quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O INFERNO DE UM ANJO - CAPÍTULO 17 - COLABORAÇÃO: PAULO SENA


O INFERNO
DE UM ANJO
Romance-folhetim



Título original:
L’enfer d’unAnge


Henriette de Tremière/o inferno de um anjo

(Texto integral) digitalizado
e revisado por Paulo Sena

Rev. G.H.
BIBLIOTECA GRANDE HOTEL

Capítulo XVII

UM PAI QUE QUER SER JUSTO

- Papai, precisa ouvir-me! Sou inocente!... Gritava Luís Paulo ao barão Ernesto, enquanto dois criados, segurando-o pelos braços, embora sem brutalidade, arrastavam-no para a porta do palácio.
- Este não é o momento para falar. - respondeu o velho, com voz severa. - Mais tarde, se pudermos ficar um instante a sós, você me dará a necessária explicação... Embora, francamente, eu pense que nada mais há a dizer entre nós!
- Está bem, papai. Mas eu afirmo ao senhor que minha consciência está tranquila.
O conde Fernando, enquanto isso, chamara Pedro, o mordomo.
- Afonso ainda não chegou?
- Não, senhor. Pegou a carruagem e partiu a toda velocidade... Mas ainda não voltou.
- Que diabo! Onde se meteu?
Mal acabara de falar e o rapaz, surgiu no vestíbulo.
- Trouxe o doutor? - avançou Fernando, ansiosamente. - Rápido! A senhorita Flora pode morrer de um momento para outro!
- Sinto - respondeu Afonso - Mas aconteceu uma desgraça...
Fernando limpou o suor frio que lhe banhava a fronte. Sua mão, branca e aristocrática, tremia visivelmente.
- Mas isso é uma maldição! Que aconteceu, agora? Por que não trouxe o doutor?...
- A carruagem ia a toda velocidade, quando de repente quebrou uma roda - contou, procurando mostrar-se muito impressionado. - Tive que voltar para apanhar outra roda que substitua a que está quebrada.
Naturalmente, o miserável mentia. Tinha simulado o acidente, para se atrasar em avisar o médico, na esperança de que, naquele meio tempo, sua vítima morresse.
Fernando, que absolutamente não conhecia a falsidade e a crueldade daquele homem, teve a impressão de que o mundo ia desabar.
- Mas precisamos do médico! Apanhe outra roda, depressa! Corra!
Enquanto o malandro se retirava, o conde Fernando e o velho pai de Luís Paulo retornaram às pressas para junto do leito onde estava Flora.
A moça permanecia imóvel, com os olhos fechados, e suas mãos estavam quase tão brancas quanto o lençol sobre o qual repousavam.
Ansiosamente, Fernando lhe tomou novamente o pulso.
- Por enquanto ainda vive... - murmurou ao barão, que ficara de pé. - Agora, estamos entregues às mãos de Deus.
Muito lentamente, a porta se abriu e apareceu o mordomo.
- Senhor conde...
- Que deseja?
- O filho do... Isto é, o homem que agrediu a senhorita Flora está fechado na biblioteca... Que devemos fazer? Chamamos a polícia?
Fernando lançou um olhar ao barão, que cerrou os punhos, mas não pronunciou palavra.
- Vá ter com ele, Ernesto... Eu... Não sei mais o que pensar. Assim que o médico chegar, chamo você.
- Fá-lo-ei apenas porque assim você o quer, Fernando, apenas por isso - respondeu o fidalgo. - Se meu filho é culpado, e tudo faz crer que sim, deverá pagar por isso, como qualquer outro delinquente.
Depois de quase uma hora de expectativa angustiosa e enervante, o médico afinal chegou, acompanhado por Afonso que, desta vez, para não despertar suspeita, tivera que cumprir mesmo o encargo de buscá-lo.
Precipitando-se ao encontro do facultativo, que era seu amigo, Fernando disse, apertando-lhe a mão:
- Desculpe se o incomodei, meu caro doutor Fabrício, mas aconteceu uma coisa terrível... A senhorita Flora foi apunhalada, no jardim! Peço-lhe que a salve! Faça tudo o que puder!
- Vamos vê-la, depressa...
- Venha... Venha. Levemo-la para um aposento aqui do andar térreo.
- A arma ainda está na ferida - explicou o conde. - Não tivemos coragem de retirá-la, com receio de que sobreviesse uma hemorragia.
- Fizeram bem.
Quando chegaram ao aposento onde estava a ferida, o facultativo ordenou:
- Tragam-me um candeeiro com muitas velas. Preciso de luz, muita luz! E depois saiam todos. Trabalharei sozinho.
Dominando o desejo de permanecer ao lado da mulher que, por sua beleza e bondade, tinha começado a amar, o conde Fernando saiu para o corredor e começou a caminhar de um lado para outro, nervoso.
Depois de longos minutos, que pareceram uma eternidade, o doutor Fabrício saiu do aposento, tendo ainda na mão o estetoscópio.
- E então, doutor? - interrogou ansiosamente Fernando. - Que é que me diz? Ela viverá?
- Espero que sim. Felizmente, a perda de sangue não foi excessiva, e depois de ter retirado a arma da ferida, pude inserir nela um tampão de gaze, que evitará que venha sangrar nas próximas horas. Naturalmente, seria melhor levá-la para um hospital, mas, pelo menos por enquanto, isso não poderá ser feito.
- O ferimento é... Muito grave?
- Não é gravíssimo, mas se demorassem mais um pouco a me chamar, poderia ser fatal. A lâmina da faca esbarrou contra uma costela, penetrando lateralmente, à esquerda do coração. Este órgão vital não foi atingido, mas infelizmente não posso dizer o mesmo do pulmão esquerdo. Assim sendo, por enquanto, temos que esperar. Se me permite, pernoitarei no palácio, para velá-la.
- Obrigado, doutor Fabrício. Não sei o que faria sem o senhor! Foi uma desgraça tão imprevista que... Quase perdi a cabeça...
- Compreendo perfeitamente, conde. Agora, porém, é oportuno que vá repousar um pouco. Olhe, tome esta pílula, é um sedativo, que o fará dormir.
- E se Flora... Piorar, passar mal?
- Neste caso, eu o acordarei, não tenha dúvida. Por ora, a jovem não voltará a si.
Embora a contragosto, o conde Fernando voltou ao salão, onde Denise ainda se encontrava. A pérfida mocinha estava terrivelmente inquieta, não tanto pelo acontecimento, já que era demasiado má para senti-lo, mas pelo que pudesse suceder a Afonso, se Flora voltasse a si e reconhecesse nele seu agressor.
Fernando a tomou amorosamente entre os braços e, enquanto a garota lhe acariciava com gesto hipócrita a têmpora grisalha, disse:
- Vá dormir, querida. Hoje você já teve emoções em demasia. Não quero que se ressinta disso.
- Mas, papai, eu quero fazer-lhe companhia!
- Não, Denise, vá. O barão Ernesto espera-me na biblioteca. É doloroso, mas devemos decidir o que fazer com seu filho!...

4 comentários:

  1. Paulo será que Afonso e Denise vão tentar eliminar Flora? Afinal, Fernando confia neles, não seria difícil matar a moça. E Luís Paulo, o que acontecerá com ele? Estou curiosa! Acho que por enquanto, os maus continuarão reinando rsrsrs. Gostei desse capítulo! Bjs.

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    1. Anime as suas amigas do blog à leitura, o folhetim ainda vai esquentar muito...

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  2. O suspense continua. Todos os que sabem da verdade estão fora de ação temporariamente. Quando começará a virada? Muito interessante.

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    1. A virada ainda está muito longe, vamos curtir a leitura.

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