do interior, esbaforido)  Agarrem ele! Não deixem ele sair!

João olhou com raiva a mulher e saiu apressado pela rua empoeirada que confluenciava com a estrada principal de Morrinhos. Ao alto, num pequeno outeiro, as luzes da matriz contilavam ofuscando o brilho das estrelas. Lara encostou-se, aflita, ao corrimão da escada. Padre Bento aproximou-se, a passos lentos.

PADRE BENTO  -  Não se assuste, Lara, já passou. Ele tentou matar o delegado. Ouvi tiros... me levantei assustado, a tempo de evitar o crime. João estava se preparando para matá-lo. E o teria feito se eu não tivesse segurado a mão dele!

MARIA DE LARA  -  (não entendia)  Por que... por que João está tão fora de si?

PADRE BENTO  - (ficou indeciso, mas não podia mentir)  Um homem... na situação dele, já não tem controle de suas próprias emoções. Soube que você estava aqui... chegou... viu o delegado... bem... sei lá o que pensou!

MARIA DE LARA  -  Isto é absurdo... eu não tenho culpa se o delegado veio...

PADRE BENTO  -  Eu sei que você não tem. Mas, é preciso que entenda. João não está em condições de destinguir o bem do mal. No seu modo de ver, só reconhece o mal. (segurou as mãos da moça)  Você terá oportunidade de se defender, minha filha. Tenha fé em Deus.

O delegado voltava, cansado, guardando a arma no coldre, depois de procurar o garimpeiro nas imediações do hotel.


DELEGADO FALCÃO  -  É, padre, agora o negócio ficou mais sério. Já não tenho dúvida. Um de nós tem que dar sumiço deste mundo. Aqui... não há lugar para nós dois.

CORTA PARA:

CENA 3  -  FAZENDA DE PEDRO BARROS  -  CASA-GRANDE  -  INT.  -  DIA.

Pedro Barros acendeu o charuto, calmamente, após o almoço. Desde a madrugada, uma forte chuva lavava toda a região castigada durante meses por uma estiagem desalentadora. E os céus continuavam despejando torrentes de água sobre a terra ressequida do sertão.

Falcão aproximou-se da janela, ao ouvir o barulho surdo de um veículo e, logo após, a pancada seca da porta que se fechava. Fez sinal ao coronel, alertando-o. Algum importuno, pensou Barros, que se ajeitou no sofá largo.


Sem maiores preâmbulos, Rodrigo foi direto ao assunto, com Indaiá aflita, a seu lado.


RODRIGO  -  Vim pedir seu auxílio, delegado, para encontrar minha mulher.

DELEGADO FALCÃO  -  Que foi que houve com Potira?

INDAIÁ  -  Desapareceu!

RODRIGO  -  Calma.  Não é nada disso. Estávamos acampados longe daqui... pros lados do garimpo dos Coragem. Depois (apontou para o céu)   começou a chover, a princípio sem intensidade, a seguir o toró se formou e caiu uma carga de amedrontar. Potira saiu em busca de abrigo... Já a procuramos em todos os lugares possíveis pelas redondezas e não vimos a menor pista. A tarde vai cair daqui a pouco; virá a noite e ela está desaparecida, seguramente, há umas 5 horas. Já estou começando a ficar preocupado.

PEDRO BARROS  -  (lançou a semente da desconfiança)  Jerônimo Coragem deve saber onde ela anda.

RODRIGO  -  (esclareceu, ignorando a instigação)  Jerônimo tava comigo e ajudou a procurar.

INDAIÁ  -  (com os cabelos molhados e a face pálida)  Ele voltou pra ver se acha ela...

RODRIGO  -  (voltou a solicitar, humilde)  O senhor pode me ajudar, delegado?

Falcão olhou de esguelha para o velho chefe.

DELEGADO FALCÃO  -  (com ares dramáticos)  Bem... com muito prazer... vou mandar uns homens procurar Potira... eu mesmo vou comandar eles...

PEDRO BARROS  -  Se precisar do meu auxílio...

Pedro Barros despejou uma fumaça azulada e densa que subiu ao teto e se desfez como as esperanças dos seus inimigos.

CORTA PARA:

CENA 4  -  GARIMPO DOS CORAGEM  -  GRUNA  -  INT.  -  DIA.

Depois da luz prateada do relâmpago, os trovões pipocavam, rachando a cobertura dos céus com a violencia dos estrondos. A água voltava a cair caudalosa das cataratas de São Pedro. Dentro da gruna o eco dos ribombos misturava-se aos suspiros medrosos da mestiça. Potira, encolhida a um canto, abrigava-se da chuva e do vento. Recordava das palavras de Jerônimo, tempos atrás: “Mulhé num entra em gruna! Nem padre, porque usa saia!” Um clarão mais forte iluminou as paredes úmidas da gruta. A moça levantou-se assustada. Reconhecera o vulto silhuetado pelo relâmpago.


POTIRA  -  Jeromo!

O jovem prefeito tinha as feições endurecidas e as vestes totalmente encharcadas. A água escorria dos cabelos, colados á testa e ao rosto, dando-lhe o aspecto de um náufrago atirado á praia.


JERÔNIMO  -  (falou, enérgico)  Sabia que ia... te encontrar aqui!

Encararam-se, frente a frente. O foco da lanterna de pilha iluminava o rosto sensual da índia.

POTIRA  -  E eu... sabia que tu vinha me buscá!

Jerônimo correu a mão pela roupa ensopada.


JERÔNIMO  -  Se sabia, tanto melhor. Vamos simbora daqui!

POTIRA  -  (recusou-se)  Não vou. Quero ficá!

JERÔNIMO  -  Teu marido tá feito louco te esperando (apelou)  Anda. Vem. Eu te levo. (a chuva se intensificara e o temporal alcançava o auge)  Tá querendo encrencar mais a minha vida?

POTIRA  -  A minha vida não é a tua. Pode dá o fora se tem medo de se comprometê.

JERÔNIMO  -  Não é isso, índia (falou, procurando acalmá-la)  é que esta gruna tá pondo em perigo a minha vida e a sua. Depois que meu irmão achou o diamante e se escondeu da polícia, ela foi condenada. Vai desabar a qualquer momento!

POTIRA  -  Eu fico. Tu num é obrigado a morrê comigo. Pode ir embora.

JERÔNIMO  -  Acha que eu vou fazer isso com ocê?

POTIRA  -  Era melhor, num era? Acabava a tentação de tua vida... acabava tudo... tudo quanto era problema.

JERÔNIMO  -  (fitou-a com piedade)  Índia... tu gosta tanto assim... de mim?

Ela não respondeu, apenas se voltou e encarou o rapaz, com olhos semicerrados de desejo. Um raio desenhou um risco sinuoso nos céus e derrubou o galho secular da árvore frondosa que servia de tenda aos garimpeiros, nos dias de calor escaldante. O vento assobiava nas frondes do arvoredo, numa sinfonia amedrontadora. As águas penetravam assustadoramente pela boca da gruna. De repente as vigas dançaram na base e, após alguns segundos de inclinação, ruíram, trazendo ao solo toneladas de terra. O ruído ensurdeceu os ouvidos do casal. Toda a entrada da gruna transformara-se numa parede compacta de terra negra e rochas despedaçadas. Agora, o silencio era total, o ar menos renovado e a escuridão atenuada apenas pelo foco da lanterna elétrica. A morte parecia certa.

CORTA PARA:

CENA 5  -  FAZENDA DE PEDRO BARROS  -  CASA-GRANDE  -  SALA  -  INT.  -  DIA.

Juca Cipó entrou atropelando tudo. Móveis e gente.


JUCA CIPÓ  -  Eu vi! Eu vi!

PEDRO BARROS  -  (ergueu-se, impulsionado pelo interesse)  Viu o quê?

JUCA CIPÓ  -  Os dois tão lá! Na gruna. Desabô. Eu vi! Ninguém mais pode entrá. Os dois vão morrê!

PEDRO BARROS  -  (com energia)  Deixa de conversa fiada, moleque! Conta logo a história!

JUCA CIPÓ  -  Depois da discussão das duas moça, Potira saiu correndo, enquanto Margarida chamava ela: “Vorta, doida! Vorta!” Ela nem deu trela. Correu pra gruna. Queria morrê. Ela sabia que a gruna tava condenada. Eu fiquei só esperando ela saí. Mas num saía nunca, a disgramada. Dispois de um tempão vi que Jeromo se aproximava da gruna... e entrô também. (o coronel remexia-se, impaciente)  Ele entrô e os dois ficaro lá. Num demorô... e a entrada da gruna... se fechô. Desabô uma porção de troço... caiu, caiu, caiu! E os dois ficaro preso lá dentro!

A mente do coronel trabalhava em ritmo de computador á procura de um motivo, de uma oportunidade que o levasse a recomandar as engrenagens, agora, muito mais nas mãos dos inimigos. Ali estava a chance sonhada.


PEDRO BARROS  -  Ninguém mais precisa sabê disso... a não ser nós três! Vem comigo, Juca. Você, Mingas, fecha o bico.

FIM DO CAPÍTULO  81
Potira e Jerônimo estão presos na gruna!

E NO PRÓXIMO CAPÍTULO...

*** JERÔNIMO E POTIRA, ACREDITANDO QUE VÃO MORRER, AMAM-SE NO INTERIOR DA GRUTA.

*** NASCE O FILHO DE DUDA E RITINHA!


NÃO PERCA O CAPÍTULO 82 DE

PARA MEDITAR

Um sábio provérbio africano:
“Amor é como um bebê: precisa ser tratado com ternura”.

SESSÃO BISCOITINHOS

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sábado, 29 de outubro de 2011

PARA MEDITAR

Um sábio provérbio africano:
“Se sua lingua tranformar-se em uma faca, cortará sua boca”.

SESSÃO FOTONOVELA

A fotonovela que reproduzimos abaixo foi publicada na revista Sétimo Céu, provavelmente no ano de 1970.
Nossos agradecimentos à amiga Maria do Sul pela remessa do material.
Boa leitura!































sexta-feira, 28 de outubro de 2011

IRMÃOS CORAGEM - CAPÍTULO 80


Roteirizado por Toni Figueira
do original de Janete Clair 

CAPÍTULO 80

PARTICIPAM DESTE CAPÍTULO:

BRANCA
LOURENÇO
BRAZ CANOEIRO
JOÃO
DELEGADO FALCÃO

CENA 1  -  MORRINHOS  -  CASA DE BRANCA  -  SALA  -  INT.  -  NOITE.

A sala cobria-se de escuridão, mas Branca percebeu que havia alguém dentro da casa.


BRANCA  -  Meu filho, já cheguei.

Apertou o botão e a luz alegrou o ambiente. Seus olhos fixaram-se num paletó de linho, branco, pendurado no encôsto de uma cadeira. Reconheceu-o de imediato. Aflita, trancou a porta da frente.

BRANCA  -  (chamou em voz baixa)  Lourenço, você está aí?

O marido apareceu, vindo dos fundos da casa. Branca atirou-se em seus braços, sequiosa.

BRANCA  -  Você veio, bandido! Você veio! Eu te esperei tanto! Tanto! (beijou ardentemente os lábios do esposo).

LOURENÇO  -  (convencido)  Sabia que você estava louquinha de saudade...

BRANCA  -  Você não merece... você não merece nem a saudade, nem a minha aflição!

LOURENÇO  -  Se não merecesse, você já tinha me delatado, como prometeu...

BRANCA  -  E aquela carta... e Estela?

LOURENÇO  -  Eu sei lá de Estela! (empurrou a mulher, com ambas as mãos, e virou-se de costas. A lembrança de Estela nunca lhe trazia calma).

BRANCA  -  Mas... você voltou ao clube para saber notícias dela. Confesse!

LOURENÇO  -  Não confesso nada. Se vai me atentar a paciencia, eu dou o fora de novo.

Branca o abraçou por trás, com meiguice.


BRANCA  -  Não (cochichou no ouvido do marido)  você não faz isso. Agora, você não me larga mais. Estamos muito comprometidos. Nós dois, num crime, num caso muito sério...

O verdadeiro caráter da mulher revelava-se claramente. Pouco lhe importavam os problemas morais e sociais do jovem garimpeiro, foragido por um crime que não cometera. O “cadáver” ali estava, vivinho da silva.

LOURENÇO  -  Você não deu com a língua nos dentes, não?

BRANCA  -  Acha que ia ter coragem? Depois de ter te esperado tanto... ia pôr tudo a perder... pelo meu ciúme?

Ela forçou o corpo do homem e virou-se de frente. Uma luz diferente brilhava no fundo dos seus olhos, enquanto as unhas se enterravam na carne macia do pescoço de Lourenço.

LOURENÇO  -  Fez tudo como eu mandei?

BRANCA  -  E não fiz, bem? Não denunciei João? Não fiz direitinho, tudo como você mandou?

LOURENÇO  -  (pegou do bule sobre a mesa e derramou café na xícara azul)  Eles foram na tua conversa?

BRANCA  -  Que papel você me obrigou a fazer!

LOURENÇO  -  Mas deu certo. Tudo que eu planejei, deu certo!

BRANCA  -  Mas você tem se arriscado. Aqui é que não devia ter vindo.

LOURENÇO  -  (lembrou-se do filho)  Alberto, onde está?

BRANCA  -  Está aqui! Veio me fazer companhia e se ele te encontra, o que é que a gente vai dizer?

LOURENÇO  -  (interrogou, apreensivo)  Você não contou a verdade pra ele, não?

BRANCA  -  Acha que um rapaz da idade dele vai entender essas coisas? E eu ia ter coragem de meter nosso filho nessa embrulhada que você arrumou?

O ex-capataz ergueu a mulher pela cintura, feliz da vida. Rodopiou com ela pela sala. Sorria.

LOURENÇO  -  Vale a pena, mulher! Tu vai ver só o tamanhão do diamante! Tu vai ficar rica, mulher!

CORTA PARA:

CENA 2  -  MORRINHOS  -  CASA DE BRANCA  -  SALA  -  INT.  -  NOITE.

O par voltou a considerar a realidade. Como revelar ao filho a verdade sobre os acontecimentos? Alberto acreditava o pai morto e sepultado.


BRANCA  -  Pois é. Ele largou os estudos pra vir cá, me ajudar.

LOURENÇO  -  Manda ele de volta.  Tem que se formar pra doutor. Logo, logo, eu vendo o diamante e a gente fica rico. Sustento estudo dele até na Europa, se quiser.

BRANCA  -  Você se esquece de uma coisa: ele pensa que o pai morreu assassinado. E não sei como lhe dizer que o pai está vivo e que teve que passar por morto, por causa do diamante que roubou...

LOURENÇO  -  Aos poucos a gente faz ele conhecer essa verdade.

BRANCA  -  Conheço nosso filho. Ele não vai aceitar essa verdade. Tem outra idéia, outro pensamento.

LOURENÇO  -  Que é que você quer que eu faça?

BRANCA  -  Nada. Mas ele vai ser o nosso maior problema, nosso maior obstáculo.

LOURENÇO  -  Maior obstáculo, uma pinóia (explodiu)  Se ele não aceita, paciencia, eu cuido da minha vida, ele da vida dele, ora!

Branca tornou a abraçar e beijar o marido, envolvendo-o num clima de desejo. Passou as mãos de leve por sobre a cabeça dele.


BRANCA  -  Agora, você tem que desaparecer daqui, depressa. Padre Bento e Lara estão em Morrinhos. Vieram para a procissão de Nossa Senhora do Rosário. Por incrível coincidência, Alberto os conheceu e os convidou para virem se hospedar em nossa casa.

LOURENÇO  -  (fez uma careta de raiva)  Diacho! Alberto é do contra!

BRANCA  -  (insistiu, alisando o rosto do marido)  Vai... tem cuidado... não apareça. Fica em Belo Horizonte. Me deixa tua direção. Eu te procuro. Não venda já o diamante.

CORTA PARA:

CENA 3  -  CASA ABANDONADA  -  SALA  -  INT.  - DIA.

João acabara de almoçar, quando Braz entrou, intempestivamente.


BRAZ CANOEIRO  -  Tem novidade procê!

JOÃO  -  Então desembucha, home!

BRAZ CANOEIRO  -  Fiquei sabeno que vai tê a festa de Nossa Senhora do Rosário, em Morrinhos. Vai saí uma procissão de Coroado. Tem um monte de gente acompanhando.

JOÃO  -  E daí?

BRAZ CANOEIRO  - E dai que... sabe quem vai acompanhá a procissão, com Padre Bento? Dona Lara!

JOÃO  -  (sério)  A gente tá brigado, Braz.

BRAZ CANOEIRO  -  Eu sei. Tou te contano porque... quem sabe ocê pode querê ir a Morrinhos pra vê tua mulhé...

JOÃO  -  Melhor não mexê nisso agora.

BRAZ CANOEIRO  -  Eu acho que tu devia ir, Jão. Dona Lara merecia outro tratamento. Um amor como o de ocês num pode acabá assim... Ocês tem de conversá...

JOÃO  -  (animou-se)  Tá bom. Tá decidido! Vou a Morrinhos, arriscando meu pescoço, mas vou!

BRAZ  -  Assim que se fala! Só toma cuidado. Me dissero que o Falcão vai também!

JOÃO  -  Melhor ainda! Tenho umas contas a ajustar com esse canalha. Não vou perdê essa oportunidade!

CORTA PARA:

CENA  2  -  MORRINHOS  -  HOTEL CENTRAL  -  INT.  -  NOITE.

A festa de Nossa Senhora do Rosário levou a Morrinhos grande parte da população católica de Coroado e da extensa região que se alargava entre as montanhas e o planalto goiano. Região rica, banhada pelos rios e muito procurada pela fartura de caça e pesca.


João hospedou-se no Hotel Central. Acabara de chegar ao quarto, quando ouviu um barulho no corredor e entreabriu a porta. Para sua surprêsa, reconheceu Falcão, que acabara de entrar no quarto ao lado do seu. Fechou a porta, sem fazer ruído, e encostou-se à parede.

JOÃO  -  (para si)  É hoje, Falcão, que vamos acertá nossas conta!

CORTA PARA:

CENA 3  -  MORRINHOS  -  HOTEL CENTRAL  -  QUARTO DE FALCÃO  -  INT.  -  NOITE.

João fumava tranquilamente no quarto do delegado de Coroado, quando a porta se abriu e uma mão procurou o comutador. A luz não se fez.


DELEGADO FALCÃO  -  (irritado)  Ora, essa...

JOÃO  -  Fique onde está e levante as mãos... Não se mova. Não dê um passo. Jogue sua arma. Tenho a mira certinha no seu coração.

Falcão descarregou o revólver contra o quarto escuro, desesperado, sem atinar contra quem ou contra o quê.


DELEGADO FALCÃO  -  É você, João Coragem? Não adianta se esconder. Eu sei que você está aqui e vou acabar com tua raça. Apareça, covarde. Apareça, se é homem!

JOÃO  -  Estou aqui, Falcão!

O garimpeiro apareceu por detrás do guarda-roupa de jacarandá. As balas haviam perfurado móveis e paredes, mas João permanecia incólume. E com a arma cheia de balas. Falcão premiu o gatilho. Duas, tres vezes. O estalido anunciou que a arma estava descarregada.

A voz do garimpeiro encheu o ambiente.

JOÃO  -  Não adianta, Falcão. Você gastou todas as balas, atirando nos fantasmas. Que tipo de delegado é você? Sem habilidade. Medroso.

João avançou de arma em punho. Puxou o inimigo para dentro do quarto.


DELEGADO FALCÃO  -  Que é que você veio fazer aqui?

JOÃO  -  Vim só lhe dar uma lição. Fazer você engolir tudo quanto é infâmia que anda espalhando da minha mulher...

DELEGADO FALCÃO  -  Não sou eu que espalho (negou, acovardado)  Você devia fazer o mesmo com o sujeito com quem ela se divertiu uma noite. O tal que tirou a arma dela, lembra-se? Foi daí que começou a fama de sua mulher.

JOÃO  -  Vou te calar a boca de uma vez! (deu uma volta em torno do corpo trêmulo do delegado). Nunca mais tu vai inventá coisa... nunca mais vai caluniá mulhé nenhuma!

DELEGADO FALCÃO  -  Isso é uma covardia. Meu revólver está sem balas!

JOÃO  -  Pra você eu não preciso de revólver, Falcão. (guardou a arma no coldre e desferiu violento soco no queixo do delegado. Falcão caiu ao solo, tonto. Tentou levantar-se e o garimpeiro tornou a apanhá-lo com um gancho de esquerda. Puxou um punhal e espetou-o sob o queixo do adversário) Nunca matei ninguém, apesar de ser acusado de um crime. Nunca matei. Mas vou acabar com a tua vida porque tu não presta e num merece continuá vivendo.

DELEGADO FALCÃO  -  (estrebuchou, implorando, quase em lágrimas)  Não... João... espera!

JOÃO  -  Se sabe rezá, reza, porque tu vai morrê.

O delegado gritou, a voz saindo-lhe fina como a de um soprano. O punhal arrancava as primeiras gotas de sangue do fantoche de Pedro Barros...


FIM DO CAPÍTULO  80
Branca (Neuza Amaral) reencontra Lourenço (Hemílcio Fróes)

E NO PRÓXIMO CAPÍTULO...

*** CHOVE TORRENCIALMENTE EM COROADO. POTIRA DESAPARECEU E RODRIGO PEDE AJUDA AO DELEGADO PARA ENCONTRAR SUA MULHER.

*** JERÔNIMO ENCONTRA A ÍNDIA NA GRUNA, QUE CORRE RISCO DE DESABAMENTO. POTIRA DIZ AO AMADO QUE QUER MORRER COM ELE.

*** JUCA CIPÓ CONTA A PEDRO BARROS QUE VIU POTIRA E JERÔNIMO NA GRUNA, E QUE OS DOIS VÃO MORRER SOTERRADOS!


NÃO PERCA O CAPÍTULO 81 DE

SESSÃO CAPAS E PÔSTERES

A capa que apresentamos abaixo é da revista Romântica, nr. 202, publicada no ano de 1973.
Nosso agradecimento ao amigo Césio Vital Gaudereto pela cessão do material.
Já o pôster de Mário Cardoso foi publicado na revista Sétimo Céu, nr. 22, de abril de 1980.
Nossa gratidão à amiga Maria do Sul pela remessa desse material.
Boa diversão!




SESSÃO FOTO QUIZ

A foto da semana passada é da atriz Nicole Puzzi.
Agora, tentem descobrir quem é o garotinho da foto.
Eis algumas pistas:
1) É filho de atores famosos.
2) Estreou na novela Quem é Você?, da Rede Globo, em 1996.
3) Participou de novelas como: Marissol, no SBT; Páginas da Vida e Ti Ti Ti (2ª versão), na Rede Globo.
Boa diversão!



quinta-feira, 27 de outubro de 2011

HOMENAGEM AO NIVER DA MARIANA LOPES

Que neste aniversário, você consiga descobrir muito mais ideais, do que aqueles já conseguidos, e fazer disso uma lição de vida. Desejamos a você tudo de ótimo que a vida pode lhe oferecer, porque você merece!!! UM SUPER FELIZ ANIVERSÁRIO!
Estamos com saudades de vc amiga!
Felicidades!!

 

SESSÃO LEITURA

A crônica que apresentamos abaixo é do autor Leon Eliachar e intitula-se “As Flores”.
Para maiores informações sobre o autor, favor consultar: http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_4238.html.
Boa leitura!

AS FLORES

Há dois meses que Iracema recebia flores, sem cartão. Colocava tudo nas jarras, vasos, copos; mesas, janelas, banheiro e até na cozinha. Quando o marido lhe perguntava por que tantas flores, todos os dias, ela sorria:
— Deixe de brincadeira, Epitácio.
Ele não percebia bem o que ela queria dizer, até que um dia:
— Epitácio, acho bom você parar de comprar tanta flor, já não tenho mais onde colocar.
Foi aí que ele compreendeu tudo:
— O quê? Você quer insinuar que não sabia que não sou eu quem manda essas flores?
Foi o diabo, ela não sabia explicar quem mandava, ele não conseguia convencê-la de que não era ele.
— Um de nós dois está mentindo — gritou, furioso.
— Então é você — rebateu ela.
No dia seguinte, de manhã, ele decidiu não sair, pra desvendar o mistério. Assim que as flores chegassem, a pessoa que as trouxesse seria interpelada. Mas não veio ninguém:
— Já são duas horas da tarde e as flores não chegaram, Epitácio. É muita coincidência.
Vai me dizer que não era você.
Ele não tinha por onde escapar. Insinuou muito de leve que a mulher devia ter conhecido alguém na sua ausência. Ela chegou a chorar e se trancou no quarto. A discussão entrou pela noite até o dia seguinte. Epitácio saiu cedo, sem mesmo tomar café. Bateu a porta com força e levou o mistério para o trabalho.
Meia hora depois, a mulher saiu e foi ao florista.
— Como vai, Dona Iracema? A senhora ontem não veio, heim? Aconteceu alguma coisa?
À noite, Epitácio viu as flores e não disse uma palavra, mas a mulher não parou:
— Seu cínico. Bastou você sair para as flores aparecerem e ainda tem coragem de dizer que não foi você.
Nessa noite ele teve insônia.

SESSÃO ABERTURA DE NOVELA

Estamos postando algumas aberturas sugeridas por nossa amiga Kely, que as retirou de quatro vídeos do Youtube, publicados por anaqueful, que contém as 20 melhores aberturas de novelas, escolhidas por quem postou o vídeo.
Nossos agradecimentos à Kely pela sugestão.
A quinta colocada foi a da novela Um Sonho a Mais, apresentada pela Rede Globo, no horário das 19 h, entre 04 de fevereiro e 02 de agosto de 1985.
Para maiores informações sobre a novela, favor consultar: www.teledramaturgia.com.br/tele/umsonho.asp.
O tema musical da abertura era Whisky à Go-go, interpretado pelo conjunto Roupa Nova.
Boa diversão!

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LETRA

WHISKY À GO-GO

ROUPA NOVA

Foi numa festa, gelo e cuba libre
E na vitrola Whisky a Go Go
À meia luz o som do Johnny Rivers
Aquele tempo que você sonhou

Senti na pele a tua energia
Quando peguei de leve a tua mão
A noite inteira passa num segundo
O tempo voa mais do que a canção

Quase no fim da festa
Num beijo, então, você se rendeu
Na minha fantasia
O mundo era você e eu

Eu perguntava, do you wanna dance?
E te abraçava, do you wanna dance?
Lembrar você
Um sonho a mais não faz mal
[x2]

Foi numa festa, gelo e cuba libre
E na vitrola Whisky a Go Go
À meia luz o som do Johnny Rivers
Aquele tempo que você sonhou

Senti na pele a tua energia
Quando peguei de leve a tua mão
A noite inteira passa num segundo
O tempo voa mais do que a canção

Quase no fim da festa
Num beijo, então, você se rendeu
Na minha fantasia
O mundo era você e eu

Eu perguntava, do you wanna dance?
E te abraçava, do you wanna dance?
Lembrar você
Um sonho a mais não faz mal
[x2]

Eu perguntava, do you wanna dance?
E te abraçava, do you wanna dance?
Lembrar você
Um sonho a mais não faz mal

Eu perguntava, do you wanna dance?
E te abraçava, do you wanna dance?
Lembrar você
Um sonho a mais não faz mal

Lembrar você
Um sonho a mais não faz mal

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

SESSÃO SAUDADE - SILVINHA ARAÚJO

Hoje, nossa homenagem vai para a querida Silvinha Araújo.
Excelente esposa, mãe e profissional, Silvinha tinha uma simpatia que conquistava a todos, além, é claro de sua bela voz.
Para recordar essa cantora, que se foi tão cedo, apresentamos uma música gravada por ela em 1968 e intitulada Playboy.
Assim, homenageamos não só a cantora, como a nossa Jovem Guarda, que tanta saudade também deixou.
Boa recordação!

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IRMÃOS CORAGEM - CAPÍTULO 79


Roteirizado por Toni Figueira
do original de Janete Clair 

CAPÍTULO 79

PARTICIPAM DESTE CAPÍTULO:

JERÔNIMO
PADRE BENTO
RODRIGO
PEDRO BARROS
DELEGADO FALCÃO
JOÃO
BRAZ CANOEIRO
CEMA
LÁZARO
CLEMENTE

CENA 1  -  ASSOCIAÇÃO DOS GARIMPEIROS  -  INT.  -  DIA.

O relógio colonial da Associação marcava 10 para as 5. Jerônimo andava nervosamente pelo salão, vez por outra chegando á janela para observar o movimento na rua. A cidade paralisara-se com a ameaça de luta. O comércio cerrava as portas e os vendedores ambulantes procuraram refúgio nos recantos dos edifícios.


JERÔNIMO  -  Padre,  já pediu advogado para dar garantias a meu irmão?

PADRE BENTO  -  Já. Já mandei avisar o Dr. Mario. Mas, acho que você fez mal em querer forçar o João a se entregar.

JERÔNIMO  -  Eu forcei? Eu não forcei, nada!

RODRIGO  -  (saiu em defesa do amigo)  Jerônimo tinha que tomar uma atitude. Afinal de contas, ele, agora, tem responsabilidade e precisa estar do lado da lei, padre!

PADRE BENTO  -  De acôrdo! De acôrdo! Mas... vão por mim... há qualquer coisa errada hoje. Sinto no ar.

De repente o grito ecoou, parecendo encher o espaço vazio de Coroado. Quebrando o silencio que tomara conta da cidade.

HOMEM  -  (off)  Prederam Joãããããõ!

Todos correram até a porta.

CORTA PARA:

CENA 2  -  COROADO  -  PRAÇA  -  EXT.  -  DIA.

As portas se abriram como se um interruptor mágico comandasse tudo á distancia. Os sinos repicaram na igreja. Desconfiadas, as pessoas se agrupavam, aos poucos, no centro da pracinha. O homem alcançou, arfante, a sede da Associação.


HOMEM  -  Prenderam João!

Mais atrás, João Coragem seguia na frente de três homens a pé, as mãos amarradas com uma corda. Sinhana tentou abraçar o filho. Rodrigo interceptou seus movimentos, forçando-a a permanecer longe. A luta não terminara e Rodrigo sabia disso. João passou por eles e sorriu, descuidado. Não parecia dar importância á prisão.

CENA  3  -  COROADO  -  DELEGACIA  -  INT.  -  DIA.


Falcão empurrou-o brutalmente para o interior da delegacia. Olhou para o coronel, triunfante. Barros soltou uma baforada do charuto, lembrando uma locomotiva resfolegante.


PEDRO BARROS  -  Então, João!  Você cumpriu a palavra, hem? Se atrasou 5 minutos...

JOÃO  -  É... me atrasei... entrou um espinho no meu pé.

DELEGADO FALCÃO  -  Você pediu uma recepção, não pediu?

JOÃO  -  Pedi e agradeço a que fizero. Ouvi os sino, tocano alegre. Fiquei satisfeito. (virou-se para o delegado)  Braz tá bão? Já melhorou dos ferimento? Será que pode andá a cavalo?

DELEGADO FALCÃO  -  Podê, ele pode, mas eu sinto muito dizer a você que, nem você, nem ele, vão ver seus cavalos por muito tempo.

João estava bem humorado, parecendo feliz com a prisão. Rodrigo tinha razão, “a encrenca ainda não acabara...”

JOÃO  -  Cumo é? Não vai pagá presses coitado que me agarraro o prêmio oferecido?

PEDRO BARROS  -  Ah, vou! Tenho até um cheque já prontinho! (retirou um cheque do bolso e entregou a um dos homens)  Você reparte aí entre os três!

DELEGADO FALCÃO  -  Então você pensou que pudesse chegar aqui e retirar o Braz da cadeia, João! Pensou que todo mundo aqui era trouxa!

JOÃO  -  Pensei, não! Todo mundo é mesmo trouxa e eu vou tirá o Braz da cadeia! (Barros franziu a testa; Falcão respirou fundo, quando João falou)  Tou aqui pra isso, uai!

DELEGADO FALCÃO  -  No duro?

JOÃO  -  No duro!  (mostrou as mãos para os homens que o prenderam)  Chega de tapeação. Retira essa corda que tá me apertano, home.

A um só tempo os estranhos apontaram as armas para os guardas e o delegado. Com movimentos rápidos um deles desamarrou a corda que envolvia os punhos do garimpeiro.

JOÃO  -  Muito cuidado (avisou)  Não quero machucá ninguém. Se todo mundo fica quieto, a gente num faz nada.

Os companheiros desarmaram os policiais, ante os olhos arregalados do delegado.

DELEGADO FALCÃO  -  Desgraçado!

JOÃO  -  (ordenou) Se alguém der um pio, atirem!

Um dos homens chegava com Braz Canoeiro, livre.


JOÃO  -  (saudou)  Olá, amigo!

BRAZ CANOEIRO  -  Brigado, Jão.

JOÃO  -  (com energia, ordenou ao grupo)  Todo mundo pra dentro da cadeia. Vamo!

DELEGADO FALCÃO  -  Cambada de assassino!

PEDRO BARROS  -  (esbravejou)  Bandoleiros!

JOÃO  -  Um tom mais alto e eu atiro!

A porta da cela rangeu nos gonzos e a fechadura encaixou os dentes no espaço de ferro. João atirou a chave no fundo do quintal.

CENA  4  -  COROADO  -  DELEGACIA  -  EXT.  -  DIA.


Os curiosos que se aproximaram da delegacia empalideceram ao ver João, Braz e os três homens partirem a cavalo, num trote macio, pelas ruas agitadas de Coroado. Falcão e Barros gritavam, de dentro do xadrez.


PEDRO BARROS  -  (off) Palermas! Idiotas! Tirem a gente daqui!

CENA  5  -  DELEGACIA  -  INT.  -  DIA.

Os soldados, que chegavam atraídos pelo alvoroço, entraram correndo pela delegacia. Falcão apontou o local onde João havia jogado a chave das celas. O rosto de Pedro Barros tornara-se uma máscara de cêra. O ódio corroía-lhe as entranhas. Mais uma vez fôra derrotado pela astúcia e valentia do seu mais ferrenho inimigo. A humilhação, desta vez, alcançara o máximo. O coronel nem podia falar.

CORTA PARA:


CENA 6  -  CASA ABANDONADA  -  INT.  -  NOITE.


BRAZ CANOEIRO  -  (comentava, abraçando a esposa)  Pois foi um Deus-nos-acuda! Deixamo todo mundo meio doido, em Coroado, sem trocá um tiro!

CEMA  -  Conta como foi, Braz!

João relatou os detalhes da ação e o plano que cuidadosamente elaborara durante parte da noite. A coisa dera certo e ali estava Braz, no grupo. Os garimpeiros foragidos davam milho aos cavalos extenuados. João correra a tomar banho.

CORTA PARA:


CENA 7  -  FAZENDA DE PEDRO BARROS  -  CASA-GRANDE - ESCRITÓRIO  -  INT.  -  DIA.

Pedro Barros telefonara cedinho para o banco da capital.


PEDRO BARROS  -  Prendam um bandido que vai aparecer aí com um cheque de 10 milhões. É um ladrão. Um assaltante. Tomem nota do número: 0... 23... 647. É. Espero, sim.

CORTA PARA:

CENA 8  -  CASA ABANDONADA  -  SALA  -  INT.  -  DIA.

João Coragem desmontou e atirou a sacola sobre uma cadeira. A viagem durante a noite esgotara suas forças, mas valera a pena.


JOÃO  -  Tão aí. Dez pacote do Pedro Barros, pra gente.

LÁZARO  -  Como foi que tu se arranjô?

JOÃO  -  Uai... cheguei na capital cedinho, nem tinha aberto o banco. Tava tudo fechado... Num deu tempo do coronel avisá pelo telefone.

CLEMENTE  -  Viajou a noite toda!

JOÃO  -  Daí... quando o banco abriu, fui o primeiro sujeito  a entrá e recebê o dinheiro. Sem nenhum problema. Se Pedro Barros avisô, era tarde...

CORTA PARA:

CENA  9  -  FAZENDA DE PEDRO BARROS  -  CASA-GRANDE  -  ESCRITÓRIO -  INT.  -  DIA.

...e era tarde mesmo. O gerente, depois de examinar os pagamentos processados até aquela hora, informou o resultado. O cheque já fôra descontado.


PEDRO BARROS  -  Alô! Como? Mas... será possível? Quando foi isso? Agora, há pouco? Vê se encontra o sujeito pela redondeza. Isto não pode acontecer. Eu mando processá esse banco que paga meus cheques pra qualquer pessoa!

CORTA PARA:

CENA  10  -  CASA ABANDONADA  -  SALA  -  INT.  -  DIA.

BRAZ CANOEIRO  -  (roendo um osso com tutano)  Nesta altura, Falcão e Pedro Barros tão tudo indo pro hospício!

CENA 11  -  FAZENDA DE PEDRO BARROS  -  CASA-GRANDE  -  EXT.  -  DIA.

Pedro Barros reuniu os seus asseclas.


PEDRO BARROS  -  Presta atenção. Agora a gente tem que parti pra luta contra João. Luta feia. Ele vai continuá querendo me desafiar, levando os homens pra vender os diamantes fora daqui. Se isto continua, estou desmoralizado. Vocês tem que evitar isso! Entendido?

CORTA PARA:

CENA 12  -  CASA ABANDONADA  -  EXT.  -  DIA.

João tramava com seus amigos.


JOÃO  -  A gente agora tem que protegê esses home. Ajudá eles, furá a cerca... fazê eles deixá a cidade.

BRAZ CANOEIRO  -  Entendido, João. Pode deixá!

FIM DO CAPÍTULO  79
João chega á delegacia, "preso".

E NO PRÓXIMO CAPÍTULO...

*** LOURENÇO E BRANCA FAZEM PLANOS PARA O FUTURO, COM A VENDA DO DIAMANTE DE JOÃO.

*** JOÃO PREPARA UMA CILADA PARA FALCÃO E DIZ QUE VAI MATAR UM HOME PELA PRIMEIRA VEZ NA VIDA, ESPETANDO-LHE UM PUNHAL NO QUEIXO.


NÃO PERCA O CAPÍTULO 80 DE