domingo, 31 de março de 2013

sexta-feira, 29 de março de 2013

SESSÃO CAPAS E PÔSTERES

A capa e o pôster que reproduzimos abaixo foram publicados na revista Amiga TV Tudo – Edição especial sobre a morte de Sérgio Cardoso, publicada no ano de 1972.
Boa diversão!



SESSÃO FOTO QUIZ

A foto da semana passada é do humorista Jô Soares.
Agora tentem descobrir quem o garotinho da foto.
Eis algumas pistas:
1) Já foi cantor, trabalhou como ator e, atualmente, é apresentador.
2) Como cantor, participou de um famoso conjunto musical.
3) Como ator, participou de novelas como: Antônio Alves, Taxista, no SBT; O Cravo e a Rosa e O Profeta, na Rede Globo.
Boa diversão!



quinta-feira, 28 de março de 2013

HOMENAGEM AO ANIVERSÁRIO DA DORALI - COLABORAÇÃO: FERNANDA SOUZA


HOMENAGEM AO ANIVERSÁRIO DA CEMA (27/03) - COLABORAÇÃO: FERNANDA SOUZA


FIC - BORBOLETAS NO CORAÇÃO - CAPÍTULO 16 - AUTORA: SÔNIA FINARDI

XVI

Depois de um tempo, eles se despedem de Pimpinone e de Freitas e continuam a viagem de volta à fazenda. A paisagem era exuberante e Rosa faz Claude parar várias vezes para fotografá-la.
A última parada foi à beira da estrada a poucos quilômetros da fazenda, na mesma curva do primeiro encontro.
- Por que você parou aqui, Claude? – Pergunta Rosa, descendo da moto e tirando o capacete.
- Porque foi aqui que tudo começou... A nossa história, hã? Vem! – E estende sua mão a ela.
- Você não acha que eu vou rolar barranco abaixo outra vez, acha?
- Você é uma graça, sabia?  Claro que non vamos rolar... Se bem que rolar contigo agora, non seria má ideia. – Diz, puxando-a para si e beijando-a demoradamente.
- Nem pense nisso, francês... Eu fiquei toda esfolada, cheia de arranhões... Minha roupa então...
- Onde está seu romantismo, gatinha? Anda, pega sua máquina, vamos descer, hã?
- Posso saber por que insiste tanto em descer esse barranco?
- Quem sabe non encontramos aquela arara que você filmava... Tem certeza que non quer rolar comigo? – Pergunta, piscando para ela.
- Tenho! Rsrsrsr. Sabia que já faz  algum tempo que não caímos?
- D’accord. Vai ver “equilibramos a nossa energia”, hã? Responde, sorrindo maliciosamente.
Eles descem cuidadosamente até chegarem às arvores que ladeavam a estrada. Apesar do sol que fizera o dia todo, o chão ainda estava úmido da última chuva. As copas das árvores formavam uma cobertura densa, impedindo o sol de penetrar totalmente até o chão.
Andaram por vários metros, mas nem sinal da tal arara.
- É melhor voltarmos – diz Rosa – Com esse calor, ela deve estar no seu ninho.
- D’accord... Antes eu quero uma foto sua aqui... – E tira a máquina das mãos de Rosa – Se afaste um pouco...  isso, perfeito... Atençon, hã?
- Espera... Aquilo ali é um pé de goiaba? – Pergunta, apontando para algo atrás de Claude. - Eu não acredito!!! Adoro goiaba! – E anda na direção da árvore.
- Mon Dieu, Rosa!  Eu quero uma foto sua, non de uma goiaba! – Diz, movimentando os olhos.
- Vem, me ajuda a pegar uma...
Claude se volta para a mesma direção e olha para o pé de goiaba carregadinho.
- Você só pode estar brincando... Já viu a que altura elas eston? E non dá nem pra subir no pé, porque o tronco é esguio e comprido demais, hã?
Rosa olha atentamente para a goiabeira, depois para Claude.
- Já sei. Se você me segurar, eu alcanço uma delas!
- Non sei non, gatinha. Isso non me parece uma boa ideia...
- Hummmm... Por favor!  Se a gente não tentar, não vai saber se é uma boa ideia!
 Rosa parecia uma criança pedindo um presente, mas suas mãos no peito de Claude o fizeram falar:
- Oui. E o que eu ganho em troca? – Pergunta com um sorriso safado no canto da boca.
Rosa se aproxima dele, bem perto de seu rosto, quase colando seus lábios aos dele e diz provocante:
- Um beijo... - E passa seus lábios pelos dele – Assim do jeito que você gosta - Então, se afasta e conclui - Sabor goiaba!
- Isso soa como um desafio, gatinha... E eu non sou de fugir a eles, hã?
Então, eles se aproximam da goiabeira e pensam numa maneira mais adequada para Claude segurar Rosa. Antes, colocam a máquina num lugar seguro.
Por fim, Claude decide que é melhor ela ficar sentada em seus ombros, por cima de sua cabeça, pois levantando os braços, alcançaria a tal goiaba. Então, ele se abaixa para que ela pudesse subir em seus ombros.
- Mon Dieu...  Non seria mais fácil comprarmos goiabas no mercadinho? – Diz, enquanto se ergue devagar, equilibrando-se para não derrubá-la.
- Não teria o mesmo gosto... Comer fruta direto do pé é muito melhor... E encontrar uma goiabeira aqui, então, foi muita sorte! Vai mais pra direita um pouquinho... Não foi muito... volta!
Rosa tenta alcançar a goiaba, levantando apenas um dos braços com a outra mão pousada na cabeça dele.
- Essa sua ideia, vou te contar, gatinha...
- Claude, me segura direito ou vou cair!
- É só você ficar paradinha que eu non saio do lugar...
- Eu to quase conseguindo... só mais um pouquinho... Peguei! Você quer uma?
- Non...
- Ok. Hummm...  Tá deliciosa! - Fala depois de morder a goiaba. - Tem certeza que não quer uma? – E morde a goiaba de novo.
- Me contento com um pedaço da sua... me dê aqui! – Diz, soltando a mão da perna dela e estendendo-a para cima...
 - Eu sabia que você não resistiria... Essa não! – Fala alto, chacoalhando a cabeça e abanando as mãos.
- Essa non o que, Rosa? – Pergunta Claude, sentindo-a balançar o corpo.
- Abelhas!!! Claude, socorro! Me põe no chão!!! – Grita agitada, mexendo-se demais.
- Abelhas?? Era só o que faltava, hã?  – Ele tentava olhar para cima e se abaixar ao mesmo tempo.
- Rápido, Claude, elas estão me atacando!  Eu acho que vieram todas as operárias, a colmeia toda! 
Enquanto, Claude dava alguns passos adiante, Rosa tentava desesperadamente “pular” do ombro de Claude, antes que ele estivesse totalmente abaixado.
- Rosa, non faça isso, senon vamos ca... Ai! – Ele solta uma expressão abafada.
Tarde demais! Rosa projetou o corpo para frente, fazendo com que Claude se desequilibrasse de vez e caísse para trás. Automaticamente, ele esticou as pernas e soltando Rosa, colocou as mãos na direção do chão, tentando amortecer sua queda. Foi a sorte dela. Rosa caiu para frente, quase  “sentada”,  com o rosto entre as pernas de Claude, bem na região do quadril e escuta ele dizer:
- Mon Dieu, non sei por que concordei com essa ideia maluca!
Ela percebeu a reação imediata dele e, embaraçada, girou o corpo rapidamente, sentando no chão ao lado dele, tentando espantar com uma das mãos algumas abelhas retardatárias e insistentes.
- Porque você me ama, oras! – Responde sorrindo e continua - Desculpa! Eu... machuquei você?
- Non,  machucar non é a palavra apropriada, hã? – Ele puxa as pernas, sentando de frente para ela.  – E você se feriu, foi picada?
- Creio que não...  Você foi? – E percorre o rosto dele com o olhar.
- Non tenho certeza...  – Diz, passando a mão na lateral do pescoço - Mas  tá ardendo aqui...
- Deixa eu ver. – Diz chegando perto – É, tá vermelhinho... mas não vejo ferrão nenhum!
- Com certeza eram abelhas nativas... essas, ao contrário das  africanas, por exemplo, non tem ferron... E você ficou sem sua goiaba... – Fala, acariciando-a no rosto.
- Não fiquei não! – Sussurra, sorrindo e mordendo o lábio, enquanto abre o zíper da jaqueta e tira algo de dentro dela – Eu peguei duas! Vamos dividir?
E eles comem a goiaba, alternando as mordidas. Quando terminam...
- Bem, vamos? Ainda podemos chegar antes do entardecer na fazenda. – Fala Claude.
- Espera! O que é combinado não sai caro... – Diz, aproximando-se dele.
- Non entendi, pardon...
- Eu prometi um beijo em troca da goiaba... Um beijo, sabor goiaba, esqueceu? – E encosta seus lábios nos dele suavemente.
E aos poucos, foram se inclinando, até ficarem deitados na relva macia, o corpo de Rosa sob o dele, pressionando-a sedutoramente.
E decidida, a boca de Claude exigiu que ela entreabrisse os lábios.
Passou seus braços pelo pescoço dele e o abraçou...
- Incrível, gatinha...  - Sussurra Claude, enquanto desliza seus lábios pelo rosto dela - Uma abelha visita dez flores por minuto em busca de pólen e  néctar.... Son quarenta voos diários, quarenta mil flores. Eu só preciso de uma flor pra me satisfazer... você, chérie. Minha Rosa!
- Amo você! – Responde ela, ofegante pelas carícias dele...
E permanecem ainda por vários minutos, trocando carinhos e afagos...
Finalmente, ao cair da tarde, chegam à Fazenda Borboleta Azul. Mas Claude não para na casa da sede, avançando para o outro lado da fazenda com a moto.
R: Claude, por que não paramos?
C: Eu quero te mostrar um lugar, do outro lado da fazenda, na beira do rio... Um lugar que vai ser só nosso, unicamente nosso...

Continua...

SESSÃO LEITURA - TANGERINE-GIRL - RACHEL DE QUEIROZ

O conto que reproduzimos abaixo é da autoria de Rachel de Queiroz.
Boa leitura!

TANGERINE GIRL

De princípio a interessou o nome da aeronave: não "zepelim" nem dirigível, ou qualquer outra coisa antiquada; o grande fuso de metal brilhante chamava-se modernissimamente blimp. Pequeno como um brinquedo, independente, amável. A algumas centenas de metros da sua casa ficava a base aérea dos soldados americanos e o poste de amarração dos dirigíveis. E de vez em quando eles deixavam o poste e davam uma volta, como pássaros mansos que abandonassem o poleiro num ensaio de vôo. Assim, de começo, aos olhos da menina, o blimp existia como uma coisa em si — como um animal de vida própria; fascinava-a como prodígio mecânico que era, e principalmente ela o achava lindo, todo feito de prata, igual a uma jóia, librando-se majestosamente pouco abaixo das nuvens. Tinha coisas de ídolo, evocava-lhe um pouco o gênio escravo de Aladim. Não pensara nunca em entrar nele; não pensara sequer que pudesse alguém andar dentro dele. Ninguém pensa em cavalgar uma águia, nadar nas costas de um golfinho; e, no entanto, o olhar fascinado acompanha tanto quanto pode águia e golfinho, numa admiração gratuita — pois parece que é mesmo uma das virtudes da beleza essa renúncia de nós próprios que nos impõe, em troca de sua contemplação pura e simples.
Os olhos da menina prendiam-se, portanto, ao blimp sem nenhum desejo particular, sem a sombra de uma reivindicação. Verdade que via lá dentro umas cabecinhas espiando, mas tão minúsculas que não davam impressão de realidade — faziam parte da pintura, eram elemento decorativo, obrigatório como as grandes letras negras U. S. Navy gravadas no bojo de prata. Ou talvez lembrassem aqueles perfis recortados em folha que fazem de chofer nos automóveis de brinquedo.
O seu primeiro contato com a tripulação do dirigível começou de maneira puramente ocasional. Acabara o café da manhã; a menina tirara a mesa e fora à porta que dá para o laranjal, sacudir da toalha as migalhas de pão. Lá de cima um tripulante avistou aquele pano branco tremulando entre as árvores espalhadas e a areia, e o seu coração solitário comoveu-se. Vivia naquela base como um frade no seu convento — sozinho entre soldados e exortações patrióticas. E ali estava, juntinho ao oitão da casa de telhado vermelho, sacudindo um pano entre a mancha verde das laranjeiras, uma mocinha de cabelo ruivo. O marinheiro agitou-se todo com aquele adeus. Várias vezes já sobrevoara aquela casa, vira gente embaixo entrando e saindo; e pensara quão distantes uns dos outros vivem os homens, quão indiferentes passam entre si, cada um trancado na sua vida. Ele estava voando por cima das pessoas, vendo-as, espiando-as, e, se algumas erguiam os olhos, nenhuma pensava no navegador que ia dentro; queriam só ver a beleza prateada vogando pelo céu.
Mas agora aquela menina tinha para ele um pensamento, agitava no ar um pano, como uma bandeira; decerto era bonita — o sol lhe tirava fulgurações de fogo do cabelo, e a silhueta esguia se recortava claramente no fundo verde-e-areia. Seu coração atirou-se para a menina num grande impulso agradecido; debruçou-se à janela, agitou os braços, gritou: "Amigo!, amigo!"— embora soubesse que o vento, a distância, o ruído do motor não deixariam ouvir-se nada. Ficou incerto se ela lhe vira os gestos e quis lhe corresponder de modo mais tangível. Gostaria de lhe atirar uma flor, uma oferenda. Mas que podia haver dentro de um dirigível da Marinha que servisse para ser oferecido a uma pequena? O objeto mais delicado que encontrou foi uma grande caneca de louça branca, pesada como uma bala de canhão, na qual em breve lhe iriam servir o café. E foi aquela caneca que o navegante atirou; atirou, não: deixou cair a uma distância prudente da figurinha iluminada, lá embaixo; deixou-a cair num gesto delicado, procurando abrandar a força da gravidade, a fim de que o objeto não chegasse sibilante como um projétil, mas suavemente, como uma dádiva.
A menina que sacudia a toalha erguera realmente os olhos ao ouvir o motor do blimp. Viu os braços do rapaz se agitarem lá em cima. Depois viu aquela coisa branca fender o ar e cair na areia; teve um susto, pensou numa brincadeira de mau gosto — uma pilhéria rude de soldado estrangeiro. Mas quando viu a caneca branca pousada no chão, intacta, teve uma confusa intuição do impulso que a mandara; apanhou-a, leu gravadas no fundo as mesmas letras que havia no corpo do dirigível: U. S. Navy. Enquanto isso, o blimp, em lugar de ir para longe, dava mais uma volta lenta sobre a casa e o pomar. Então a mocinha tornou a erguer os olhos e, deliberadamente dessa vez, acenou com a toalha, sorrindo e agitando a cabeça. O blimp fez mais duas voltas e lentamente se afastou — e a menina teve a impressão de que ele levava saudades. Lá de cima, o tripulante pensava também — não em saudades, que ele não sabia português, mas em qualquer coisa pungente e doce, porque, apesar de não falar nossa língua, soldado americano também tem coração.
Foi assim que se estabeleceu aquele rito matinal. Diariamente passava o blimp e diariamente a menina o esperava; não mais levou a toalha branca, e às vezes nem sequer agitava os braços: deixava-se estar imóvel, mancha clara na terra banhada de sol. Era uma espécie de namoro de gavião com gazela: ele, fero soldado cortando os ares; ela, pequena, medrosa, lá embaixo, vendo-o passar com os olhos fascinados. Já agora, os presentes, trazidos de propósito da base, não eram mais a grosseira caneca improvisada; caíam do céu números da Life e da Time, um gorro de marinheiro e, certo dia, o tripulante tirou do bolso o seu lenço de seda vegetal perfumado com essência sintética de violetas. O lenço abriu-se no ar e veio voando como um papagaio de papel; ficou preso afinal nos ramos de um cajueiro, e muito trabalho custou à pequena arrancá-lo de lá com a vara de apanhar cajus; assim mesmo ainda o rasgou um pouco, bem no meio.
Mas de todos os presentes o que mais lhe agradava era ainda o primeiro: a pesada caneca de pó de pedra. Pusera-a no seu quarto, em cima da banca de escrever. A princípio cuidara em usá-la na mesa, às refeições, mas se arreceou da zombaria dos irmãos. Ficou guardando nela os lápis e canetas. Um dia teve idéia melhor e a caneca de louça passou a servir de vaso de flores. Um galho de manacá, um bogari, um jasmim-do-cabo, uma rosa menina, pois no jardim rústico da casa de campo não havia rosas importantes nem flores caras.
Pôs-se a estudar com mais afinco o seu livro de conversação inglesa; quando ia ao cinema, prestava uma atenção intensa aos diálogos, a fim de lhes apanhar não só o sentido, mas a pronúncia. Emprestava ao seu marinheiro as figuras de todos os galãs que via na tela, e sucessivamente ele era Clark Gable, Robert Taylor ou Cary Grant. Ou era louro feito um mocinho que morria numa batalha naval do Pacífico, cujo nome a fita não dava; chegava até a ser, às vezes, careteiro e risonho como Red Skelton. Porque ela era um pouco míope, mal o vislumbrava, olhando-o do chão: via um recorte de cabeça, uns braços se agitando; e, conforme a direção dos raios do sol, parecia-lhe que ele tinha o cabelo louro ou escuro.
Não lhe ocorria que não pudesse ser sempre o mesmo marinheiro. E, na verdade, os tripulantes se revezariam diariamente: uns ficavam de folga e iam passear na cidade com as pequenas que por lá arranjavam; outros iam embora de vez para a África, para a Itália. No posto de dirigíveis criava-se aquela tradição da menina do laranjal. Os marinheiros puseram-lhe o apelido de "Tangerine-Girl". Talvez por causa do filme de Dorothy Lamour, pois Dorothy Lamour é, para todas as forças armadas norte-americanas, o modelo do que devem ser as moças morenas da América do Sul e das ilhas do Pacífico. Talvez porque ela os esperava sempre entre as laranjeiras. E talvez porque o cabelo ruivo da pequena, quando brilhava á luz da manhã, tinha um brilho acobreadao de tangerina madura. Um a um, sucessivamente, como um bem de todos, partilhavam eles o namoro com a garota Tangerine. O piloto da aeronave dava voltas, obediente, voando o mais baixo que lhe permitiam os regulamentos, enquanto o outro, da janelinha, olhava e dava adeus.
Não sei por que custou tanto a ocorrer aos rapazes a idéia de atirar um bilhete. Talvez pensassem que ela não os entenderia. Já fazia mais de um mês que sobrevoavam a casa, quando afinal o primeiro bilhete caiu; fora escrito sobre uma cara rosada de rapariga na capa de uma revista: laboriosamente, em letras de imprensa, com os rudimentos de português que haviam aprendido da boca das pequenas, na cidade: "Dear Tangeríne-Gírl. Please você vem hoje (today) base X. Dancing, show. Oito horas P.M." E no outro ângulo da revista, em enormes letras, o "Amigo", que é a palavra de passe dos americanos entre nós.
A pequena não atinou bem com aquele "Tangerine-Girl". Seria ela? Sim, decerto... e aceitou o apelido, como uma lisonja. Depois pensou que as duas letras, do fim: "P.M.", seriam uma assinatura. Peter, Paul, ou Patsy, como o ajudante de Nick Carter? Mas uma lembrança de estudo lhe ocorreu: consultou as páginas finais do dicionário, que tratam de abreviaturas, e verificou, levemente decepcionada, que aquelas letras queriam dizer "a hora depois do meio-dia".Não pudera acenar uma resposta porque só vira o bilhete ao abrir a revista, depois que o blimp se afastou. E estimou que assim o fosse: sentia-se tremendamente assustada e tímida ante aquela primeira aproximação com o seu aeronauta. Hoje veria se ele era alto e belo, louro ou moreno. Pensou em se esconder por trás das colunas do portão, para o ver chegar - e não lhe falar nada. Ou talvez tivesse coragem maior e desse a ele a sua mão; juntos caminhariam até a base, depois dançariam um fox langoroso, ele lhe faria ao ouvido declarações de amor em inglês, encostando a face queimada de sol ao seu cabelo. Não pensou se o pessoal de casa lhe deixaria aceitar o convite. Tudo se ia passando como num sonho — e como num sonho se resolveria, sem lutas nem empecilhos.
Muito antes do escurecer, já estava penteada, vestida. Seu coração batia, batia inseguro, a cabeça doía um pouco, o rosto estava em brasas. Resolveu não mostrar o convite a ninguém; não iria ao show; não dançaria, conversaria um pouco com ele no portão. Ensaiava frases em inglês e preparava o ouvido para as doces palavras na língua estranha. Às sete horas ligou o rádio e ficou escutando languidamente o programa de swings. Um irmão passou, fez troça do vestido bonito, naquela hora, e ela nem o ouviu. Às sete e meia já estava na varanda, com o olho no portão e na estrada. Às dez para as oito, noite fechada já há muito, acendeu a pequena lâmpada que alumiava o portão e saiu para o jardim. E às oito em ponto ouviu risadas e tropel de passos na estrada, aproximando-se.
Com um recuo assustado verificou que não vinha apenas o seu marinheiro enamorado, mas um bando ruidoso deles. Viu-os aproximarem-se, trêmula. Eles a avistaram, cercaram o portão — até parecia manobra militar —, tiraram os gorros e foram se apresentando numa algazarra jovial.
E, de repente, mal lhes foi ouvindo os nomes, correndo os olhos pelas caras imberbes, pelo sorriso esportivo e juvenil dos rapazes, fitando-os de um em um, procurando entre eles o seu príncipe sonhado — ela compreendeu tudo. Não existia o seu marinheiro apaixonado — nunca fora ele mais do que um mito do seu coração. Jamais houvera um único, jamais "ele" fora o mesmo. Talvez nem sequer o próprio blimp fosse o mesmo...
Que vergonha, meu Deus! Dera adeus a tanta gente; traída por uma aparência enganosa, mandara diariamente a tantos rapazes diversos as mais doces mensagens do seu coração, e no sorriso deles, nas palavras cordiais que dirigiam à namorada coletiva, à pequena Tangerine-Girl, que já era uma instituição da base — só viu escárnio, familiaridade insolente... Decerto pensavam que ela era também uma dessas pequenas que namoram os marinheiros de passagem, quem quer que seja... decerto pensavam... Meu Deus do Céu!
Os moços, por causa da meia-escuridão, ou porque não cuidavam naquelas nuanças psicológicas, não atentaram na expressão de mágoa e susto que confrangia o rostinho redondo da amiguinha. E, quando um deles, curvando-se, lhe ofereceu o braço, viu-a com surpresa recuar, balbuciando timidamente:
— Desculpem... houve engano... um engano...
E os rapazes compreenderam ainda menos quando a viram fugir, a princípio lentamente, depois numa carreira cega. Nem desconfiaram que ela fugira a trancar-se no quarto e, mordendo o travesseiro, chorou as lágrimas mais amargas e mais quentes que tinha nos olhos.Nunca mais a viram no laranjal; embora insistissem em atirar presentes, viam que eles ficavam no chão, esquecidos — ou às vezes eram apanhados pelos moleques do sítio.
(Considerado um dos cem melhores contos brasileiros do século, o texto acima foi extraído do livro O melhor da crônica brasileira, José Olympio Editora – Rio de Janeiro, 1997, pág. 47)

Fonte: http://contosbrasileiros.blogspot.com.br/2008_01_01_archive.html. 

SESSÃO ABERTURA DE NOVELA - 74,5 - UMA ONDA NO AR

A novela 74,5 – Uma Onda no Ar foi apresentada pela Rede Manchete no horário das 21h30 de 11 de abril a 22 de outubro de 1994.
Para maiores informações sobre a novela, favor consultar: www.teledramaturgia.com.br/tele/umaondanoar.asp.
O tema musical de abertura era I Don’t Wanna Fight, interpretado por Tina Turner.
Boa diversão!

video


LETRA

I DON’T WANNA FIGHT

I Don't Wanna Fight
There's a pale moon in the sky
The kind you make your wishes on
Like the light in your eyes
The one i build my dreams upon
It's not here any longer
Something happened somewhere and we both know why
But me i'm getting stronger
We must stop pretending
I can't live this lie

I don't care who's wrong or right
I don't really wanna fight no more
Too much talking babe
Let's sleep on it tonight
I don't really wanna fight no more
This is time for letting go

I hear a whisper in the air
That simply doesn't bother me
Boy, can't you see that i don't care
Or are you looking right through me
It seems to me that lately (seems to me that lately)
You look at me the wrong way and i start to cry
Could it be that maybe (could it be that maybe)
This crazy situation is the reason why

I don't care who's wrong or right
I don't really wanna fight no more
Too much talking babe
Don't care now who's to blame
I don't really wanna fight no more
This is time for letting go

Hanging on to the past
It only stands in our way
We have to grow for our love to last
But we just grew apart

Oh don't wanna hurt no more
But baby don't you know
No, i don't wanna hurt no more...
Tired of all these games
This time i'm walking babe

TRADUÇÃO

NÃO QUERO LUTAR

Há uma lua pálida no céu
O tipo no que você faz seus desejos
Como a luz em seus olhos
O no que eu construí meus sonhos
Não é lá mais
Algo aconteceu em algum lugar
E nós ambos sabem por que
Menos mim, eu estou me pondo mais forte
Nós temos que deixar de fingir
Eu não posso viver esta vida

Eu não me preocupo que está errado ou direito
Eu realmente não quero lutar mais (muita conversa, baby)
Vamos durmir hoje a noite
Eu realmente não quero lutar mais (é hora de deixar pra lá)

Eu ouço um sussurro no ar
Não me aborreca simplesmente
Não possa você vêr que eu não me preocupo
Ou é você parecendo certo por mim
Parece a mim aquele ultimamente
Você olha para mim de modo errado e eu começo a chorar
Pode ser que talvez
Esta situação louca é a razão por que

Eu não me preocupo que está errado ou direito
Eu realmente não quero lutar mais (muita conversa, baby)
Vamos durmir hoje a noite
Eu realmente não quero lutar mais (cansado de todos estes jogos)
Mas o bebê não faz você sabe
Que eu não quero ferir mais (está na hora de eu ir, baby)
Não se preocupe agora que é culpar
Eu realmente não quero lutar mais (é hora de deixar pra lá)

Se agarrando para o passado
Só se levanta de nosso modo
Nós tivemos que crescer para nosso amor para durar
Mas nós há pouco crescemos separadamente
Não, eu não quero ferir nenhum mais

Mas babe, voce não sabe
Eu não quero ferir mais (muita conversa, baby)
Não se preocupe agora que é culpar
Eu realmente não quero lutar mais (cansado de todos estes jogos)
Eu não me preocupo que está errado ou direito
Eu realmente não quero lutar mais (está na hora de eu ir, baby)
Vamos dormir hoje a noite
Eu realmente não quero lutar

Fonte: http://letras.mus.br/tina-turner/41068/traducao.html

quarta-feira, 27 de março de 2013

ENCONTRO FÃ CLUBE URCA – 23 E 24 DE MARÇO

Quando fiquei sabendo que a Rebeca viria para São Paulo assistir o Musical do Milton Nascimento - Nada Será Como Antes no dia 23/03, eu e a Patty já havíamos comprado os convites para a estréia do dia 22/03. Uma pena! Não iríamos nos encontrar na peça do Cláudio Lins.
Mas já fazia um tempinho que a Rebeca estava querendo assistir a peça do Fabiano Augusto - A História do Incrível Peixe Orelha. Então, combinamos de nos encontrarmos no sábado à tarde, antes dela assistir a peça do Cláudio. A Rebeca ganhou dois convites na promoção “O Melhor do Teatro” e o Fabiano disponibilizou dois convites prá gente. Convidei a amiga Lili, super-fã do Fabiano como eu. Comprei uns chocolates para o Fabiano para retribuir tanto carinho e fiz uma montagem numa sacolinha com algumas fotos, parecida com a do Cláudio Lins. A Rebeca foi com a Priscila que veio participar de uma corrida no Parque Vila Lobos.  Passamos uma tarde superagradável juntas, assistimos à peça e depois conversamos com o fofo do Fabiano, que ficou super feliz com a nossa presença ali. Falou da peça Enlace, que será encenada no Rio de Janeiro.  Nos contou vários detalhes...
No domingo, continuamos nosso passeio. Neste dia com a companhia da amiga Claudia e sua sobrinha Laurinha. A Lili não pode estar presente. Fizemos uma surpresa para a Priscila, após a corrida, pois esta semana foi seu aniversário. Fomos ao shopping Iguatemi. Almoçamos juntas e passamos mais uma tarde superagradável, conversando sobre como começou o nosso fã clube, a novela Uma Rosa Com Amor, o Blog, o primeiro encontro do grupo, a peça Enlace, a estréia do musical em Sampa e nosso querido Cláudio Lins... principal responsável por este grupo lindo e por esta bela amizade!!!

Relato...  Cleusa Tófoli

FOTOS








RELATO DO MUSICAL “MILTON NASCIMENTO - NADA SERÁ COMO ANTES” - ENCONTRO COM CLAUDIO LINS - 22/03/13

Quando fiquei sabendo que o Musical “Milton Nascimento - Nada Será Como Antes” iria se apresentar em São Paulo e que a estréia seria em março, fiquei na maior expectativa e ansiedade.
Eu e a Patty combinamos que iríamos na estréia. Conversei com a Marcinha e Natty sobre o musical, mas elas disseram que só poderiam ir em abril. Compramos nossos convites na frente para ver o muso bem de pertinho... Ficamos sabendo depois que a Rebeca e a Priscila viriam para São Paulo assistir, mas no dia 23, no sábado.
Comecei a pensar que presente daríamos ao Claudio desta vez.  Aí pensei: “Por que não dar ao Mariano?” Pois dando presente ao bebê estamos agradando os papais. Rsrs... Tive a idéia de dar um boneco vestido com a roupinha do Fluminense. Comentei com a Patty e ela concordou, achando a idéia super legal. Mas tive a idéia dez dias antes da estréia do musical. Aí fiquei como uma maluca procurando quem fizesse este boneco para nós. Pesquisei e encontrei. A Dona Valquíria, que fez a caixa de vinhos (primeiro presente), mãe da Tatiana, que fez os bonecos de biscuit (casal com o bebê Mariano). Mas e a roupa? Quase impossível encontrar uniforme do Fluminense em São Paulo, afinal é um time do Rio de Janeiro. Andei por shoppings, por lojas, mas enfim consegui encontrar uma roupinha linda de bebê e o bonequinho ficou muito fofo! Caprichei na sacola, com fotos nossas e do musical.
No dia do musical, eu estava mal da coluna. Quase não conseguia dirigir, mas nada me faria desistir de ver o querido Claudio Lins. Com o GPS na mão, lá fomos nós. Eu e a amiga Patty. Estávamos super animadas e ansiosas. Foi fácil encontrar o teatro. O Teatro Geo é muito lindo. Fica em Pinheiros. Já fui falando: “Patty, fica com o ticket do estacionamento para não correr o risco de sumir ao final do espetáculo”.
Não sei se comentei no relato do Rio, mas o musical é dividido em 4 estações: Primavera, Verão, Outono e  Inverno. Recheado de números musicais lindíssimos. Achamos o musical aqui muito mais bonito que no Rio. Um som maravilhoso! Emoção a flor da pele. De arrepiar. Quando Claudio canta “Caçador de Mim”, difícil explicar a emoção exata sentida neste momento mágico. Em alguns momentos, parecia que ele cantava olhando prá nós duas. Que olhar! Difícil segurar a emoção.
Na saída, aguardamos para conversar, parabenizar o Claudio e entregar o presente. Quando ele saiu, foi nos cumprimentar. Quando viu a sacola, já foi dizendo: “Nossa! A sacola já é um presente. Vou com ela para o aeroporto”. E quando ele viu o bonequinho com a roupinha do Fluminense, comentou dos bonezinhos do Mariano... Falou do filhote e da esposa prá gente, da saudade que sentia dos dois, mostrou uma foto no celular. “Tão lindo o Mariano”! Claudio disse que o musical vai até maio. Depois, irá se apresentar em Belo Horizonte e Brasília.  Mandei os recadinhos das meninas de longe e de perto. Falei que fui ao show do papai Ivan. Comentei que a Rebeca iria no dia seguinte. Ele se lembrou da Babi... Vários assuntos... Difícil lembrar de tudo, devido à emoção. Tiramos as fotos para o registro. E nos despedimos. Claro que eu falei que vou voltar, pois não vou resistir, sabendo que todo final de semana o Claudio estará num musical maravilhoso aqui em Sampa, próximo da minha casa.
Eu e a Patty fomos embora comentando sobre o espetáculo maravilhoso... do encontro especial... lembrando de cada momento... de cada detalhe...

Relato da fã Cleusa Tófoli...

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