segunda-feira, 30 de abril de 2012

SESSÃO RETRÔ - VARIEDADES - LUÍS AMÉRICO

A reportagem que reproduzimos abaixo foi publicada na revista Sétimo Céu – Série Amor de número 10, de 15 de julho de 1973.
Nossos agradecimentos à amiga Maria do Sul pela remessa do material.
Boa leitura!



SESSÃO RETRÔ - NOVELAS - ANTÔNIO MARIA - TRECHOS DE SCRIPTS - PARTE 6

Tempos atrás tivemos a oportunidade de publicar algumas páginas do livro Momentos Maravilhosos de Antônio Maria, que podem ser acessadas em: http://biscoitocafeenovela.blogspot.com/2010/07/antonio-maria.html.
Continuamos agora a apresentar os materiais desse livro.
A primeira versão da novela Antônio Maria foi apresentada pela TV Tupi, no horário das 19 h, de julho de 1968 a 30 de abril de 1969.
Para maiores informações sobre a novela, favor consultar: http://www.teledramaturgia.com.br/tele/antonio68.asp.
Boa recordação!





domingo, 29 de abril de 2012

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU - CAPÍTULO 39 - AUTOR: TONI FIGUEIRA

Novela de Antonio Figueira
Inspirada na Obra de Dias Gomes


http://youtu.be/zIuryHGvAVc

CAPÍTULO 39

Personagens deste capítulo:

HELÔ
VÍTOR
ELISA
MISS JULY
BABI
SAMUCA
RENATÃO
SUSI
OLIVEIRA RAMOS
LAURO LEMOS
VERINHA
MARCOS
MÃOZINHA DE VELUDO
MARIO MALUCO
RICARDINHO
EMILIANO
MARIETA
DR. OTO
MARISA
ENFERMEIRO 1
ENFERMEIRO 2

CENA 1  -  APARTAMENTO DE OLIVEIRA RAMOS  -  SALA  -  INT.  -  NOITE.
A FESTA NA CASA DO BANQUEIRO OLIVEIRA RAMOS FOI CONSIDERADA VERDADEIRO SUCESSO PELA CRÔNICA SOCIAL PRESENTE NAS PESSOAS DE LAURO LEMOS E BRUNO ASTUTO. AS FOFOCAS CORRIAM SOLTAS E A ANIMAÇÃO TOTAL. JÁ ERA UM POUCO TARDE QUANDO VÍTOR SEGUROU HELÔ PELA MÃO E LEVOU-A A UM LUGAR MAIS TRANQUILO, À BEIRA DA PISCINA.

VÍTOR  -  E então... está feliz?

HELÔ  -  (sorriu, os olhos brilhando) Muito! Hoje é o dia mais feliz da minha vida! Sou a mulher mais feliz do mundo. Eu te amo, Vítor.

VÍTOR  -  (falou com sinceridade) Quero te fazer muito feliz, Helô. Muito (olhou o relógio) Escute... você não acha que a gente poderia escapar de fininho? Não esqueça que temos que pegar a estrada, ainda...

HELÔ  -  Ótimo, adorei a idéia! Vai ser maravilhoso passar a nossa lua-de-mel no sítio de Teresópolis! Você não aceitou a viagem à Europa como presente de casamento do meu pai... mas isso não importa. O que eu mais quero é tá com você, não importa o lugar. Vou pro quarto me trocar... me espera?

VÍTOR  -  Sempre!

A ALGUNS METROS DALI, MARCOS, QUE NÃO TIRAVA OS OLHOS DE VERINHA, CRIOU CORAGEM E APROXIMOU-SE, RECEOSO.

MARCOS  -  Oi, Verinha...

VERINHA  -  Oi...

MARCOS  -  Fiquei a noite inteira te olhando... criando coragem pra falar com você...

VERINHA  -  (fingindo desinteresse) Ah, é? Não percebi...

MARCOS  -  Escuta, Verinha, eu tou muito arrependido! Você tá certa, eu fui egoísta e burro! Mas olha... eu queria dizer que eu te amo... Tou desempregado... recebo mesada do meu velho... Mas eu quero ter esse filho com você! Se você ainda me quiser...

A EXPRESSÃO DE VERINHA MODIFICOU-SE. FITOU-O, OS OLHOS BRILHANDO.

VERINHA  -  Jura? Você tá falando sério?

MARCOS  -  Juro. Eu te amo, Verinha. Fica comigo, vai!

ABRAÇARAM-SE E BEIJARAM-SE, APAIXONADAMENTE.

CORTA PARA:

CENA 2  -  APARTAMENTO DE OLIVEIRA RAMOS  -  QUARTO DE HELÔ  -  INT.  -  NOITE.

HELÔ ENTROU EM SEU QUARTO E ACENDEU A LUZ. SENTOU-SE À PENTEADEIRA E COMEÇOU A RETOCAR A PINTURA NO ROSTO. SÚBITO, NOTOU A IMAGEM DE UMA MULHER REFLETIDA NO ESPELHO. VOLTOU-SE ASSUSTADA.

HELÔ  -  Quem é a senhora? (súbito, levantou-se) O que está fazendo aqui?

ELISA ERA UMA ESQUIZOFRÊNICA. MAS, FORA DOS MOMENTOS DE CRISE, PARECIA UMA PESSOA NORMAL, COMO AGORA. APENAS UM BRILHO ESTRANHO NO OLHAR REVELAVA ALGUMA ANORMALIDADE. TINHA 45 ANOS, MAS APARENTAVA MAIS, OS CABELOS QUASE TOTALMENTE BRANCOS, AMARRADOS ATRÁS NUM COQUE. PARECIA-SE MUITO COM HELÔ, EMBORA OS ANOS E A DECREPITUDE PRECOCE NÃO JUSTIFICASSEM UMA SEMELHANÇA ACENTUADA.

HELÔ  -  (repetiu, recuando amedrontada) Que é que a senhora está fazendo no meu quarto?

ELISA  -  Eu vim vê-la.

HELÔ -  Mas quem é a senhora? Veio para a festa?

HELÔ ESTAVA REALMENTE INTRIGADA. A MULHER PARECIA CONHECÊ-LA, E À CASA TAMBÉM. TANTO QUE ENTROU SEM SER NOTADA E VEIO TER DIRETAMENTE NO SEU QUARTO. OS OLHOS, SÓ OS OLHOS... HELÔ SE APAVOROU E CORREU PARA A PORTA.

HELÔ  -  (gritou)  Miss July! Miss July!

ELISA  -  (implorou) Não! Não chame ninguém! Não chame, senão eles me levam de volta!

HELÔ  -  Eles quem?

ELISA  -  Os enfermeiros!

HELÔ  -  Enfermeiros?! (repetiu, mais espantada ainda) A senhora é doente?

ELISA  -  Não! Eu não tenho nada! Mas eles dizem que sou, para me prenderem lá!

ELISA OLHOU PARA A FILHA COM IMENSA TERNURA.

ELISA  -  Eu lhe vi na igreja. Como você é bonita. Tem uma pele tão linda!

ERGUEU AS MÃOS PARA ACARICIAR O ROSTO DE HELÔ, QUE RECUOU, APAVORADA.

HELÔ  -  Não chegue perto! Fique longe de mim!

ELISA  -  Fique calma, querida... Por favor, não tenha medo de mim...

HELÔ  -  (gritou novamente) Miss July! Socorro!

CORTA PARA:

CENA  3  -  APARTAMENTO DE OLIVEIRA RAMOS  -  PISCINA  -  EXT.  -  NOITE.

VERINHA, MARCOS, NELSON MOTA E BABI DANÇAVAM UM ROCK ALUCINADO.

VÍTOR  -  Vocês ouviram um grito?

OLIVEIRA RAMOS  -  Foi Helô! (e olhou súbito para Oto, o psicanalista da filha, como que pressentindo o perigo).

EM SEGUIDA, OLIVEIRA RAMOS LEVANTOU-SE E CORREU PARA O QUARTO DE HELÔ, SEGUIDO POR VÍTOR, OTO E MISS JULY. EMILIANO E MARIETA, QUE ASSISTIRAM A CENA DO PONTO EM QUE SE ENCONTRAVAM, OLHARAM-SE, INTRIGADOS.

MARIETA  -  Você viu isso? Ela soltou um grito e todos correram pra ver o que é... Eu sempre falei que essa Helô é perturbada... Coitado do Vítor... nem imagina o que o espera!

EMILIANO  -  (ponderou) Deve ter acontecido alguma coisa... ela não ia gritar assim, a troco de nada...

CORTA PARA:

CENA  4  -  APARTAMENTO DE OLIVEIRA RAMOS  -  QUARTO DE HELÔ  -  INT.  -  NOITE.

HELÔ ESTAVA ACUADA CONTRA A PAREDE E, DIANTE DELA, OLHANDO-A COM CARINHO, A MULHER.

HELÔ  -  Tirem-na daqui! Ela é louca!

O DOUTOR OTO PEGOU ELISA PELO BRAÇO E RETIROU-A PARA FORA DO QUARTO.
 
VÍTOR  -  Quem é essa mulher, Oliveira?

OLIVEIRA RAMOS  -  (titubeou) Eu... eu não sei. Não a conheço! Talvez tenha vindo com algum convidado... Não há outra explicação!

APREENSIVA, MISS JULY ENCAROU O BANQUEIRO.

MISS JULY  -  (sussurrou-lhe ao ouvido) Doutor Oliveira, não seria melhor...

OLIVEIRA RAMOS  -  (cortou, disfarçando) Isso mesmo, seria melhor todos voltarem para a sala. Podem deixar que o Dr. Oto cuida disso. Vamos, vamos…   

CORTA PARA:

CENA 5  -  APARTAMENTO DE OLIVEIRA RAMOS  -  PISCINA  -  EXT.  -  NOITE
NA PISCINA, O CLIMA ERA DE GRANDE FARRA, TIPO “DOLCE VITA”.

SAMUCA  -  (de pileque, abraçou Lauro Lemos) Você é meu amigo, cara! Sempre te considerei pra caramba...

LAURO LEMOS  -  (trôpego) Não, você é que é meu amigo, amigo do peito... Meu grande amigo!

SAMUCA  -  Irmãos! Somos irmãos!

LAURO LEMOS  -  (ergueu o copo) Então vamos brindar.. a isso! À nossa irmandade!

RENATÃO DANÇAVA COM BABI. DE REPENTE, CARREGOU-A NOS OMBROS, ELA RINDO COMO UMA LOUCA, ENQUANTO MARCOS E VERINHA SE BEIJAVAM NA BORDA DA PISCINA. SÚBITO, RENATÃO SAIU CORRENDO, DESEQUILIBROU-SE E CAIU COM BABI DENTRO D’ÁGUA. MAIS ADIANTE, SUSI ROÍA-SE  DE  CIÚMES.   ABORRECIDA,  ELA  AFASTOU -SE  PARA  O  INTERIOR DO APARTAMENTO. IA ENTRANDO, QUANDO DEU COM ELISA, SENTADA NO LIVING.

SUSI  -  Ei, quem é a senhora?

ELISA  -  (levantou o rosto, serenamente) Eu me chamo Elisa (apontou para o Dr. Oto) Foi aquele moço que mandou que eu esperasse aqui.

SUSI  -  (só então compreendeu) Mas espere... a senhora não é?...

CORTA PARA:

CENA 6  -  APARTAMENTO DE OLIVEIRA RAMOS  -  LIVING  -  INT.  -  NOITE.

ELISA CONTINUAVA SENTADA NA POLTRONA, QUANDO SUSI RETORNOU NA COMPANHIA DE VÍTOR E OLIVEIRA RAMOS.

SUSI  -  Oliveira, posso saber o que essa mulher está fazendo aqui?

VÍTOR  -  Quer dizer que a senhora... é... D. Elisa, a mãe de Helô?

ELISA  -  Sou, sim. Helô é minha filha. O senhor não sabia? Não lhe disseram?

VÍTOR  -  Não.

OLIVEIRA BAIXOU A CABEÇA, ARRASADO.

ELISA  -  (dirigiu-se a Vítor)  Mas não foi você que se casou com ela? Eu o vi na igreja. Estava muito bonito!

VÍTOR  -  (encarou o sogro, fixamente) Não há como resistir mais, Oliveira. É melhor contar a verdade.

OLIVEIRA RAMOS  -  (vencido)  Está bem... é verdade. Esta é Elisa, a mãe de Helô. Ela é esquizofrênica e vive numa Casa de Saúde. Só lhe peço uma coisa, meu genro: não revele a Helô, pelo menos agora. Isso seria um choque para ela, uma desilusão enorme...

EM VOLTA DA PISCINA, A FESTA CONTINUAVA. ESTAVA NO AUGE. TODO MUNDO MEIO ALTO, COM EXCEÇÃO DE MARIETA E EMILIANO.

CORTA PARA:

CENA 7  -  APARTAMENTO DE OLIVEIRA RAMOS  -  ESCRITÓRIO  -  INT.  -  NOITE.

O BANQUEIRO ENTROU NO ESCRITÓRIO, PEGOU O TELEFONE E DISCOU, NERVOSAMENTE.

OLIVEIRA RAMOS  -  Alô? É da Casa de Saúde? Aqui é Oliveira Ramos. Estou ligando para informar que Elisa foi encontrada. Ela está aqui, na minha casa. Hoje é o casamento da minha filha...  ela apareceu de repente e está importunando, constrangendo meus convidados! Por favor, mandem enfermeiros e uma ambulância com urgência. Exijo que tirem essa louca da minha casa imediatamente!

CORTA PARA:

CENA 8  -  APARTAMENTO DE OLIVEIRA RAMOS  -  PISCINA  -  EXT.  -  NOITE.

RODOLFO AUGUSTO APANHOU UMA BEBIDA E CAMINHAVA EM TORNO DA PISCINA, QUANDO FOI EMPURRADO POR RENATÃO. DEBATEU-SE, CÔMICAMENTE E FOI SOCORRIDO POR SAMUCA, QUE, NA TENTATIVA DE PUXÁ-LO, CAIU DE CABEÇA NA ÁGUA. AJUDADO PELO GARÇOM, RODOLFO AUGUSTO CONSEGUIU SAIR, A PONTO DE TER UM CHILIQUE.
 
RODOLFO AUGUSTO  -  Seus... seus mal-educados! Bêbados! Selvagens! Brutos!  E  agora, o  que eu faço?!  Meu  cabelo!  Minha roupa!... Meu sapato italiano! Ai, não acredito que isso tá acontecendo! Ai, me segura que eu vou ter um troço! (e simulou um desmaio nos braços de um garçom alto e musculoso que passava ali naquele momento).

EM SEGUIDA A ENTRADA DOS DOIS ENFERMEIROS DA CASA DE SAÚDE ATRAIU A ATENÇÃO DO TODOS OS CONVIDADOS, QUE PARARAM PARA ASSISTIR À CENA: OLIVEIRA RAMOS APROXIMOU-SE E, DISCRETAMENTE, MOSTROU A POLTRONA ONDE ELISA ESTAVA SENTADA. OS HOMENS DE BRANCO ACERCARAM-SE DELA, SEGURANDO-LHE OS BRAÇOS.

ENFERMEIRO 1  -  Vamos, Dona Elisa. Temos que voltar pra Casa de Saúde.

ELISA  -  Eu quero ficar, moço! Quero ficar com minha filha! Ela mora aqui! Quero ficar com ela! Larga meu braço, moço!

ENFERMEIRO 2  -  Vamos, seja boazinha.

ELISA  -  Me larga, moço...

ELISA FOI LEVADA POR ELES SOB PROTESTOS.  ENCAMINHARAM-SE PARA A PORTA, ABRINDO PASSAGEM POR ENTRE OS CONVIDADOS.

CORTA PARA:

CENA  9  -  APARTAMENTO DE JUREMA  -  SALA  -  INT.  -  NOITE.

RICARDINHO PREPARAVA UM SANDUÍCHE NA COZINHA, QUANDO MARIO MALUCO CHEGOU, EM COMPANHIA DE MÃOZINHA DE VELUDO.

MARIO MALUCO  -  Meu camarada, quero que tu conheça o Mãozinha de Veludo. Já te falei dele, tá lembrado?

RICARDINHO ENCAROU MÃOZINHA DE VELUDO COM FRIEZA.

RICARDINHO  -  Qual é, Mario... por que tu trouxe esse cara aqui, velho?

MARIO MALUCO  -  Que é isso, mano! O Mãozinha é um cara de responsa! Tem um esquema maneiríssimo pra gente faturar uma grana mole, mole! Fala aí pra ele, Mãozinha!

MÃOZINHA  -  O negócio é o seguinte, meu irmão...

MÃOZINHA DE VELUDO COMEÇOU A EXPLICAR O ESQUEMA. RICARDINHO NEM O DEIXOU CONCLUIR.

RICARDINHO  -  É o seguinte, meu velho: cai fora daqui! Tou fora! Tu acha que eu sou otário de entrar numa furada dessas? Pô, Mario, tu tá vacilando, trazendo esse sujeito aqui!

MÃOZINHA   -  (na defensiva) Pega leve, cara!

RICARDINHO  -  Pega leve o cacete! Vai, vai, vai! (e empurrou os dois para fora do apartamento).

MARIO MALUCO  -  Calma aí, velho, não precisa empurrar…!

RICARDINHO BATEU A PORTA NA CARA DOS DOIS E VOLTOU PARA O SEU SANDUÍCHE.

CORTA PARA:

CENA  10  -  DELEGACIA  -  SALA DO DELEGADO FONTOURA  -  INT.  -  DIA.
O RELÓGIO MARCAVA 11H30M QUANDO O DELEGADO COMEÇOU A DESPACHAR. EXAMINAVA O LIVRO DE OCORRÊNCIAS DA NOITE ANTERIOR.

DETETIVE JONAS  -  Aconteceu um troço meio chato... uns garotos puxaram um carro. Uma viatura os perseguiu e encontrou o carro abandonado numa rua. Eles tinham se mandado. Mas um deles esqueceu a carteira de estudante.

FONTOURA NOTOU QUE JONAS ESTAVA RETICENTE, TITUBEANDO.

DELEGADO FONTOURA  -  (com certo receio no coração) Estudante?

O DETETIVE TIROU A CARTEIRA DO BOLSO E ESTENDEU-A NA DIREÇÃO DO DELEGADO.

DETETIVE JONAS   -  O senhor desculpe. Sei que vai se chatear muito...

DELEGADO FONTOURA  -  (apanhou a carteira, abriu-a e leu) Mario Fontoura... É do meu filho! (controlou-se um pouco, pigarreou) Então, um dos rapazes era ele...

DETETIVE JONAS  -  Não se pode afirmar de maneira absoluta. Mas tudo indica que sim.

DELEGADO FONTOURA  -  Como não se pode afirmar? Está na cara que foi ele!

DETETIVE JONAS  -  Bem, ele pode ter perdido a carteira, o dono do carro pode ter achado... Ou ele pode ser amigo do proprietário do automóvel, ter andado nele e deixado cair a carteira.

DELEGADO FONTOURA  -  Detetive Jonas, você não precisa puxar tanto pela imaginação. Está claro que o patife do meu filho está metido nisso. E mais: nessa história, ele não é meu filho! Deve ser tratado como um delinquente qualquer. Ponha todos os seus homens atrás dele. Quero ele aqui, preso. Ou melhor (frisou, com os olhos esbugalhados de ódio) minhas ordens são para capturar os dois malandros (e lembrando-se de alguma coisa) Comece pelo Solar do Catete!

DETETIVE JONAS  -  O senhor que manda, doutor!

CORTA PARA:
 
CENA  11  -  APARTAMENTO DO DELEGADO FONTOURA  -  INT.  -  NOITE.

AO VOLTAR PARA CASA NESSA NOITE, FONTOURA SURPREENDEU ADELAIDE FALANDO AO TELEFONE COM MARIO.

ADELAIDE  -  Filho, quando você volta para casa?

FONTOURA  -  (acercando-se da mulher) É ele? Pergunte onde ele está.

ADELAIDE  -  Meu filho, onde você está? Ah, no apartamento de Jurema. Verinha já esteve aí, com você? Sei... sei.

FONTOURA MEDITOU UM INSTANTE, COMO QUE CONCATENANDO AS IDÉIAS.

 FONTOURA  -  Jurema... então foi Ricardinho o parceiro dele no roubo do automóvel (e virando-se para Adelaide) Eu nem queria lhe dizer. Seu filho está envolvido num roubo de automóvel.

ADELAIDE  -  (chocada) Não acredito! Eu conheço meu filho! Ele não faria isso!

FONTOURA  -  Você pensa que conhece, como eu também pensava (afivelou o cinturão com o revólver e em seguida, vestiu o paletó) De repente, você vê que ele não é nada do que você imaginava. Nada daquilo que você queria que ele fosse.

ADELAIDE  -  (notou o cinturão e perguntou, aflita) Você vai sair?

FONTOURA  -  Vou prendê-lo.


FIM DO CAPÍTULO 39

Jurema (Arlete Salles)

e no próximo capítulo...

*** Vítor e Helô estão em lua-de-mel, em Teresópolis, na maior paixão!

*** D. Consuelo faz a Samuca uma proposta irrecusável: sabendo-se com os dias contados, pede-o em casamento!

NÃO PERCA O CAPÍTULO 40 DE

PARA MEDITAR

“A primeira lei da natureza é a tolerância - já que temos todos uma porção de erros e fraquezas.” (VOLTAIRE)

SESSÃO BISCOITINHOS - PAPAI URSO

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sábado, 28 de abril de 2012

PARA MEDITAR - COLABORAÇÃO: ÉRICA ASSAGRA

O LÁPIS

Um menino observava seu avô escrevendo em um caderno, e perguntou:
- Vovô, você está escrevendo algo sobre mim? O avô sorriu, e disse ao netinho:
- Sim, estou escrevendo algo sobre você. Entretanto, mais importante do que as palavras que estou escrevendo, é este lápis que estou usando. Espero que você seja como ele, quando crescer.
O menino olhou para o lápis, e não vendo nada de especial, intrigado, comentou:
- Mas este lápis é igual a todos os que já vi. O que ele tem de tão especial?
- Bem, depende do modo como você olha. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir vivê-las, será uma pessoa de bem e em paz com o mundo – respondeu o avô.
- Primeira qualidade: Assim como o lápis, você pode fazer coisas grandiosas, mas nunca se esqueça que existe uma “mão” que guia os seus passos, e que sem ela o lápis não tem qualquer utilidade: a mão de Deus.
- Segunda qualidade: Assim como o lápis, de vez em quando você vai ter que parar o que está escrevendo, e usar um “apontador”. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas ao final, ele se torna mais afiado. Portanto, saiba suportar as adversidades da vida, porque elas farão de você uma pessoa mais forte e melhor.
- Terceira qualidade: Assim como o lápis, permita que se apague o que está errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos trazer de volta ao caminho certo.
- Quarta qualidade: Assim como no lápis, o que realmente importa não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro dele. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você. O seu caráter será sempre mais importante que a sua aparência.
- Finalmente, a quinta qualidade do lápis: Ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida deixará traços e marcas nas vidas das pessoas, portanto, procure ser consciente de cada ação, deixe um legado, e marque positivamente a vida das pessoas.

SESSÃO FOTONOVELA - A GRANDE REVELAÇÃO

A fotonovela que reproduzimos abaixo foi publicada na revista Sétimo Céu – Série Amor de número 10, de 15 de julho de 1973.
Nossos agradecimentos à amiga Maria do Sul pela remessa do material.
Boa leitura!


















sexta-feira, 27 de abril de 2012

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU - CAPÍTULO 38 - AUTOR: TONI FIGUEIRA

Novela de Antonio Figueira
Inspirada na Obra de Dias Gomes


http://youtu.be/zIuryHGvAVc

CAPÍTULO 38

Personagens deste capítulo:

SAMUCA
MARISA
CABO JORGE
DETETIVE JONAS
DELEGADO NOGUEIRA
VÍTOR
HELÔ
OLIVEIRA RAMOS
MISS JULY
RENATÃO
JOANINHA
TIA COLÓ
CARLINHA
KONSTANTÓPULUS
VERINHA
RODOLFO AUGUSTO
DANUSA
BABI
MARCOS
MÉDICO

CENA 1  -  APARTAMENTO DE MARISA  -  EXT  -  NOITE

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior.

RENATÃO SAIU DO PRÉDIO E FOI AO ENCONTRO DA POLÍCIA, QUE ACABAVA DE CHEGAR.

RENATÃO  -  (dirigindo-se a um dos policiais, que saltava do carro)  Por acaso estão procurando a louca de pedra e bêbada que atira garrafas pela janela? É ali... (apontou para a janela do apartamento de Marisa) eu ia passando, quase levei com uma garrafa na cabeça! Um cidadão não tem mais segurança em Ipanema!

OS POLICIAS ENTRARAM NO PRÉDIO. RENATÃO SE AFASTOU, COM UM AR DE VITÓRIA ESTAMPADO NO ROSTO.

CORTA PARA:

CENA 2  -  APARTAMENTO DE OLIVEIRA RAMOS  -  SALA  -  INT.  -  NOITE.

NA SALA, O TELEFONE TOCOU E MISS JULY ATENDEU. ERA PARA OLIVEIRA, QUE ESTAVA ACABANDO DE CHEGAR, JUNTO COM SUSI.

MISS JULY  -  (disse gravemente) É da Casa de Saúde...

OLIVEIRA RAMOS  -  (estremeceu) Da Casa de Saúde?! (fez uma pausa e dirigiu-se a Susi) Meu amor, vá indo para o quarto e me espere. Vou em seguida...

SUSI DIRIGIU-SE PARA O QUARTO. OLIVEIRA VOLTOU AO TELEFONE.

OLIVEIRA RAMOS  -  Alô? É ele que está falando. Como? Fugiu? Como é possível?!

A GOVERNANTA ESCUTAVA, ATENTAMENTE, PROCURANDO ADIVINHAR O QUE A OUTRA PESSOA FALAVA, DO OUTRO LADO DA LINHA.

OLIVEIRA RAMOS  -  Me escute: se ela fugiu, não deve ir longe. Tratem de achá-la! Foi esta tarde? E só agora... Não, aqui ela não veio! Bem, qualquer notícia, liguem pra cá... ou melhor, não. Isso é perigoso. Eu me comunico com vocês. Boa noite.

OLIVEIRA DESLIGOU. VOLTOU-SE PARA A GOVERNANTA.

OLIVEIRA RAMOS  -  Sim, Miss July, era ela. Fugiu esta tarde. Desapareceu. Ninguém a encontra. E isso acontece na antevéspera do casamento de Helô!

MISS JULY  -  Meu Deus, que horror! E agora, o que o senhor vai fazer?

O BANQUEIRO OLHOU PARA A PORTA QUE DAVA PARA OS APOSENTOS E FALOU EM VOZ BAIXA:

OLIVEIRA RAMOS  -  Ainda não sei. É preciso que Helô não perceba nada! Esse idiota não devia ter telefonado para cá! Há sempre o perigo dela estar escutando na extensão...

ENQUANTO FALAVA, ELE FOI SE DIRIGINDO PARA O CORREDOR E ENTROU NO SEU QUARTO.

CENA  3  -  APARTAMENTO DE OLIVEIRA RAMOS  -  QUARTO DE OLIVEIRA  -  INT.  -  NOITE.

SUSI JÁ ESTAVA DEITADA. OLIVEIRA COMEÇOU A DESPIR-SE, QUANDO ELA SENTOU NA CAMA.

SUSI  -  Quem é essa mulher que fugiu da Casa de Saúde?

OLIVEIRA RAMOS  -  Ninguém. Quer dizer... uma pobre coitada que eu ajudo, sempre que posso.

SUSI FITOU-O, DESCONFIADA, E VOLTOU A DEITAR-SE, COM OS OLHOS MUITO ABERTOS.

CORTA PARA:

CENA 4  -  DELEGACIA  -  CELA DE MARISA  -  INT.  -  DIA.

MARISA SOMENTE VOLTOU A SI NO DIA SEGUINTE. CONTINUAVA DEITADA, MAS O AMBIENTE AGORA ERA OUTRO. BEM DIFERENTE DO SEU APARTAMENTO. DUAS MULHERES MALTRAPILHAS ESTAVAM AO SEU LADO, PORÉM DEITADAS NO CHÃO. ELA ABRIU OS OLHOS DEVAGAR, TENTOU   ERGUER-SE,   MAS   NÃO   CONSEGUIU.  A  CABEÇA ESTAVA, COMO SE TIVESSE LEVADO UMA SURRA, OU UMA CACETADA. DEPOIS DE ALGUMAS TENTATIVAS, PÔS-SE DE PÉ E FOI ATÉ A GRADE. VIU O GUARDA.

MARISA  -  Não estou entendendo. Que é isso aqui? (gritou para o policial, postado do lado de fora, no corredor) Ei, você aí, que é isso aqui?

POLICIAL  -  (sorriu, irônico)  É o Copacabana Palace, não tá vendo? Espere mais um pouco, que o serviço de quarto já tá chegando!

MARISA ARREPIOU-SE.

MARISA  -  Escute... é uma cadeia?! (e estupefata, como se estivesse vendo um fantasma) Estou presa?!

POLICIAL  -  (continuava gozando) Puxa, tu adivinha as coisas, hem? Adivinhona!...

MARISA  -  (ainda zonza, procurou concatenar as idéias) O que aconteceu comigo? Como vim parar aqui?!

UMA DAS MULHERES, DEITADA NO CHÃO, LEVANTOU A CABEÇA, IRRITADA.

PRESIDIÁRIA  -  Ô perua, sossega o facho e cala essa boca! 

MARISA  -  (reagiu com altivez) Quem é a senhora para me dar ordens? Não me dirija a palavra, pois não sou da sua laia! (olhou em volta, horrorizada) Que lugar horroroso!

A OUTRA FEZ UM RUÍDO INSULTUOSO COM A BOCA. O GUARDA TORNOU A RIR. MARISA BATEU COM OS PUNHOS NA GRADE.

MARISA  -  Guarda! Abra isso aqui... eu preciso sair... quero falar com meu advogado!

CORTA PARA:

CENA  5  -  APARTAMENTO DE RENATÃO  -  SALA  -  INT.  -  DIA.

RENATÃO RELEU A MANCHETE DA “FOLHA DO RIO” E DEU OUTRA GOSTOSA GARGALHADA.

RENATÃO  -  Vê aí, Samuca. “Milionária embriagada depreda apartamento e vai presa”. Não é uma gracinha? Olha só o retrato dela, entre dois policiais!

SAMUCA  -  (tomou o jornal das mãos do amigo) Caramba, Renatão... Mas esta é a sua mulher!

RENATÃO  -  Minha mulher, não! Mulher do armador sueco Erick Heden. Eu fui o primeiro da lista.

SAMUCA  -  (continuava espantado, lendo a notícia) Ela tomou um porre e foi em cana!

RENATÃO  -  (completou) Foi em cana e perdeu a guerra!

CARLINHA ENTROU CORRENDO NA SALA.

CARLINHA  -  Bom dia, papaizinho!

RENATÃO  -  Estamos salvos, querida! O inimigo caiu prisioneiro! 

RENATÃO CARREGOU A FILHA NOS BRAÇOS E COMEÇOU A DANÇAR COM ELA, IMITANDO TOQUES DE CORNETA. TIA COLÓ E KONSTANTÓPULUS SURGIRAM NA PORTA, CURIOSOS. RENATÃO SEGUROU TIA COLÓ PELAS MÃOS E A OBRIGOU A RODAR COM ELE.

RENATÃO  -  Vitória, tia Coló! Vitória! O inimigo vai ser obrigado a depor as armas!

SAMUCA  -  (que só então percebeu o golpe) Saquei! Genial! Genial, Renatão!

RENATÃO  -  Pois é, velho. O inimigo está desmoralizado, perdido, arrasado (e gritou para o mordomo) Konstan! Traga o canhão, vamos comemorar!

KONSTANTÓPULUS FOI ATÉ O QUARTO E VOLTOU TRAZENDO A ESPINGARDA, QUE ENTREGOU NAS MÃOS DO PATRÃO. ESTE DIRIGIU-SE PARA A JANELA E APONTOU PARA FORA. TIA COLÓ TAPOU OS OUVIDOS, APAVORADA.

TIA COLÓ  -  Meu Deus, que é isso! Você perdeu o juízo, Natinho?

RENATÃO  -  Atenção, pelotão! Fogo!

O BARULHO DOS TIROS MISTURAVA-SE AO SOM DAS BUZINAS DOS CARROS LÁ EMBAIXO, NUM PEQUENO ENGARRAFAMENTO NA VIEIRA SOUTO.

CORTA PARA:

CENA  6  -  DELEGACIA  -  CELA DE MARISA  -  INT.  -  DIA.

MARISA TIROU UM PÉ DE SAPATO E BATEU COM ELE NAS GRADES, PARA CHAMAR A ATENÇÃO DO GUARDA, LÁ FORA.

MARISA  -  Abra aqui! Abra, senão vocês vão se arrepender! Abra! Eu quero sair!
 
O GUARDA NÃO SE MOVEU, E ELA ATIROU O SAPATO NELE.

MARISA  -  Ficou surdo? Eu exijo que me tirem daqui ou vão pagar muito caro por essa ofensa! O senhor sabe quem eu sou, por acaso?

POLICIAL  -  Ô perua barraqueira, fica quieta ou vai pra cela do castigo, sem direito nem à luz do dia! Tá pensando que isso aqui é o seu muquifo?

MARISA  -  (indignada) Perua barraqueira? Meu muquifo?! Mas o que é isso... Só pode ser pegadinha! Onde estão as câmeras? Onde? Nunca fui tão afrontada!

AS PRESAS E O GUARDA CAÍRAM NA GARGALHADA.
    
CORTA PARA:

CENA 7  -  DELEGACIA  -  SALA DO DELEGADO FONTOURA  -  INT.  -  DIA.

DELEGADO FONTOURA  -  Mas o que é isso? Que gritaria é essa?

DETETIVE JONAS  -  É a tal da Marisa Heden, fazendo o maior escândalo na cela!

SÚBITO,  RODOLFO AUGUSTO ENTROU NA SALA.

RODOLFO AUGUSTO  -  Bom dia, seu delegado! Desculpe ir entrando  assim,  mas é que acabei de ler uma notícia espantosa no jornal: prenderam minha irmã, Marisa Heden! (elevou a voz) Sabe, doutor Fontoura, ela é uma moça muito distinta, mulher de um milionário sueco. Não terá sido um equívoco, um terrível engano?

O DELEGADO FONTOURA E O DETETIVE JONAS OLHARAM-SE, PARECENDO SE DIVERTIR COM OS TREJEITOS DO COSTUREIRO.

DELEGADO FONTOURA  -  Jonas, diga ao cabo Jorge que traga a mulher.

JONAS SAIU.

DELEGADO FONTOURA  -  Seu Rodolfo Augusto, como vai sua fantasia? Pronto pra desfilar no Municipal?

RODOLFO AUGUSTO  -  Ah, estão muito bem. Felizmente, consegui terminar a do Sírio Libanês: Sonho de um Beduíno!

DELEGADO FONTOURA  -  O Beduíno é o senhor...

RODOLFO AUGUSTO  -  Evidente!

MARISA SURGIU NO UMBRAL DA PORTA. ESTAVA NERVOSA E EXTERIORIZAVA TODA A SUA INDIGNAÇÃO.

MARISA  -  Nunca fui tão ultrajada, tão humilhada em toda a minha vida!

RODOLFO AUGUSTO  -  Mana! (correu para ela e abraçou-a, delicadamente) Li no jornal, que coisa horrível fizeram com você!

DELEGADO FONTOURA  -  Mas é a senhora? Acho que já nos conhecemos, não?

MARISA  -  É claro que nos conhecemos! (deu um passo à frente, diante da expressão maliciosa do delegado) O que os seus policias fizeram comigo é revoltante, indesculpável!

RODOLFO AUGUSTO  -  (revirando os olhos) Inominável, mana! Inominável!

O DELEGADO CONSULTOU O LIVRO DE OCORRÊNCIAS.

DELEGADO FONTOURA  -  D. Marisa, a senhora é acusada de ter depredado seu apartamento em estado de embriaguez, de ter ameaçado a vida dos transeuntes da Rua Montenegro atirando garrafas da janela, de ter atentado contra a moral dizendo palavrões e de ter infringido a Lei do Silêncio, além de desacato à autoridade, resistindo à prisão.

ENQUANTO O DELEGADO LIA O RELATO ESCRITO NO LIVRO, MARISA BALANÇAVA A CABEÇA, DISCORDANDO.

MARISA  -  Eu não me lembro de ter feito nada disso. (e lembrando-se de algo) Ei, espere aí, e a pessoa que estava comigo?

DELEGADO FONTOURA  -  A senhora estava sozinha quando foi presa.

MARISA  -  Patife! Ele se mandou! Bem, se o senhor pode me por em liberdade pagando fiança, eu pago!

DELEGADO FONTOURA  -  (sacudiu a cabeça) Não vou cobrar fiança nenhuma. A senhora pode ir embora. Mas, da próxima vez, modere-se. Porque não há juiz que vá entregar a guarda de uma criança a uma alcoólatra!

MARISA ENTENDEU. HAVIA PERCEBIDO O GOLPE DESFECHADO POR RENATÃO.

MARISA  -  (fitou o irmão, aflita) Foi ele, Rodolfo Augusto... o Renatão! Aquele canalha! Estou perdida!

RODOLFO AUGUSTO  -  (fez um muxoxo) Ai, maninha, como pôde cair num golpe desses?

CORTA PARA:

CENA  8  -  BANCO OLIVEIRA RAMOS  -  SALA DE OLIVEIRA  -  INT.  -  DIA.

D. VIRGÍNIA  -  (pelo interfone)  Doutor Oliveira, a sua ligação para a Casa de Saúde Dr. Leivas, na linha 2.

OLIVEIRA RAMOS  -  Obrigado, D. Virgínia. (tirou o fone do gancho) Alô! Aqui é Oliveira Ramos. E  então,  ela  já foi localizada? Não? Nenhuma notícia? (franziu o cenho, preocupado) Entendi... certo. Por favor, qualquer novidade, qualquer pista dela, me liguem com urgência. Vou ficar aguardando. Obrigado.

O BANQUEIRO SACUDIU A CABEÇA, NERVOSO.

OLIVEIRA RAMOS  -  Onde se meteu aquela maluca? Caramba, só me faltava essa agora!

CORTA PARA:

CENA  9  -  HOSPITAL  -  SALA DE ESPERA  -  INT.  -  DIA.

SAMUCA ESTAVA SENTADO, LENDO UMA REVISTA, QUANDO O MÉDICO SURGIU NA SALA.

SAMUCA   -  (levantou-se e foi ao seu encontro) E então, doutor? Como ela está?

MÉDICO  -  O estado de D. Consuelo continua muito grave, meu rapaz. Ela está dormindo á base de sedativos. Só nos resta esperar... Reze, rapaz. Reze bastante.

JOANINHA ENTROU NA SALA. AVISTOU SAMUCA E FOI AO SEU ENCONTRO, PISANDO FIRME.

JOANINHA  -  Você não faz mais nada na vida além de servir de babá pra essa velhota?

SAMUCA  -  Fale baixo, Joaninha, isso aqui é um hospital!

JOANINHA  -  Olha aqui, Samuca, eu já tou ficando cheia desta situação! Você não tem mais tempo pra mim! Não me procura mais, tá sempre ao lado dessa velha caquética!

SAMUCA  -  Pare com isso, Joana! Ela está nas últimas! Tenha um pouco de compaixão com a coitada!

JOANINHA  -  (fez uma pausa) É mesmo? É tão grave, assim?

SAMUCA  -  Gravíssimo! Tá no morre, não morre!

CORTA PARA:

CENA 10  -  APARTAMENTO DE EMILIANO  -  SALA  -  INT.  -  NOITE

EMILIANO ENCHEU AS TAÇAS DE CHAMPANHA E ENTREGOU-AS A VÍTOR E MARIETA, QUE RECUSOU, MUITO SÉRIA.

MARIETA  -  Obrigada, eu não bebo! Além disso, não tenho nada para comemorar!

EMILIANO  -  Que é isso, mulher! Amanhã é o dia do casamento do Vítor! Isso não é motivo pra comemoração?

VÍTOR  -  (fitou a mulher, carinhosamente) Por favor, D. Marieta... eu queria dizer que sou muito grato a vocês por tudo o que fizeram por mim. Considero vocês minha família aqui no Rio.  Ficarei muito feliz, não só por esse brinde, mas se puder contar com a bênção de vocês amanhã, na igreja, e na recepção na casa do Dr. Oliveira...

MARIETA  -  Na casa dela?

EMILIANO  -  Marieta...

VÍTOR  -  (quase súplice) Por mim. Posso... contar com sua presença e do seu Emiliano?

VENCIDA, MARIETA PEGOU A TAÇA E TODOS ERGUERAM AS MÃOS, BRINDANDO.

EMILIANO  -  Aos noivos! Que você seja muito feliz, Vítor!

VÍTOR  -  Muito obrigado, meus amigos queridos!

CORTA PARA:

CENA  10  -  IGREJA DE SÃO JOSÉ  -  INT.  -  DIA.

NO DIA SEGUINTE, HELÔ ENTROU NA IGREJA, BELÍSSIMA, NUM VESTIDO BRANCO EM ORGANZA BRILHANTE,  DE   BRAÇOS   DADOS   COM O PAI, OLIVEIRA RAMOS, QUE CONDUZIU-A AO ALTAR, ORGULHOSO, ONDE VÍTOR A AGUARDAVA. DEU - LHE O BRAÇO E CONDUZIU-A, EMOCIONADO, À PRESENÇA DE D. ELISEU, QUE OFICIOU A CERIMÔNIA. ESTAVAM PRESENTES DANUSA, MARISA, VERINHA, BABI, RENATÃO, SAMUCA, MARCOS E MISS JULY, ENTRE DEZENAS DE CONVIDADOS AMIGOS DE HELÔ E DO BANQUEIRO.

QUANDO TODOS SE RETIRAVAM DA IGREJA, APENAS UMA MULHER ESTRANHA FOI NOTADA, SEGUINDO A NOIVA COM UM OLHAR DE TERNURA.

 MULHER  -  (limpou uma lágrima) Meu Deus, como é linda!...


FIM DO CAPÍTULO  38
 Vítor e Helô

e no próximo capítulo...

*** A comemoração do casamento de Vítor e Helô no apartamento de Oliveira Ramos, onde convidados são atirados na piscina e é feita uma importante revelação!

NÃO PERCA O CAPÍTULO 39 DE