sexta-feira, 31 de agosto de 2012

HOMENAGEM AO ANIVERSÁRIO DE FERNANDA SOUZA - COLABORAÇÃO: LUÍZA GOMES

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O INFERNO DE UM ANJO - CAPÍTULO 9 - PRIMEIRA PARTE - COLABORAÇÃO: PAULO SENA



O INFERNO
DE UM ANJO
Romance-folhetim



Título original:
L’enfer d’unAnge


Henriette de Tremière/o inferno de um anjo

(Texto integral) digitalizado
e revisado por Paulo Sena

Rev. G.H.
BIBLIOTECA GRANDE HOTEL



Capítulo IX
OS QUE SE AMAM SE ENCONTRAM


A cela na qual Luís Paulo foi parar através da passagem secreta, era idêntica à dele, apenas com a diferença de estar iluminada por uma pequena lâmpada elétrica, no lugar da luz do dia, por ser desprovida de janelas. Passados os primeiros instantes de natural emoção, compreendendo que cada minuto era precioso, Luís Paulo chamou em voz baixa:
- Maria... "Flor de Amor"... Sou eu... Luís Paulo! Acorde!
A encantadora criatura se agitou, ainda dormindo, e seus lábios cor de coral se descerraram, murmurando:
- Luís Paulo!...
Quando ele ouviu pronunciar seu nome, seu coração começou a bater desordenadamente. Não lhe parecia possível que uma jovem tão bonita pudesse sonhar com ele. Levantando um pouco a voz, repetiu:
- Acorde, meu bem. Por favor, abra estes belos olhos e olhe para mim! "Flor de Amor", não me ouve?
Aquele chamado, pronunciado tão docemente, fez a mocinha estremecer. Batendo as pálpebras e olhando em volta de si, amedrontada, avistou Luís Paulo, de pé, perto dela e exclamou:
- Virgem Santa! Não estou sonhando!... É você mesmo, Luís Paulo?...
A jovem pulou do leito e, num movimento instintivo, quase infantil, estendeu as mãos para ele que, louco de felicidade, apertou-as entre as suas, beijando-as apaixonadamente.
- Minha adorada "Flor de Amor", a alegria de estar perto de você me compensa de todos os meus sofrimentos, de quando não sabiaonde você estava! Amo-a, meu anjo! Você é tudo para mim. Diga que me ama também, querida... Diga...



- Eu o amo, sim, Luís Paulo - respondeu ela, abaixando a cabeça e corando - e o amo tanto porque você é a única pessoa que me ajudou, depois do bondoso Benedito, que tanto fez por mim.
O rapaz lhe perguntou, satisfeito por tê-la agora nos braços, como um passarinho assustado.
- Diga-me, Maria, encontrou sua mãe? Achou aquela pela qual, sozinha e indefesa, enfrentou as insídias de um mundo que desconhece e do qual járecebeu tanto mal?
A lembrança do que havia acontecido no gabinete do doutor Démon estava ainda tão viva na mente da pequena, que ela se, aproximou mais ainda do rapaz, dizendo excitada:
- Oh, foi horrível!... Pensei que finalmente tivesse chegado ao fim do meu sofrimento, porque odoutor me disse que minha mãe estava viva, apesar de doente... Mas quando eu pedi para vê-la, outra mulher me foi mostrada no lugar dela. Eu, apesar de ser bem pequena naquela ocasião, lembro-me perfeitamente de que os olhos de minha mãe eram de um puro azul celeste, que me miravam com tal ternura, que eu não encontrei nos olhos dessaoutra mulher que tentoufazer-se de minha mãe! Não posso estar enganada! Quando essa mulher, que apesar de bonita me inspirava medo, disse-me que eu era sua filha, eu neguei com todas as minhas forças, é claro! E aí me jogaram nesta cela...
Dominada por uma espécie de terror retrospectivo, ela levantou o rostinho para o rapaz, soluçando:
-Oh, meu bem... Fuja daqui! Fuja deste lugar horrível! Não se arrisque a ser mais uma vítima do malvado doutor Démon.
Sem responder, esquecido de tudo, o que não fosse o seu amor, como única resposta, Luís Paulo lhe cobriu o rosto debeijos. Mas Maria insistiu, beijando-o por sua vez:
- Fuja! Eu sou sozinha, não tenho ninguém... Ninguém procurará por mim... Acho que nunca conseguirei reunir-me à minha desventurada mãe, enquanto você tem seus pais, que o esperam... Não os faça sofrer. Você tem um futuro! Vá, meu bem, vá... Deixe-me aqui... Não se preocupe mais comigo...
- "Flor de Amor", meu bem, que está dizendo? - protestou Luís Paulo. - Eu não poderia mais viver sem você! Onde quer que fosse, veria seus olhos, seu rostinho de Madona... E depois, mesmo que o quisesse, não poderia deixar esta clínica, porque me fingi de louco para ter a possibilidade de entrar aqui e procurá-la... Estou tão prisioneiro quanto você, Maria!
- Luís Paulo, você fez isto?! ... Não pensou nas consquências? E enfrentou tudo isto por mim, só por mim, sem conhecer-me?
- Bastou-me vê-la, falar-lhe... E olhe, não tenha medo, porque meu pai sabe que estou aqui e foi ele mesmo que me trouxe! Breve, ele há de aparecer para saber notícias minhas... E se ainda não tivermos conseguido sair sozinhos, ele dará um jeito.
- Como poderei algum dia retribuir o que está fazendo?
- Com um beijo, "Flor de Amor"... Com um beijo...
E os lábios de ambos se uniram por um longo instante, enquanto o sino da igreja distante fazia ouvir suas badaladas. Quando se afastaram um do outro, Maria disse:
- Como faremos para sair daqui, deste autêntico inferno?
- Talvez haja uma possibilidade para nós - disse Luís Paulo, olhando em volta, inquieto. - Imaginei um plano que, apesar de arriscado, creio que é o único ao qual podemos recorrer, na nossa precária situação.
- Meu bem... Não corra mais perigos!
- É preciso, se quisermos fugir! Ouça o que eu pensei, quando o doutor Démon entrar na minha cela, amanhã, eu me farei de desmaiado. Ele chegará perto e quando estiver ao alcance da mão, eu o agredirei com um murro. Acho que terei força suficiente para atordoá-lo e fechá-lo dentro de minha cela. Feito isso, virei buscar você.
Maria "Flor de Amor" desejaria fazer com que seu amado desistisse de tentar semelhante façanha, mas Luís Paulo, decidido a arriscar tudo por tudo, mostrou-se inabalável.
Infelizmente, na ânsia de fazerem os projetos para a fuga, os dois jovens não tinham notado que, atrás da porta da cela na qual se encontravam, Mara, a alma danada do proprietário da clínica dos horrores, havia escutado tudo quanto haviam dito. E, cinco minutos depois, ela já relatava ao seu patrão o que Luís Paulo tencionava fazer!
Quando Luís Paulo voltou para a sua cela, depois de ter fechado novamente a abertura secreta de modo que ficasse oculta na parede, como estava antes de ele a descobrir, o sol já havia aparecido fazia algum tempo. Ele não podia estabelecer com precisão que horas seriam, porque ao entrar no manicômio haviam lhe tirado todos os objetos que levava consigo, mas imaginava que a hora das visitas não estivesse longe.
De fato, dali a pouco, ressoaram uns passos no corredor. Depois se ouviu a voz do doutor Démon, dizendo:
- Esta manhã não tenho tempo para visitas, tratarei disto mais tarde. Feche esta mulher no número vinte e um e deixe-a gritar quanto ela quiser, quando não tiver mais voz, há de parar.
- Mas doutor - objetou alguém, que devia ser um enfermeiro - o número vinte e um está ocupado com aquele rapaz que entrou outro dia...
- Faça o que lhe disse e não replique, idiota! Os dois ficarão juntos! Afinal, não estão em observação? Vamos, ande logo!...
Logo em seguida, a porta da cela de Luís Paulo se abriu ruidosamente e uma mulher, impelida com violência, quase lhe caiu nos braços.

SESSÃO CAPAS E PÔSTERES


A capa que reproduzimos abaixo foi publicada na revista TV Intervalo nr. 250 de 22 a 28/05/66.
Boa diversão!


SESSÃO FOTO QUIZ

A foto da semana passada é da cantora Rita Lee.
Agora tentem descobrir quem é o cantor da foto.
Eis algumas dicas:
1) Nasceu em Goiânia em 1960.
2) É cantor, compositor, ator e jornalista.
3) Roqueiro de grande sucesso na década de 80.
Boa diversão!


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

FIC - À PRIMEIRA VISTA - CAPÍTULO 16 - SEGUNDA PARTE - AUTORA: SÔNIA FINARDI


No outro quarto, Rosa vê que acabou pegando a camisola vermelha. E como suas roupas já estavam todas pra lá, não tinha outra opção: era ela ou a toalha. Rosa veste a camisola e vai pro quarto.
Pega seu livro, deita-se na cama e tenta “fechar” a fenda da camisola, sem êxito. Claude entra no quarto só com a parte de baixo do pijama. Eles se encaram. Rosa desvia o olhar.
C: Mon amour, olha pra mim... Rosa, eu sinto muito, non devia ter falado contigo daquele jeito.
Ela olha pra ele e diz
R: Claude, você ouviu o que você disse? Como você quer que eu me sinta? Você não tem confiança em mim, é isso?
C: Non, non é isso! Eu non sei o que me deu! Ver você tão natural com outro homem, sem reservas, como você teve comigo. Na hora eu non entendi, non parei pra pensar. Agora com a cabeça mais fria eu entendi, o Sérgio é pra você o mesmo que a Roberta  é pra mim....
R: Que bom que você pensa! Pensei que tinha perdido essa capacidade!
C: Eu non vou discutir contigo! Estou pedindo desculpas. Sei que te magoei, e você non tem noção do quanto isso me faz mal. Eu non to conseguindo “me” perdoar, já é um castigo suficiente, non acha?
R: Isso não é castigo! É a sua consciência! Eu te amo, Claude, de corpo, alma e coração. Mas não vou deixar de ter amigos, por isso!
C: Eu non falei isso, cherie. Já assumi que errei, que sinto muito. Já pedi desculpas, e estou pedindo de novo, hã? Eu também te amo, e non sei o que seria de minha vida sem você perto de mim. – E passa a mão pelo rosto dela, enquanto seus olhos deixam escapar algumas lágrimas...
R: Olha, Claude, eu vou seguir meu coração, e tentar esquecer isso, relevar. Até porque amanhã é um dia cheio e eu não quero que nada dê errado. – Ela sai da cama, pega um lençol, um edredon e um travesseiro e vai em direção à porta.
C: Rosa, onde você vai com isso?
R: Vou dormir no outro quarto, por hoje.
C: Mas você disse que me perdoava.
R: Exato. Só que eu ainda estou magoada, Claude.
C: Deixa eu provar o quanto te amo, o quanto preciso de você!
R: Claude, se eu ficar, eu não vou resistir. Porque eu também preciso de você. Mas não posso, ainda não. Preciso de um tempo. Você pode me compreender?
C: D`accord! Eu entendo – Diz pegando as coisas dos braços dela. – Mas você fica. Eu vou para o outro quarto, por hoje, chérie. E creia, vai ser um inferno non ter você ao meu lado por uma noite. E só você pode me salvar desse inferno – Dá um selinho em Rosa e vai para o outro quarto.
As horas passam. Nem Claude, nem Rosa, conseguem dormir. 
Rosa “passeia” pelo quarto, vai até a porta, volta, não sabe se abre e vai, ou não...
Nossa primeira discussão – Pensa ela. Porque eu to me sentindo assim, culpada? Foi ele que começou, com essa história de ciúmes... É claro que é bom saber, que alguém tem ciúmes de você... dá um gostinho de poder... Eu também senti ciúmes dele com a Roberta... não, não, eu não vou dar o braço a torcer... Afinal, tomorrow is another day.
Ela se deita e fecha os olhos.  Mas a imagem de Claude, não lhe sai da mente...
No outro quarto, Claude está sentado na beira da cama, com a cabeça ente as mãos, pensando...
Nossa primeira discusson... e por um motivo tão idiota! Culpa sua, seu francês desavisado! – Ele se levanta e caminha até a porta. – Non. Ela pediu um tempo. Amanhã. Amanhã, é um novo dia!” – Ele se volta e deita. Mas seus olhos permanecem abertos por uma longa madrugada...
 Há alguns quilômetros dali, num quarto de Hotel...
Cou: Aqui estão Nara os convites para recepção de amanhã com os americanos.
N: É por isso que eu gosto de você, Otávio. Sempre tão prestativo...
Ju: Como você conseguiu isso?
Cou: Neste mundo dos negócios, meu caro, tudo tem um preço... Se você falar com a pessoa certa!
N: Eu não quero sem saber como você conseguiu. Me importa estar lá. Quero ver a cara daquele francês, quando me ver por lá. E conhecer a tão falada esposinha dele! Preciso estudar meus inimigos...
Cou: Então a gente se encontra lá. Eu não perderia isso por nada...
Júlio acompanha ele até a porta e aproveita pra perguntar de seus “negócios”, sem que Nara escute:
Ju: E então, conseguiu alguma informação sobre o processo?
Cou: Poucas novidades. O testamento, a doação está conforme a lei. Você tem certeza do que pretende fazer?
Ju: Tenho. Aquele italiano não perde por esperar! Eu esperei muito tempo! Agora vou agir! Pode entrar com o pedido de revisão!
Cou: Você manda. Você e os meus trinta por cento! Rsrsrsr
N: Júlio!!!!! Eu quero combinar umas coisinhas com você, meu amor... vem!
Ju: Até amanhã, Coutinho! Boa noite.
Cou: Boa noite, Júlio.
De volta ao apartamento.
Rosa olha o relógio pela enésima vez. São quase quatro da madrugada.
Céus, eu preciso dormir...” – Mas os ponteiros do relógio dão mais uma longa volta antes que ela consiga seu intento.
 Amanhece.
Claude resolve se levantar. Ele segue até o quarto na intenção de tomar um longo banho, pois não dormira por toda a noite.
Ao entrar no quarto, ele olha diretamente pra cama onde Rosa está dormindo agarrada ao travesseiro e do lado dele, na cama. A fenda da camisola revela suas pernas, mal cobertas pelo lençol.
Claude se aproxima.
C: Pelo menos você dormiu, chérie... e do meu lado. – Dá um sorriso e afasta algumas mechas do cabelo dela passando delicadamente a ponta de seus dedos pela face dela. Ele aproxima seus lábios dela e dá um leve beijo em sua testa.
C: Te amo... me perdoa, hã? – Sussurra.
Ela se mexe, e ele se afasta, indo em direção ao banheiro.
Claude sai do banho, de roupão, com os cabelos ainda molhados. Sua vontade era acordar Rosa com muitos beijos e fazer amor com ela. Mas ele se contém e se larga na poltrona de onde fica olhando Rosa dormir...
Alguns minutos depois, ele resolve ir até a cozinha e trazer uma bandeja com o café pra ela. Mas, quando ele vai se levantar, ela acorda e seus olhares se cruzam...
C: Bom dia, mon amour! Desculpa, hã? Acho que te acordei...
R: Não... Eu acordei sozinha... Bom dia pra você também... Estava saindo do quarto?
C: É. Eu ia buscar um café da manhã pra você!
Rosa olha profundamente pra ele. Percebe que ela está pálido, abatido, com olheiras... Se ajoelha na cama e diz:
R: Não... vem cá! Fica aqui comigo um pouco... – E estende as mãos para ele.
Ele caminha até ela, e a abraça, como se tivesse chegando de uma longa viagem. Rosa encosta sua cabeça no peito dele.
C: Chérie,  eu non dormi a noite inteira. Non consegui. Será que...
R: Xiiiiii! Não fala nada! Só me abraça.
C: Só abraço? Non posso dar um beijinho non? E olha pra ela.
R: Um só? Você não acha melhor já uns dois ou três?
Eles riem e quando Claude se inclina para beijá-la, ele se desequilibra e ambos caem na cama. Ele fica por cima dela.
C: Eu sou louco por você, sabia? Non gosto de brigar contigo... mas o melhor da gente brigar é o que vem depois... E seus lábios pousam na boca de Rosa num beijo arrebatador! 
Claude a puxa pra cima, de maneira que seus corpos percebam todo o desejo um do outro...
D: Dr. Claudes! D. Rosa! – Chama Dadi, batendo na porta. – Eu interfonei, mas ninguém atendeu. Dr. Frazão e D Janete estão aí, disseram que combinaram vir nesse horário!
C: Mon Dieu! Isso é hora de aparecer visita? Eu vou mandar o Frazon pro inferno!
R: Claude, olha pro relógio: são quase nove horas! A gente combinou mesmo. Mas bem que eles podiam ter se atrasado... rsrsrsr. Vamos nos arrumar e descer...
C: É melhor eu tomar outro banho! E frio, Madame Geraldy...

Claude, Rosa, Janete e Frazão vão até o local da recepção, para acompanharem a instalação dos aparelhos: data-show, microfones, etc. Gurgel já está a espera deles, com Sílvia, que registra tudo através de fotos.
Depois de se assegurarem que tudo está em ordem, eles vão almoçar em um restaurante e ficam algum tempo conversando sobre suas expectativas para a recepção
Algumas horas depois, já no apartamento, Claude está impaciente, esperando Rosa e Janete que havia ido se arrumar junto com a amiga. Frazão chega.
F: Boa noite, meu querido! Estou adiantado? Cadê as meninas?
C: Ainda eston se arrumando... Non sei porque as mulheres demoram tanto! É só por um vestidinho... - Diz andando de um lado pra outro...
F: Meu caro amigo! É uma recepção de nível internacional... Elas querem arrasar... com as outras mulheres kkkkkkkkkkkkkkkkk
C: Sempre fazendo piadinha... nhnhnhnhnhnh... Rosa!... MonDieu! Rosa!!
No quarto:
J: Vamos, Rosa... a gente vai se atrasar...você está deslumbrante!
R: Eu estou é com medo, Janete... E se eu tropeçar, cair?
J: Rsrsrsr você não vai cair! Eu to bem, mesmo?
R: Bem? Você vai abalar geral!Vai na frente Jane...
Elas saem do quarto. Os dois conversando perto da escada. Janete desce primeiro.
F: Fiiiiu! fiuuuuu!  - Frãzão assovia, e estende a mão para ajudá-la a descer .
J: Pára amor, eu fico sem jeito assim... A Rosa já vai descer...
F: Bom, então nós já vamos, francês. Eu pretendo esticar um pouco a noite... Vou no meu carro.
Eles saem. Nesse instante, Rosa aparece, naquele vestido preto, tomara que caia, cabelos presos. Claude não consegue desviar o olhar por um segundo sequer.
C: Chérie... você está... perfeita! Deixa eu te ajudar, hã? – E segura a mão dela.
R: Eu estou bem mesmo? To com tanto medo... - Diz trêmula.
C: Medo de quê? Son só pessoas que von te ouvir... Pensamento positivo, lembra? – Ele beija a mão dela. Vamos?
R: Vamos! – Diz respirando fundo.
Na recepção...
Assim que Claude e Rosa chegam à recepção, encontram com o casal Smith, na entrada.
Eles elogiam Rosa e entram todos juntos. Impossível, para Claude, não perceber os olhares em direção à Rosa. Eles atravessam o salão e se colocam à mesa reservada para o pessoal da Construtora e o casal de americanos.
Todos já estavam lá: Frazão e Janete, Silvia e Gurgel, os representantes. Claude e Rosa e o casal Smith se juntam a eles. Em uma outra mesa estavam os acionistas americanos.
Roberta, Alabá, Sérgio e Antoninho – que Rosa convidara – estão na mesma mesa. Freitas e Ninica em outra mesa. . E num canto mais obscuro, pra não serem vistos de imediato mesmo Nara, Júlio e Coutinho.
Assim que a maioria dos convidados chega, o casal Smith se dirige ao pequeno palco ali montado e faz a abertura, discursando sobre a importância de estabelecer relações com empresários brasileiros, que se preocupem com o bem estar da sua comunidade, etc, etc, etc...
Elisabeth: ...E para apresentar o projeto vencedor, eu chamo ao palco a Senhora Serafina Rosa Geraldy, juntamente com o Sr. Gurgel Okada, os arquitetos que assinam o projeto.
Eles se dirigem ao palco. Rosa começa a apresentação, passando sempre a palavra a Gurgel num clima de descontração.
Após a explanação do projeto, Rosa surpreende a todos:
R: ...E por fim eu chamo aqui ao nosso lado meus companheiros e amigos Frazão, Janete e Silvia, que nos apoiaram neste projeto e meu marido Claude Geraldy, que confiou em minha capacidade de trabalho e me deu essa grande oportunidade de contribuir para mudar a vida das pessoas...
Eles acabam indo até o palco e são aplaudidos e cumprimentados pelos acionistas. O casal Smith pede a palavra, elogia Rosa e Gurgel mais uma vez e anuncia a assinatura do pré-contrato ali, naquele momento.
Enquanto isso acontecia, uma conversa sinistra se estendia ali, bem perto:
Assim que ouviu o nome Serafina Rosa Geraldy, Julio não se conteve:
Ju:  Não pode ser... mas é ela... a .Serafina... a Rosa... eu não creio  nisso... que ironia do destino...
N: Do que você está falando, Julio?
Ju: Da esposa do seu francesinho... Meu Deus ela tá muito mais bonita do que eu me lembrava... mais segura... mais mulher...
N: Você está me dizendo que essa aí é a tal garota que você largou pra ficar comigo? A tal herdeira, de um casarão que vale muito dinheiro?
Ju: Exatamente... - Diz sem tirar os olhos de Rosa num olhar de cobiça.
Cou: É, o Claude não tem nada de bobo não. Ela é bem... “apetitosa”...
Ju: Você nem se atreva a “pensar” nela! Se alguém tiver que ficar com ela sou eu!
N: Não sei o que vocês vêem nela! Pra me alcançar ela tem que subir muito... Mas isso resolve metade dos meus planos...Vai ser mais fácil pra você, Júlio... Já conhece o caminho! Kkkkkkkkkk
Ju: Ah! Eu vou ter muito prazer em rever a Serafina! - E sorri sarcasticamente.
O pré-contrato é assinado e rubricado por todos. O palco é reorganizado de modo que a banda contratada possa tocar. O jantar é servido.  Todos brindam em comemoração.
Os convidados começam a circular pelo salão.
Claude, Rosa, Frazão, Janete, Silvia e Gurgel estão em círculo. Roberta & Cia se aproximam...
Rob: Boa noite a todos... eu queria apresentar o ator que vai filmar comigo: Sérgio Camargo!
R: Sérgio!
S: Fina!
C: “de novo non...” - Pensa. Mas se controla.
R: Porque você não nos contou lá no casarão?
S: A gente se falou tão rápido! Mas eu consegui, Fina! E foi você que me aconselhou a ir pra lá, estudar... Se não fosse seu apoio eu não teria ido!
Rob: Vocês se conhecem?
S: Eu e a Fina, crescemos juntos... Somos praticamente irmãos. Ela sempre foi meu anjo da guarda.
R: E o Sérgio sempre me protegeu, como um irmão mais velho e olha que eu é que sou mais velha que ele, hem! Rsrsrsrsr
Eles ficam conversando, pondo os assuntos em dia. Alguns fotógrafos convidados aproveitam a presença de Roberta e vários flashs são disparados. A conversa está animada, Frazão fazendo suas piadinhas diverte a todos. Rosa está rindo de uma delas e percebe que alguém se aproxima. Quando olha sobre os ombros de Claude, seu sorriso desaparece. Ela gela e seu coração dispara.
C: Rosa, o que foi? Non está passando bem? Você ficou pálida de repente...
Ela não consegue falar, apenas continua olhando para além dele, contando os passos de quem se aproxima, como se isso pudesse impedi-los de chegar até ela. No momento que Claude vai olhar para a mesma direção, ele escuta um a voz conhecida:
Cou: Meus parabéns, Claude! Eu não poderia faltar a essa sua conquista. Eu, mais do que ninguém, sei o quanto você se dedicou, o quanto deve ter se preocupado... - diz de maneira irônica.
C: Mas o que esse sujeitinho está fazendo aqui? – Fala, olhando pra Frazão – Como é que ele conseguiu entrar?
Cou: Sempre gentil, não é, Claude? Eu estou acompanhando dois clientes que me convidaram. Creio que vocês já se conhecem “bem” – enfatiza a palavra – afinal vocês já  se envolveram, não é mesmo? – E olha para Rosa, deliciando-se com a situação...
N: Olá, Claude! Quanto tempo, não é mesmo? Eu disse pra você que voltava um dia... e o abraça, dando um jeitinho de roçar seus lábios nos dele...
Rosa está tão aturdida por ver Júlio, que não consegue sair do lugar, apesar de sua vontade ser de sair correndo dali...
Claude tenta se esquivar do abraço, mas Nara é mais rápida. Porém, ele a segura pelos braços, tentando não chamar atenção das pessoas e a afasta de si. Todos na roda ficam atônitos, sem saber o que falar ou fazer.
N: Nossa, meu querido! Antigamente você me tratava com mais carinho. Ah! Desculpa, querida – Diz olhando para Rosa – Você deve ser a esposa  do Claude.... Já que ele não está sendo educado em nos apresentar... Eu sou Nara, você já deve ter ouvido falar muito de mim, com certeza! – E estende a mão para Rosa.
R: Não. Ninguém nunca falou sobre você. - Responde Rosa, de maneira segura e firme – “Eu não vou te dar este gostinho, de me ver abalada” – Pensa.
Claude percebendo a intenção de Nara, puxa Rosa para si, numa atitude de proteção e cumplicidade.
Nara fica furiosa, mas continuando seu plano, ela resolve “apresentar” Júlio à Claude:
N: Pois é Claude, esta vida é muito engraçada... Você acredita que o Júlio foi “namorado” da sua esposa? Não foi isso que você me contou, meu amor?
Ju: Pára com isso, Nara... Você está passando dos limites... Não é lugar nem hora pra esse tipo de piadinha, que você quer fazer. – Diz, querendo parecer constrangido. Muito prazer, Dr. Claude!
Claude, tentando controlar sua ira, responde:
C: Era só o que me faltava!  É uma pena que eu non possa colocar vocês três fora daqui. Agora eu tenho certeza do porque você fez aquelas ligações. Sinceramente, eu non sei qual dos três é pior! E por favor, fiquem distantes de Rosa e de mim... d`accord?
Ele encosta Rosa em si e diz pra ela:
C: Vem, mon amour... Não temos porque ficar perto dessa gente, vamos dar uma circulada, hã? – e a leva para longe dali no jardim anexo ao salão.
Nara fica nitidamente descompensada e olha pra eles com um ódio mortal.
N: Você é um imbecil, Claude! Eu quero o que é meu... e vou ter!
Frazão que não deixou de escutar o comentário diz à ela:
F: Se você tem amor à sua vida, é melhor seguir o conselho dele... e mais... aproveita e fica longe de todos nós, será uma honra não cruzar com vocês novamente, em nenhuma parte do “planeta”.
O grupo se desfaz. Alguns voltam à mesa. Outros vão dançar, pois há vários casais dançando.
Pelo caminho. Elisabeth Smith, vendo Rosa e Claude se aproxima deles e percebe a palidez dela.
Elisabeth: Rosa, mi querida...  você parece que não estar bem?! Algum problema, darling?
R: Não é nada, Ms. Smith! Só um mal estar... obrigada pela preocupação!
Elisabeth: Dr. Claude.... precisa cuidar bem de nossa flor! Eu gosto muito de você, Rosa. Qualquer emergência me procura, ok?
C: Deve ser apenas o calor, a tenson da apresentaçon, diz Claude querendo despistar. Eu vou com ela até o jardim, pra pegar um ar fresco...
Elisabeth: Faz muito bem, vocês hum?! “Eu gostar deles juntinhos... formam um belo. casal” – Pensa ela, enquanto eles se afastam.