quinta-feira, 31 de maio de 2012

SESSÃO LEITURA - SUCO DE COUVE E RAÇÃO HUMANA - WALCYR CARRASCO

A crônica Suco de Couve e Ração Humana é da autoria de Walcyr Carrasco.
Para maiores informações sobre o autor, favor consultar: www.walcyrcarrasco.com.br/biografia.asp.
Boa leitura!

SUCO DE COUVE E RAÇÃO HUMANA

Quando observo minhas imagens aos 20 anos, sinto ondas de fúria. Que tenebroso processo metabólico ocorreu para transformar aquele rapazinho magro em alguém com tanta vocação para engordar? Emagreci bastante há uns dois anos. Desde então, cometo loucuras para não engordar novamente. Alguns quilinhos ganhei, não nego. Se me distraio, os tais quilinhos se multiplicam espantosamente. Impossível perdê-los mesmo que eu percorra na esteira, diariamente, a distância do Oiapoque ao Chuí. Recentemente, um amigo inquiriu:
- Como faz para manter a forma?
- Simples, eu me transformei em uma experiência química!
A palavra química não se refere somente aos inúmeros complementos que absorvo diariamente, de comprimidos de clorofila a própolis em drágeas. Mas às combinações nas quais mergulho, que estabelecem uma química dentro do organismo. Ultimamente eu me dedico ao suco de couve e à ração humana. A receita do suco é simples: bato duas folhas de couve no liquidificador. Engulo aquela coisa verde. E penso, como se fosse um castigo: “Quem mandou engordar? Agora sofra!” Em seguida, tomo leite misturado com duas colheres de ração humana. Trata-se de uma mistura de cereais que, segundo se diz, oferece todos os compostos nutritivos necessários. Tem gosto de serragem. Está na moda. Todo dia conheço algum novo adepto da ração. Ou da couve. A mãe de um amigo garante ter perdido 20 quilos empanturrando-se com a dita cuja. Um primo resolveu todos os seus problemas intestinais com o suco. E por aí vai. Há quem diga que é delicioso. Sempre gosto de frisar:
- Se suco de couve fosse tão bom, seria oferecido em rodízio. E alguém troca uma picanha no espeto pela ração?
Faço também o regime do tipo sanguíneo. Segundo a teoria, cada tipo de sangue exige ou rejeita certos alimentos. Sou O positivo. Poderia emagrecer a cada garfada se conseguisse decorar a tabela do que devo ou não comer. Meus neurônios fervilham quando ergo um cardápio na mão. Só lembro que polvo é proibido. Ah, vida, justamente polvo, que eu adoro! Abro uma exceção.
Os gordos ou propensos a acumular banhas têm uma vantagem sobre os magros. Na árdua batalha dos regimes, ganham mais condição de conhecer a alma humana. Adquirem sabedoria. Meu melhor amigo, capaz de dar a vida por mim ou de no mínimo emprestar uma grana sem juros, não resiste a comentar quando me vê:
- O paletó está fechando?
O mesmo que condena meus 4 quilos extras como um juiz em um tribunal, insiste em me oferecer um doce quando vou visitá-lo. Ou um vinho. Algo que, enfim, engorde.
- Ah, desculpe, não devo, estou de regime.
- Imagine, só hoje!
Ai de mim! Não é preciso insistir muito!
Um outro amigo me trouxe ração humana feita no Pará por sua mãe, só com produtos da terra.
- É a melhor que existe, aqui em São Paulo você não encontra!
Para acompanhar o presente, uma caixinha de bombons.
- São de cupuaçu, você vai gostar...
Agradeço com uma careta. Se quer me ajudar a emagrecer, por que os bombons? Ah, traidor!
Vou jantar fora com uma amiga. Digo não à sobremesa. Ela sorri, elogia a minha força de vontade e escolhe meu doce predileto. Pisca, cúmplice:
- Garçom, traz duas colheres?
E lá vou eu!
Para quem vive em regime perpétuo, não basta evitar frituras, massa e açúcar. Mas sim enfrentar um complô que visa a engordá-lo. E o pior: na primeira chance, todo mundo comentará cada centímetro na barriga! Em relação a regime, a Solidariedade é Zero!

Fonte: http://renataexobesa.blogspot.com.br/2010/08/cronica-suco-de-couve-e-racao-humana.html

SESSÃO ABERTURA DE NOVELA - ESCRAVA ISAURA


A novela Escrava Isaura foi apresentada pela Rede Globo, no horário das 18 h, de 11 de outubro de 1976 a 5 de fevereiro de 1977.
Para maiores informações sobre a novela, favor consultar: www.teledramaturgia.com.br/tele/escrava76.asp.
O tema de abertura era uma versão da música Retirantes, cantada no idioma iorubá (falado na África). Essa versão não aparece no compacto da trilha sonora da novela. Assim, não há indicação de quem seja o intérprete. É provável que seja a Orquestra Som Livre, que era responsável por alguns temas musicais das novelas da Rede Globo na década de 70.
Boa diversão!

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quarta-feira, 30 de maio de 2012

SESSÃO SAUDADE - ZEZÉ MACEDO

A Sessão Saudade de hoje homenageia a comediante Zezé Macedo, a grande estrela do cinema e da TV.
Zezé Macedo nunca foi um rostinho bonito a mais telinha ou na telona, mas soube usar como ninguém seus atributos físicos para fazer humor. Era tão talentosa que chegou a ser comparada a um Chaplin de saias.
Começou nas chanchadas da Atlântida, destacando-se em filmes como O Homem do Sputnik, em que contracenou com o inesquecível Oscarito. Participou também de muitas comédias da chamada pornochanchada, a partir dos anos 70.
Na televisão, destacou-se no trabalho com Chico Anísio com personagens como a Biscoito, a noiva do Tavares, e Dona Bela, personagem da Escolinha do Professor Raimundo.
Para saber mais sobre a artista, favor consultar: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/zeze-macedo/.
Com o objetivo de homenageá-la, reproduzimos abaixo vídeo com trechos de suas diversas participações na Escolinha do Professor Raimundo como Dona Bela.
Obrigado, Zezé por nos fazer sorrir tantas vezes! Descanse em paz!

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ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU - CAPÍTULO 52 - AUTOR: TONI FIGUEIRA

Novela de Antonio Figueira
Inspirada na Obra de Dias Gomes



Fonte: http://youtu.be/zIuryHGvAVc

CAPÍTULO 52

Personagens deste capítulo:
 

VÍTOR
HELÔ
RENATÃO
SAMUCA
RICARDINHO
D. CONSUELO
DOM JOSÉ
JOANINHA
D. CONSUELO
RODOLFO AUGUSTO
JUREMA
JUIZ
PROMOTOR
ADVOGADO DE DEFESA



CENA  1  -  TRIBUNAL DO JÚRI  -  SALA DAS TESTEMUNHAS DE DEFESA  -  INT.  -  DIA.

RENATÃO BEBIA UM COPO DE ÁGUA MINERAL. RICARDINHO, SENTADO A UM CANTO, PARECIA NERVOSO.

RENATÃO  -  Sabe a impressão que eu tenho? Que prenderam a gente nesta sala porquê se Jurema for absolvida eles pegam um de nós.

VÍTOR  -  (encarou-o, significativamente) Este raciocínio revela um sentimento de culpa.


RENATÃO  -  (deu uma risada) Sentimento de culpa? Não tenho nenhum.

VÍTOR  -  Não tem mesmo? Pois eu tenho. Se eu não tivesse ido a  São Paulo naquela noite, talvez isso não tivesse acontecido.

RICARDINHO  -  (não se conteve)  Pois é, ele foi a São Paulo naquela noite. É, o bicão de sacristia tem um bom álibi.

CORTA PARA:

CENA 2  -  TRIBUNAL   -  SALA DO JÚRI  -  INT.  -  DIA.

NA SALA DO JÚRI, O JUIZ EXIBIA UM REVÓLVER.

JUIZ  -  (a Jurema) A senhora reconhece esta arma?

JUREMA  -  Eu acho... acho que é minha.

JUIZ  -  Quando saiu de casa naquela noite, a senhora levava este revólver dentro da bolsa?

JUREMA  -  (respondeu prontamente)  Não, eu não levava arma nenhuma.

JUIZ  -  Senhor Promotor, a palavra é sua.

O PROMOTOR LEVANTOU-SE E DIRIGIU-SE AOS JURADOS.

PROMOTOR  -  Senhores do Conselho de Sentença, em meus longos anos de promotoria, muitos e muitos crimes horrendos passaram pelas minhas mãos. Muitos e muitos criminosos sanguinários tive que acusar. Eu devia, senhores, ser um homem calejado. E sou. No entanto, neste momento, ao olhar para aquela mulher  que  ali  está sentada tranquilamente no banco dos réus, eu  sinto um arrepio de horror. Como é possível uma criatura humana, com todo o aspecto de um ser normal, praticar um crime tão horripilante? Que se estará passando com a humanidade, meu Deus, para produzir seres dessa espécie?!

AS PALAVRAS DO ACUSADOR FERIAM PROFUNDAMENTE LEOPOLDO, NO MEIO DOS ASSISTENTES. ARAKEN BALANÇAVA A CABEÇA NUM GESTO DE DESAPROVAÇÃO.

PROMOTOR  -  ... a opinião pública se comoveu e se revoltou com o martírio imposto a essa moça de vinte anos, plena de vida, que muitos acreditam ter sido uma santa...

JUREMA BAIXOU A CABEÇA. A VOZ DO PROMOTOR ERA NÍTIDA E FIRME.

PROMOTOR  -  ... Nívea Louzada, moça de boa formação, criada num ambiente sadio... deixou-se um dia namorar por um rapaz chamado Ricardo Miranda... moço mimado, rico, de hábitos pouco recomendáveis, que mantinha uma relação com a acusada...

CORTA PARA:

CENA 3  -  APARTAMENTO DE HELÔ  -  QUARTO  - INT.  -  DIA.


HELÔ, DEITADA EM SUA CAMA, OUVIA PELO RÁDIO.

PROMOTOR  -  (off)  “... mas um dia, Nívea conheceu o padre Vítor e descobriu nele o homem que deveria amar por toda a vida, se não tivesse sido cruelmente assassinada...”

CORTA PARA:

CENA 4  -  TRIBUNAL  -  SALA DO JÚRI  -  INT.  -  DIA.

PROMOTOR  -  ... sim, senhores jurados, Jurema de Alencar, a acusada, se diz inocente... e isso é apenas uma prova de que nem ao menos sente remorso pelo crime que praticou...

CORTA PARA:
       
CENA 5  -  APARTAMENTO DE HELÔ  -  QUARTO  -  INT.  -  DIA. 

HELÔ  ABRIU O CLOSET, ESCOLHEU UM VESTIDO AZUL CLARO BEM DISCRETO, COLOCOU-O SOBRE A CAMA E, DIANTE DO ESPELHO, CAPRICHOU NA MAQUILAGEM.

CORTA PARA:

CENA  6  -  TRIBUNAL  -  SALA DO JÚRI  -  INT.  -  DIA.  


PROMOTOR  -  Eu gostaria de chamar a primeira testemunha, D. Marieta Louzada.

MARIETA CAMINHOU ATÉ O BANCO DAS TESTEMUNHAS E ACOMODOU-SE.

PROMOTOR  -  ... D. Marieta, a senhora conhecia a acusada. Jurema de Alencar?

MARIETA  -  Não, eu não a conhecia. Meu único contato com ela foi quando atendi seu telefonema para minha filha, Nívea, na noite do crime.

CORTA PARA:

CENA 7  -  TRIBUNAL  -  SALA DAS TESTEMUNHAS  -  INT.  -  DIA.      

LÁ DENTRO, RICARDINHO ROÍA AS UNHAS, MUITO NERVOSO. RENATÃO, NO MESMO ESTADO, CAMINHAVA DE UM LADO PARA O OUTRO.

CORTA PARA:

CENA  8  -  TRIBUNAL  -  SALA DO JÚRI  -  INT.  -  DIA.   


MARIETA ESTAVA SENDO INTERROGADA AGORA PELO ADVOGADO  DE DEFESA.

ADVOGADO DE DEFESA  -  ... e a senhora disse que Nívea saiu de casa por volta das onze e meia, naquela noite... e que teve a impressão de que ela ia ao encontro de alguém. Logo depois houve o telefonema da acusada... A senhora tem algum elemento para supor que era a acusada a pessoa com quem Nívea ia encontrar-se?

MARIETA  -  (procurando encobrir a ansiedade da sua voz) Não. Não tenho nenhum elemento para supor isso. Ao contrário, acho que não foi com ela que Nívea foi encontrar-se.

ADVOGADO DE DEFESA  -  Com quem a senhora acha que ela foi encontrar-se?

PROMOTOR  -  (gritou) Protesto! A defesa está procurando  levar a testemunha a fazer suposições.

JUIZ  -  Protesto recusado. A testemunha deve responder.

MARIETA HESITOU. OS ASSISTENTES PERMANECIAM RÍGIDOS EM SEUS LUGARES. ELA TROCOU UM OLHAR COM EMILIANO.

MARIETA  -  Eu não tenho certeza.

MARIETA FOI DISPENSADA PELO PROMOTOR. RODOLFO AUGUSTO FOI O SEGUINTE. TRAJANDO TERNO AZUL E UMA ECHARPE, DIRIGIU-SE, CHEIO DE TREJEITOS AO BANCO DAS TESTEMUNHAS.

PROMOTOR  -  Senhor Rodolfo Augusto, conte-nos o que o senhor viu ou ouviu na noite do crime.

RODOLFO AUGUSTO  -  Bem, eu apenas vi um vulto, só um vulto, pois a noite estava muito escura. Parecia mulher. Claro, devia haver mais de um, pois se a moça estava sendo perseguida, devia haver um perseguidor. A menos que eu estivesse vendo fantasmas.

RISOS NO AUDITÓRIO.

RODOLFO AUGUSTO  -  (disse calmamente) Eu tenho a impressão de que havia também uma outra pessoa.

PROMOTOR  -  Homem ou mulher?

RODOLFO AUGUSTO  -  O senhor sabe, hoje em dia é muito dificil a gente diferençar um homem de uma mulher... pela roupa ou pelo cabelo. Eu tenho a impressão de que era mulher também.

O PROMOTOR VOLTOU AO SEU LUGAR. NESSE MOMENTO, HELÔ ENTROU NA SALA E FOI SENTAR-SE AO LADO DE ALGUÉM, QUE RECONHECEU SER ARAKEN. PENSOU EM MUDAR DE LUGAR.

ARAKEN  -  Parabéns!

HELÔ  -  Parabéns por quê?

ARAKEN   -  Pela sua coragem de vir aqui.

HELÔ  -  (encarou-o com firmeza) Não tenho nada a temer! E por favor, deixe-me em paz!

A VOZ DO PROMOTOR FEZ-SE OUVIR NO SALÃO.

PROMOTOR  -  Solicito a presença da testemunha Jesuíno Romão.

O HOMEM DE MEIA-IDADE ENTROU EM SEGUIDA E FOI SENTAR-SE NO BANCO A ELE DESTINADO.

HELÔ  -  Quem é esse homem?

ARAKEN  -  Não faço a menor idéia.

HELÔ  -  Que estranho...

CORTA PARA:

CENA   9  -  APART-HOTEL  -  APARTAMENTO DE D. CONSUELO  -  SALA  -  INT.  -  DIA.

SAMUCA OUVIA O JULGAMENTO ATRAVÉS DO RÁDIO, QUANDO A CAMPAINHA TOCOU. ERA JOANINHA, QUE ENTROU, OLHANDO EM VOLTA, ADMIRADA.

JOANINHA  -  Nossa, quanto luxo! O aluguel desse apart deve ser uma fortuna!

SAMUCA  -  Que bom que você atendeu meu pedido! (e abraçou-a. Joaninha permaneceu estática).

JOANINHA  -  Ainda não entendi por que insistiu tanto pra eu vir aqui. Cadê ela?

SAMUCA  -  Saiu com o advogado, Dom José, pra resolver um problema. Eles tão me escondendo algo, mas ainda não sei o que é.

JOANINHA  -  E se eles chegarem, de repente? Como vai explicar pra sua mulher minha presença aqui?

SAMUCA  -  Não me importo. Chamei você aqui, Joana, pra que não duvide mais do meu amor por você. Só casei com essa velha porque ela me convenceu, dizendo que tava à beira da morte! E agora, tá mais viva que nós dois e a gente nessa situação, sem saber o que fazer...

JOANINHA  -  Então, porque não separa dela?

SAMUCA  -  Aí é que tá o xis da questão... e se ela bater as botas, de repente?...

A PORTA ABRIU-SE E D. CONSUELO ENTROU, EM COMPANHIA DE DOM JOSÉ.

D. CONSUELO  -  Samuquito! ¿Quién es esta mujer? ¿Qué haces aquí solo?

JOANINHA DEU UM PASSO À FRENTE E ENCAROU D. CONSUELO, DESAFIADORA.

JOANINHA  -  Quer saber? Vamos botar essa história agora em pratos limpos! O negócio é o seguinte (dirigiu-se a Dom José) Essa dona aí tava de vela na mão. Quis casar com meu noivo pra deixar uma fortuna pra ele. Eu, tonta, fui na conversa e concordei. Daí, ela não cumpriu a palavra, não morreu. E tá embrulhando a gente até hoje com essa história de morre não morre!

D. CONSUELO LEVOU A MÃO AO PEITO, APOIANDO-SE NUMA CADEIRA.

D. CONSUELO  -  Ai... mi corazón... ai....

SAMUCA E DOM JOSÉ CORRERAM A AMPARÁ-LA.

D. CONSUELO  -  Mis remédios... depressa, por favor...

SAMUCA CORREU PARA O QUARTO EM BUSCA DOS REMÉDIOS.

DOM JOSÉ  -  Senhorita, este não é o momento para terem esta conversa. É melhor ir embora, agora.

JOANINHA  -  Eu vou, mas saibam que eu não vou desistir do Samuca! Nós nos amamos e ninguém vai nos separar! Ninguém!

JOANINHA SAIU, PISANDO FIRME. SAMUCA RETORNOU COM UM COPO D’ÁGUA E OS REMÉDIOS.

SAMUCA  -  Aqui estão... (procurou Joaninha) Cadê a Joana?

DOM JOSÉ  -  Foi embora. Depois vocês conversam.  Vamos cuidar de D. Consuelo. Ela precisa muito de você, Samuca.

CONSUELO PISCOU UM OLHO E FINGIU DESFALECER.

SAMUCA  -  (correu para a porta) Joaninha! Joana!

CORTA PARA:

CENA  10  -  APART-HOTEL  -  CORREDOR  -  INT.  -  DIA.

SAMUCA ALCANÇOU JOANINHA NA PORTA DO ELEVADOR.

SAMUCA  -  Joana, espere! Ia embora sem falar comigo!...

JOANINHA  -  (encarou-o, indignada) Quer saber, Samuca? Eu disse à velha que ia lutar por você, mas, pensando bem, você não me merece! Não vou mais perder meu tempo com você! Desisto! Não me procure nunca mais! Adeus!

DITO ISTO, A JOVEM ENTROU NO ELEVADOR E FECHOU A PORTA NA CARA DE SAMUCA, QUE FICOU PARADO ALGUNS INSTANTES E VOLTOU PARA O APARTAMENTO, CABISBAIXO.

CORTA PARA:

CENA 10  -  TRIBUNAL -  SALA DO JÚRI  -  INT.  -  DIA.


O PORTEIRO ESTAVA SENTADO NO BANCO DAS TESTEMUNHAS.

PROMOTOR  -  Seu Jesuíno, o senhor conhece a acusada aqui presente?

JESUÍNO  -  (olhou de relance para Jurema e voltou a cabeça para o Promotor) Conheço, sim senhor, conheço muito. Ela mora no prédio onde eu trabalho.

PROMOTOR  -  Pois muito bem, seu Jesuíno. Conte-nos o que viu na noite de 3 para 4 de maio.

JESUÍNO  -  ... ela chegou em casa eram duas horas... estou certo disso porque ela me perguntou... subiu, mas me pediu para ir com ela, pois a fechadura tava meio enguiçada... Eu fui e abri a porta.

PROMOTOR  -  Onde a acusada guardava a chave?
       
JESUÍNO  -  Na bolsa; e dentro da bolsa tinha um revólver.

O PROMOTOR APANHOU O REVÓLVER DE RICARDINHO.

PROMOTOR  -  Seria este, por acaso?

JESUÍNO  -  Parece que é... não posso garantir.

ENTRE OS ASSISTENTES, ARAKEN OLHOU PARA JUREMA, PREOCUPADO, E EM SEGUIDA, PARA NELSON MOTA, SENTADO A SEU LADO.

ARAKEN  -  A coisa ficou feia pro lado dela, agora...

JESUÍNO  -  ... D. Jurema e seu Ricardinho brigavam constantemente... e da última vez que eu fui falar com ela, atendendo à reclamação dos moradores, soube que ele estava amarrado em outra... que por isso, um dia inda acabava fazendo uma desgraça.

CORTA PARA:

CENA  11  -  TRIBUNAL DO JÚRI  -  HALL – INT.  -  DIA / REDAÇÃO DA “FOLHA DO RIO”  -  INT.  -  DIA.


NELSON MOTA, AO CELULAR, FALAVA COM A REDAÇÃO DO SEU JORNAL.

NELSON MOTA  -  Olha, Gouveia, eu acho que a coisa tá mal parada pra Jurema. Pode ser que a defesa consiga virar o jogo, mas vai ser difícil. O Promotor mandou uma lenha que vou te contar!...

GOUVEIA NETO  -  (do outro lado da linha) Você acha que é certa, então, a condenação?

NELSON MOTA  -  Bem, certa não é. Mas o testemunho do porteiro do edifício foi arrasador. Em todo caso, tem muita água pra rolar.

GOUVEIA  NETO  -  Valeu, Nelson, muito obrigado por me manter informado. (virou-se para o chefe da oficina, parado à sua frente, e deu a ordem) Olha, Euclides, vamos preparar duas manchetes. Uma – “Condenada a Fera de Ipanema”; outra – “Absolvida Jurema de Alencar”. Conforme seja o resultado, tacamos uma ou outra.

CORTA PARA:

CENA  12  -  TRIBUNAL  -  SALA DO JÚRI  -  INT.  -  DIA.

O PROMOTOR TERMINAVA O SEU LIBELO.

PROMOTOR  -  ... acho que não preciso acrescentar muita coisa para vos esclarecer a respeito desse crime... Tantas foram as contradições em que caiu a acusada, que seu álibi ruiu como um castelo de cartas... Estamos, senhores do Conselho de Sentença, diante de um crime friamente premeditado... Esse ar de espanto, essas lágrimas... denunciam a atriz profissional que ela é... embora,
no palco, sempre seja uma canastrona, aqui, neste tribunal, não terá certamente o seu dia de glória!

NO BANCO DOS RÉUS, LÁGRIMAS DE TRISTEZA E HUMILHAÇÃO ROLAVAM, TEIMOSAS, DOS OLHOS DE JUREMA DE ALENCAR.

FIM DO CAPÍTULO 52

e no próximo capítulo...

*** Renatão,Vítor e Ricardinho são interrogados no tribunal.

***   A repercussão do resultado do julgamento.


NÃO PERCA O CAPÍTULO 53 DE

terça-feira, 29 de maio de 2012

HOMENAGEM A DONNA SUMMER

Registramos com atraso e com tristeza o falecimento da rainha da “disco music” Donna Summer, ocorrido no dia 17 de maio.
Durante anos, ela nos encantou com sua bela voz e com canções dançantes e melódicas.
Vamos sentir saudade, mas ficará para sempre sua obra.
Para saber mais sobre Donna Summer, favor consultar: www.letras.com.br/biografia/donna-summer.
Com o objetivo de homenageá-la, selecionamos a canção Last Dance, que apresentamos no vídeo abaixo.
Obrigado e descanse em paz, Donna!

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Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=qU3MXibkIx4

LETRA

LAST DANCE

Last chance for love
Yes, it's my last chance
For romance tonight

I need you, by me,
Beside me, to guide me,
To hold me, to scold me,'cause when I'm bad
I'm so, so bad

So let's dance, the last dance
Let's dance, the last dance
Let's dance, the last dance tonight

Last dance, last dance for love
Yes, it's my last chance
For romance tonight

Oh, I need you, by me,
Beside me, to guide me,
To hold me, to scold me,'cause when I'm bad
I'm so, so bad

So let's dance, the last dance
Let's dance, the last dance
Let's dance, the last dance tonight

Yeah, will you be my Mr. Right?
Can you fill my appetiteI can't be sure
That you're the one for me
But all that I ask
Is that you dance with me
Dance with me, dance with me, yeah

Oh, I need you, by me,
Beside me, to guide me,
To hold me, to scold me,'cause when I'm bad
I'm so, so bad

So let's dance, the last dance
Let's dance, the last dance
Let's dance, the last dance tonight

Oh, I need you, by me,
Beside, to guide me,
To hold me, to scold me,'cause when I'm bad
I'm so, so bad

So, come on baby, dance, dance, dance
Come on baby, dance, dance, dance
Come on baby, let's dance tonight

TRADUÇÃO

A ÚLTIMA DANÇA

Última dança
Última chance para o amor
Sim, é minha última chance
De romance esta noite

Eu preciso de você, comigo,
Ao meu lado, para me guiar,
Para me segurar, para me criticar,
Porque quando eu sou má
Eu sou tão, tão má

Então vamos dançar, a última dança
Vamos dançar, a última dança
Vamos dançar, esta última dança esta noite

Última dança, última dança para o amor
Sim, é minha última chance
Para romance esta noite

Oh, eu preciso de você, comigo,
Ao meu lado, para me guiar,
Para me segurar, para me criticar,
Porque quando eu sou má
Eu sou tão, tão má

Então vamos dançar, a última dança
Vamos dançar, a última dança
Vamos dançar, esta última dança esta noite

É, será você meu sr. certo?
Você pode me preencher o apetite
Eu não posso ter certeza
De que você é o certo para mim
Mas tudo o que eu peço
É que você dance comigo
Dance comigo, dance comigo, é

Oh, eu preciso de você, comigo,
Ao meu lado, para me guiar,
Para me segurar, para me criticar,
Porque quando eu sou má
Eu sou tão, tão má

Então vamos dançar, a última dança
Vamos dançar, a última dança
Vamos dançar, esta última dança esta noite

Oh, eu preciso de você, comigo,
Ao meu lado, para me guiar,
Para me segurar, para me criticar,
Porque quando eu sou má
Eu sou tão, tão má

Então vamos dançar, a última dança
Vamos dançar, a última dança
Vamos dançar, esta última dança esta noite

SESSÃO REMAKE MUSICAL - ESCRAVO DA ALEGRIA - KONDOR

A canção Escravo da Alegria, originalmente interpretada por Vinícius e Toquinho, é apresentada no vídeo abaixo por Kondor.
Boa diversão!

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Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=w9EBVOrNV_I


SESSÃO TÚNEL DO TEMPO MUSICAL - ESCRAVO DA ALEGRIA - VINÍCIUS E TOQUINHO

A canção Escravo da Alegria, interpretada por Vinícius e Toquinho, fez parte da trilha sonora da novela Coração Alado, apresentada pela Rede Globo, no horário das 20h, de 11 de agosto de 1980 a 14 de março de 1981.
Para maiores informações sobre a novela, favor consultar: www.teledramaturgia.com.br/tele/coracaoalado.asp.
Boa diversão!

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Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=OK_6_7ZFD9k

LETRA

ESCRAVO DA ALEGRIA

E eu que andava nessa escuridão
De repente foi me acontecer
Me roubou o sono e a solidão
Me mostrou o que eu temia ver
Sem pedir licença nem perdão
Veio louca pra me enlouquecer
Vou dormir querendo despertar
Pra depois de novo conviver
Com essa luz que veio me habitar
Com esse fogo que me faz arder
Me dá medo e vem me encorajar
Fatalmente me fará sofrer
Ando escravo da alegria
E hoje em dia, minha gente, isso não é normal
Se o amor é fantasia
Eu me encontro ultimamente em pleno carnaval

segunda-feira, 28 de maio de 2012

SESSÃO RETRÔ - VARIEDADES - PAULO GRACINDO

A reportagem que reproduzimos abaixo foi publicada na revista Sétimo Céu, em número que desconhecemos, provavelmente no ano de 1971.
Nossos agradecimentos à amiga Maria do Sul pela remessa do material.
Boa leitura!

 

 

SESSÃO RETRÔ - COMERCIAIS - FABER CASTELL (1983)

domingo, 27 de maio de 2012

HOMENAGEM AO ANIVERSÁRIO DA MARIA DO SUL - COLABORAÇÃO: FERNANDA SOUZA


ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU - CAPÍTULO 51 - AUTOR: TONI FIGUEIRA

Novela de Antonio Figueira
Inspirada na Obra de Dias Gomes



Fonte: http://youtu.be/zIuryHGvAVc

CAPÍTULO 51

Personagens deste capítulo:

VÍTOR
HELÔ
RENATÃO
SAMUCA
KONSTANTÓPULUS
D. CONSUELO
D. JOSÉ
DOM JOSÉ
BABI
D. CONSUELO
RODOLFO AUGUSTO
JUREMA
JUIZ

CENA 1  -  APART-HOTEL  -  APARTAMENTO DE CONSUELO  -  QUARTO  -  INT.  -  DIA.

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior.

CONSUELO ABRIU UM ÔLHO, ASSUSTADA. DOM JOSÉ E SAMUCA ENCAMINHARAM-SE PARA A SALA.

CENA 2  -  APART-HOTEL  -  APARTAMENTO DE CONSUELO  -  SALA  -  INT.  -  DIA.
DOM JOSÉ  -  Ela lo dirá. Yo no estoy autorizado a hacerlo.

SAMUCA  -  (estava intrigado) Mas escute aqui, o senhor precisa me dizer alguma coisa. Afinal de contas, eu sou o marido dela. Que papel eu tou fazendo aqui? De palhaço?

DOM JOSÉ  -  Pero señor Samuca, no me cabe la culpa...

DOM JOSÉ SAIU. SAMUCA PARTIU PARA O QUARTO DE CONSUELO.

CENA 2  -  APART-HOTEL  -  APARTAMENTO DE CONSUELO  -  QUARTO  -  INT.  -  DIA.

SAMUCA  -  Consuelo, tenho o direito de saber o que está acontecendo. Por favor, não me esconda nada!

CONSUELO  -  Non tengo nada a decir, Samuquito...

SAMUCA  -  Poxa, tou decepcionado com você. Esperava um pouco mais de consideração da minha esposa!

CONSUELO  -  No tengo nada a hablar, mi amore....  (e decidiu-se) Está bien.... Las aciones de nuestra compañia han caído en la Bolsa. Um poco, pero no hay motivo para preocupaciones. En compensación, las minas de cobre que exploramos en Chile van muy bien. E nuestra frota de petroleros sigue aumentando. Mi corazón é que no está nada bién, Samuquito.

CONSUELO LEVOU A MÃO AO PEITO. PORÉM SAMUCA AINDA NÃO ESTAVA CONVENCIDO.

D. CONSUELO  -  Solamente mi amor a usted me prende a la vida...

SAMUCA  -  Que é isso? Deixa de bobagem. Não se prenda a nada, não!

CORTA PARA:

CENA  3  -  APARTAMENTO DE RENATÃO  -  SALA  -  INT.  -  NOITE.

RENATÃO ESTAVA BASTANTE FURIOSO COM A BURRICE DE KONSTANTÓPULUS.

RENATÃO  -  Com essa sua burrice, você me envolveu de novo nessa história! Eu já tinha me livrado disso! E agora vai voltar tudo!... (depois, mudando de assunto) A propósito, ela me procurou?

KONSTANTÓPULUS APONTOU PARA A VARANDA.

KONSTANTÓPULUS  -  Está lá, à sua espera.

RENATÃO RECUPEROU O BOM HUMOR. FOI ATÉ O ESPELHO. ARRUMOU-SE. O MORDOMO APANHOU OS PERFUMES, PÔS UM CD NO MICRO SYSTEM E SAIU.

RENATÃO  -  Olá, você estava aí?

BABI  -  Já há um tempinho... mas tudo bem!

RENATÃO TENTOU BEIJÁ-LA, MAS A JOVEM ESQUIVOU-SE.

BABI  -  Eu não devia ter vindo aqui. Só vim porque você prometeu telefonar pro Guel Arraes me apresentando.
      
RENATÃO  -  Ora, telefono imediatamente, e dou ordem pra incluir você no elenco. Sabe que vou produzir uma fita com dinheiro da velha Consuelo, mulher do Samuca?  Você os conhece?

BABI  -  Sim, claro. Fui no casamento deles.

RENATÃO PEGOU O TELEFONE E DISCOU.

RENATÃO  -  Alô? Guel? Como vai o bom pernambucano? Olha, eu encontrei a estrela para o nosso filme! Junto dela, Cameron Diaz é um bagulho!

CORTA PARA:

CENA  4  -  APART-HOTEL  -  APARTAMENTO DE CONSUELO  -  SALA  -  INT  -  DIA.

APROVEITANDO A AUSÊNCIA DE SAMUCA, CONSUELO CHAMOU DOM JOSÉ AO SEU APARTAMENTO. SÒZINHOS, ENTRETANTO, A CONVERSA ERA OUTRA.

DOM JOSÉ  -  Dime, por favor, doña Consuelo. El no sabe de nada?

D. CONSUELO  -  No, no sabe.. Y tu no vas decir!

DOM JOSÉ  -  Pero senõra... És una situación muy peligrosa. Hoy, mañana, el tendrá que saber... Y entonces? Y este casamiento, que loucura!! Mejor seria, señora, que volvesse a México en seguida, antes que haga una tragedia.

D. CONSUELO  -  No, no puedo, Dom José. Voy confesarte: estoy enamorada!

DOM JOSÉ  -  Es una tonteria, todo esto puede acabar muy mal!...

CONSUELO APANHOU UM RETRATO DE SAMUCA QUE ESTAVA SOBRE UM MÓVEL E BEIJOU-O SÔFREGAMENTE.

D. CONSUELO  -  Creo hasta que el amor me ha curado para siempre. El milagro del amor!

CORTA PARA:

CENA  5  -  APARTAMENTO DE HELÔ  -  SALA  -  INT.  -  NOITE.

VÍTOR CHEGOU DA ESCOLA EM COPACABANA ONDE DAVA AULAS DE GEOGRAFIA, E ENCONTROU HELÔ DEITADA NA CAMA, VENDO TV E COMENDO BISCOITOS.

VÍTOR  -  Oi, amor!

HELÔ  -  (fitou-o, com frieza e voltou a atenção para a TV) Oi.

VÍTOR SENTOU-SE NA CAMA, O CENHO FRANZIDO.

VÍTOR  -  Nossa, quanta indiferença! Minha mulher dá mais importancia a um programa de TV do que a mim!

HELÔ  -  Como posso considerar meu marido um homem que não confia em mim, e me julga uma assassina?

VÍTOR  -  Helô, entenda... este caso é muito complicado. Várias pessoas têm motivos pra ter empurrado Nívea daquele paredão. Eu sei que você não a matou, eu sinto isso... mas preciso saber a verdade!

HELÔ  -  (ofendida) E enquanto não descobre, me atormenta com suas acusações, desconfianças... Pra mim, chega. Não quero mais falar nesse assunto.

VÍTOR  -  (segurou a esposa pelo queixo, obrigando-a a fitá-lo) Helô, olhe pra mim: me perdoe. Não tive a intenção de ofender, de machucar você. Sofro só de pensar... que você poderia ter feito isso... mas, ao mesmo tempo, meu coração me diz que não é verdade, que você não seria capaz...

HELÔ  -  Então, acredite em mim. É só o que eu te peço.

VÍTOR  -  Me dá um abraço? Por favor...

HELÔ ABRAÇOU-O, COM OS OLHOS MAREJADOS.

CORTA PARA:

CENA 6  -  APARTAMENTO DE RENATÃO  -  SALA  -  INT.  -  NOITE.

KONSTANTÓPULUS ABRIU A PORTA E RODOLFO AUGUSTO ENTROU, ESBAFORIDO.

RODOLFO AUGUSTO  -  Renatão está em casa? Preciso muito falar com ele!

RENATÃO ENTROU NA SALA, VINDO DO ATELIÊ.

RENATÃO  -  Rodolfo Augusto! Não vá me dizer que sua irmã, Madame X, aprontou mais uma!

RODOLFO AUGUSTO  -  (aflito) Não. Marisa fez as pazes com o marido e já estão de viagem marcada pra Áustria.

RENATÃO  -  (levantou as mãos para o alto, dramàticamente) Obrigado, senhor! Obrigado por ter ouvido minhas preces!

RODOLFO AUGUSTO  -  Vim aqui por dois motivos (exibiu dois envelopes) Um deles... é um convite para o desfile de fantasias do Teatro Municipal, na segunda-feira de carnaval. Vou sair com a fantasia “Príncipe Egípcio”. Está deslumbrante, luxuosérrima! E é lógico, vou precisar dos meus amigos, da minha torcida fiel, para gritarem, desmaiarem, se descabelarem, quando eu surgir na passarela!

RENATÃO  -  Ei! Devagar com a louça! Sinto muito, meu caro, mas você trouxe o convite pra pessoa errada. Não sou chegado e esses arroubos, chiliques... e, se quer mesmo saber, nem curto esse negócio de desfile de fantasias...

RODOLFO  AUGUSTO  -  Ai, que pena... trouxe dois convites, achando que você levaria uma acompanhante... Afinal, vai estar presente a nata da alta sociedade carioca!

RENATÃO  -  (segurou o queixo, pensativo) Pensando bem... eu tenho sim, uma ótima companhia pra esse evento! Fechado! Vou ao desfile, torcer por você. Só não conte com chiliques, desmaios e outras frescuras mais, OK!

RODOLFO AUGUSTO  -  (resignado) Já é alguma coisa... fazer o que, né!

RENATÃO  -  (apontou para os envelopes) E o outro envelope... o que é?

RODOLFO AUGUSTO  -  (mudou a expressão, apreensivo)  É uma intimação! Fui intimado a depor no julgamento de Jurema de Alencar, daqui a três dias!

RENATÃO  -  (sem demonstrar surpresa) Se servir de consolo, meu caro, eu também recebi a mesma intimação e serei obrigado a comparecer!

RODOLFO AUGUSTO  -  Que babado! Gente, preciso correr, pra escolher um modelito de parar o trãnsito, quando o juiz me chamar pro banco das testemunhas!

CORTA PARA:

CENA 7  -  TEATRO MUNICIPAL  -  INT.  -  NOITE.


ALGUNS DIAS SE PASSARAM . ERA SEGUNDA-FEIRA DE CARNAVAL. NO TEATRO MUNICIPAL, SOB A APRESENTAÇÃO DE MIÉLE E ROGÉRIA, OS CANDIDATOS DESFILAVAM, ORGULHOSOS, FANTASIAS CHEIAS DE LUXO E GLAMOUR. QUANDO RODOLFO AUGUSTO SURGIU COMO “PRÍNCIPE EGÍPCIO”, RENATÃO, BABI, SAMUCA E D. CONSUELO, SENTADOS A UMA MESA PRÓXIMA À PASSARELA, APLAUDIRAM, ENTUSIASMADOS.

CONSUELO  -  Muy hermosa esta fantasia! Mira, Samuquito!

SAMUCA  -  A fantasia do Rodolfo Augusto é a mais bonita, disparado! Essa ele ganha na moleza, você não acha, Renatão?

RENATÃO  -  (sem tirar os olhos de Babi) Acho... acho... É muito bonita, mesmo... belíssima!

BABI  -  (encantada) Nossa, Renatão, quanto luxo! Adorei o convite pra vir aqui. Via sempre pela TV, e nunca imaginei que fosse tudo tão maravilhoso!

RENATÃO  -  (acariciando-lhe a mão) Isso é só o começo, Babi. Tem muita coisa que ainda quero te mostrar... se você deixar, é claro.

A VOZ DO APRESENTADOR ATRAIU A ATENÇÃO DAS CENTENAS DE PESSOAS PRESENTES AO EVENTO. UM POUCO MAIS ATRÁS, PERFILADOS LADO A LADO, OS CANDIDATOS TRAJANDO SUAS RESPECTIVAS FANTASIAS, AGUARDAVAM ANSIOSAMENTE O RESULTADO DO CONCURSO.

MIÉLE  -  E agora, senhoras e senhores, o momento mais esperado da noite!

ROGÉRIA  -  Vamos informar o resultado do concurso de fantasias do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, ano de 2012!

MIÉLE  -  Começaremos então, pelo terceiro colocado!

ROGÉRIA  -  Em terceiro lugar, Guilherme Guimarães com a fantasia “Saudades do Rio”!

A MULTIDÃO APLAUDIU, ENTUSIASMADA.

MIÉLE  -  Em segundo lugar... Rodolfo Augusto com a fantasia “Príncipe  Egípcio”!

RODOLFO AUGUSTO DEU UM PASSO À FRENTE, SEM ACREDITAR NO QUE OUVIA.

RODOLFO AUGUSTO  -  Se... segundo lugar?! (e desmaiou em seguida).

FORMOU-SE UM PEQUENO TUMULTO EM VOLTA DE RODOLFO AUGUSTO. RENATÃO E SAMUCA CORRERAM PARA AJUDAR. SENTARAM-NO NUMA CADEIRA, ABANANDO-O COM UM LEQUE DE PENAS, ACESSÓRIO DE UMA FANTASIA.

RODOLFO AUGUSTO  -  (balbuciou, abrindo um ôlho) Não aceito esse resultado! Minha fantasia é a melhor de todas, disparado! Não aceito! Quero morrer! Vou me matar! Quero morrer!... Quero uma faca! Vou cortar os pulsos!

CORTA PARA:

CENA 8  -  TRIBUNAL DO JÚRI  -  INT.  -  DIA.

DOIS DIAS DEPOIS...

A SALA DO TRIBUNAL DO JÚRI ESTAVA REPLETA. OS ADVOGADOS NOS SEUS LUGARES, OS ESCRIVÃES TAMBÉM. NO AUDITÓRIO, ENTRE OS ASSISTENTES, VIAM-SE EMILIANO, LEOPOLDO E NELSON MOTA. NO BANCO DOS RÉUS, JUREMA, ENTRE DOIS SOLDADOS. EM SALAS SEPARADAS, AS TESTEMUNHAS DE DEFESA, VÍTOR, RENATÃO, RICARDINHO E MARIO MALUCO, E AS TESTEMUNHAS DE ACUSAÇÃO, D. MARIETA, RODOLFO AUGUSTO E O PORTEIRO DO EDIFÍCIO ONDE MORAVA JUREMA.

ARAKEN TEIXEIRA FOI INCUMBIDO DE FAZER A COBERTURA PARA A “FOLHA DO RIO”. COBERTURA IMPARCIAL, OBJETIVA, SEM DIVAGAÇÕES, CONFORME RECOMENDAÇÕES DO DIRETOR, GOUVEIA NETO.

JUIZ  -  D. Jurema de Alencar, a senhora lembra de tudo o que aconteceu na noite de 3 para 4 de maio? Se positivo, por favor, faça um relatório minucioso.

JUREMA  -  Sim, meritíssimo, eu lembro. Estive no meu apartamento até por volta da meia-noite, talvez um pouco menos, quando telefonei para a casa de Nívea.

JUIZ  -  Por que a senhora fez isso?

JUREMA  -  Eu queria falar com ela. Mas foi a mãe dela que atendeu. Então eu saí de casa e fui até à Fiorentina. Cheguei lá por volta da meia-noite. O senhor sabe que a Fiorentina é frequentada por gente de Teatro. Mas ainda era cedo, tinha pouca gente conhecida. Que eu me lembre, Marco Nanini, Marieta Severo e Natália do Vale estavam lá. Mas eu não falei com nenhum deles, estava chateada e fiquei sòzinha na mesa. Acho que devia ser, mais ou menos, meia hora depois da meia-noite, quando eu saí de lá e fui para casa, onde cheguei por volta de uma hora.

JUIZ  -  Uma hora. A senhora está certa disso, Dona Leontina?

JUREMA HESITOU UM POUCO. O ADVOGADO DE DEFESA ESBOÇOU UM GESTO DE PREOCUPAÇÃO.

JUREMA  -  Estou. Não era mais do que isso.

CORTA PARA:

CENA 9  -  TRIBUNAL DO JÚRI  -  SALA DAS TESTEMUNHAS DE DEFESA -  INT.  -  DIA.


RENATÃO BEBIA UM COPO DE ÁGUA MINERAL. RICARDINHO, SENTADO A UM CANTO, PARECIA NERVOSO.

RENATÃO  -  Sabe a impressão que eu tenho? Que prenderam a gente nesta sala porquê se Jurema for absolvida eles pegam um de nós,

VÍTOR  -  (encarou-o, significativamente) Este raciocínio revela um sentimento de culpa.
 

FIM DO CAPÍTULO 51

E NO PRÓXIMO CAPÍTULO...

*** Prossegue o julgamento de Jurema de Alencar. São ouvidos no banco das testemunhas . Marieta, Rodolfo Augusto e outros.

*** É lavrada a sentança! 

NÃO PERCA O CAPÍTULO 52 DE