terça-feira, 30 de abril de 2013

FIC - BORBOLETAS NO CORAÇÃO - CAPÍTULO 23 - AUTORA: SÔNIA FINARDI

XXIII

- Tem certeza que é isso que você quer? – Perguntava Rosa, aproximando-se de Claude, vendo-o com a caneta em punho, pronto para assinar o documento, sentado à mesa.
- Absoluta, chérie. Meu pai também concordou, hã?  Vendemos a construtora  na  França e aplicamos o dinheiro aqui na fazenda, aumentando a infraestrutura e a oferta de atrativos, como um parque aquático, por exemplo.
- Não vai sentir saudade de fazer plantas, gerenciar as obras...?
- Non. Desde que inauguramos a fazenda, serviço é o que non falta. Ainda mais agora que Frazon e Janete decidiram morar em Campo Grande, abrindo uma Agência de Turismo,  papai e Joanna em lua-de-mel  pelo mundo, tia Elisabeth nos Estados Unidos com Rodrigo... E você quase dando à luz nossa borboletinha, hã?
Claude passa o braço ao redor da cintura de Rosa, encostando sua cabeça delicadamente na barriga dela. Rosa descansa sua mão pelo cabelo dele, retribuindo o carinho.
- Non quero mais ter o Atlântico entre nós. – Fala, referindo-se ao fato de ter ido à França de uma hora para outra, resolver problemas pessoalmente. - - E você? Non vai sentir falta da arquitetura? O plano era ter seu próprio escritório em São Paulo, non era?
- Era. Antes de conhecer este lugar e você. Mas se sentir falta, posso fazer projetos e colocá-los em sites especializados.
- É uma boa ideia. Pode fazer seu próprio site e usar a fazenda para divulgar do que é capaz, hã? – Diz sorrindo - Olha só o que você conseguiu com a velha casa da piscina! Sem contar com o resultado dos chalés!


- E você não queria me contratar, porque eu sou uma arquiteta, uma mulher...
- Na verdade, non queria te contratar porque você era “a” mulher, hã?  Era, non.  É e vai continuar sendo a mulher da minha vida
- Como tia Elisabeth sempre viu em suas cartas, lembra?
- Oui. Tia Elisabeth non sabe o que perdeu ao insistir em que morássemos aqui na casa da piscina. – Diz Claude, voltando a rubricar os papéis.
- Ela praticamente se mudou para a casa de Rodrigo depois que nos casamos, insistindo que devíamos ter a nossa privacidade. Eles devem estar de volta em três meses. Quer estar aqui quando nossa borboletinha nascer. Foi o que disse em seu último e-mail.
- D’accord.  E ela estava certa. Se morássemos na casa da fazenda, você non andaria só de camisola me provocando, hã? – Murmura, enquanto assina o documento. Depois, volta-se novamente para a barriga de Rosa e diz - Ei,  Fernandinha, non vai chutar o papai hoje non?
- Ah, ela chutou a mamãe o dia todo!  Deve estar descansando agora, não é Fernanda Petroni Geraldy? E é muito bom, porque eu estou morrendo de sono.
- Enton – Claude fica em pé, guardando os papéis num envelope – É melhor eu levar as duas para a cama – Fala,  pegando Rosa em seus braços e subindo para o quarto.



Três meses depois, numa manhã qualquer...
- Pronto- Diz Claude, descendo e tirando a camisa rasgada por um galho - Agora você já viu que nosso refúgio continua firme e forte no alto da árvore, gatinha.
- Ótimo! Eu tive receio que ela não suportasse essas chuvas todas e o vento! Faz tanto tempo que não ficamos por aqui.
- Uns seis meses. Desde que confirmamos a sua gravidez. Non seria nada bom se você se machucasse ao subir pela escada de cordas. Daí, eu vou reformar nossa casa da árvore. Agora com a chegada de nossa borboletinha, tem que ser um lugar mais seguro pra ela também!
- Você podia ter deixado Janete e Frazão usá-la também... Foi muito egoísmo de sua parte.
- Non foi non, senhora! Esse é o nosso lugar. Só nosso, d’accord? Se eles querem um, que procurem outro lugar. A fazenda é enorme, poderiam construir até um castelo, hã?
- Está bem, não vamos mais discutir por isso. – Diz, voltando para a camionete a poucos metros da árvore. Vamos que ainda temos que passar na recepção da fazenda.



Mais tarde, no chalé que servia de recepção e escritório para os negócios da fazenda, Rosa falava ao telefone.
- Eu sinto muito, mas não temos mais chalés disponíveis para esse evento...  Eu vou anotar seu nome e telefone e em caso de desistência, o senhor acaba de inaugurar a lista de espera...  Eu é que agradeço sua compreensão... Bom dia!
- Outro grupo querendo um chalé? – Esse evento parece atrair bastante gente mesmo.
- Pois é. Mas esse não teve sorte. Reservei o último disponível há meia hora. Com os hotéis e pousadas da cidade lotados, restam as pousadas em fazendas.
- Foi muito boa essa parceria que fizemos com o Freitas da Estância Mimosa. Quando falta hospedagem por lá, ele nos indica e vice-versa. Agora com o Festival, enton...
 - A comissão organizadora do Festival de Inverno de Bonito arrasou com os shows. Dá uma olhada em quem vai se apresentar. – Diz, mostrando um folheto à Claude.


  
- Sérgio Reis, Alcione, O Rappa, Maria Rita, Nando Reis, Monobloco e Roberta Sá – Fala Claude, lendo os nomes em voz alta. – Non conheço todos, mas alguns son formidáveis mesmo, hã?
Como Rosa não responde, Claude olha para ela.
- Rosa? Que foi? Se non concorda comigo é só dizer, non precisa morder o lábio com tanta força... Vai acabar se ferindo.
- Eu mordi o lábio? Nem percebi. É que... Claude acho que tive outra contração!
Claude sorri e seus olhos brilham ao fitar os de Rosa.
- Mon Dieu... - Murmura, acariciando o rosto dela - Já esperávamos por isso, non é mesmo?  Non prefere ir pra casa e deitar-se?
- Não, eu não quero ficar sozinha...
- Dadi pode ficar com você, minha gatinha manhosa... E eu irei assim que terminar por aqui, hã?
- Não é manha, Claude! É que não é a primeira do dia... Eu tive várias durante a noite e agora elas estão mais constantes...
- Porque non me acordou, Rosa? Eu sei que non poderia fazer muita coisa, mas poderia confortá-la. Non devia nem ter ido até a casa da árvore, hã?
- Eu estava bem naquela hora. Mas se quer me confortar, você pode fazer isso agora... Neste exato momento! – Fala, segurando a mão de Claude com força. – Meu Deus, como isso é desconfortável!
Horas mais tarde, Rosa estava no hospital, sendo preparada para dar à luz sua filha com Claude.



 Continua...

SESSÃO REMAKE MUSICAL - PRELUDE POUR PIANO - FELIPE CALDAS

A música Prelude Pour Piano, originalmente interpretada por Saint-Preux, é apresentada no vídeo abaixo por Felipe Caldas.
Para ouvir a versão de Saint-Preux, favor acessar: http://biscoitocafeenovela.blogspot.com.br/2013/04/sessao-tunel-do-tempo-musical-prelude.html.
Boa diversão!


video

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=hN0ulexyXpI


SESSÃO TÚNEL DO TEMPO MUSICAL - PRELUDE POUR PIANO - SAINT PREUX

A música Prelude Pour Piano, interpretada por Saint-Preux, fez parte da trilha sonora da novela O Primeiro Amor, apresentado pela Rede Globo no horário das 19h de 24 de janeiro a 17 de outubro de 1972.
Para maiores informações sobre a novela, favor consultar: www.teledramaturgia.com.br/tele/primeiro.asp.
Boa diversão!


video

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=dIUu4pmcGh8


segunda-feira, 29 de abril de 2013

AVISO REFERENTE À WEBNOVELA - LAÇOS

Infelizmente, por motivo de saúde, Juliana Sousa não pode enviar o capítulo dessa segunda da Webnovela – Laços, que voltará a ser postada na próxima semana.
Melhoras, Juliana e até mais!

SESSÃO RETRÔ - VARIEDADES - ESPECIAL - SÉRGIO CARDOSO

A reportagem que reproduzimos abaixo foi publicada na revista Amiga TV Tudo – Edição especial sobre a morte de Sérgio Cardoso, publicada no ano de 1972.
Boa leitura!




SESSÃO RETRÔ - COMERCIAIS - LIMÃO BRAHMA (1983)

video

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=Zscgivq8gwA&playnext=1&list=PL665DEAE2EBB4DAE2


domingo, 28 de abril de 2013

PARA MEDITAR


Fonte: http://4.bp.blogspot.com/-2Zxv8erbgQo/Tn8hHBCsfvI/AAAAAAAAAq8/vrFrIHRrUvs/s1600/pensamento+3.jpg


SESSÃO BISCOITINHOS - TOQUE DOURADO

video

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=jsw_aPcHjKk&playnext=1&list=PL2997EBF4552B5BBE


sábado, 27 de abril de 2013

PARA MEDITAR


Fonte: http://4.bp.blogspot.com/-5QtweOR2Vlk/T0ynbI2FH9I/AAAAAAAAPac/BeKGGRwRKU0/s1600/pensamento.jpg

SESSÃO FOTONOVELA - A HORA FINAL

A fotonovela que reproduzimos abaixo foi publicada na revista Amiga TV Tudo nr. 214 de 25 de junho de 1974.
Boa leitura!
































sexta-feira, 26 de abril de 2013

SESSÃO CAPAS E PÔSTERES

A capa que reproduzimos abaixo foi publicado na revista Amiga TV Tudo nr. 261 de 21 de maio de 1975.
Já o pôster foi publicado na revista Amiga TV Tudo nr. 196 de 19 de fevereiro de 1974.
Boa diversão!







SESSÃO FOTO QUIZ

A foto da semana passada é da atriz Nicete Bruno.
Agora tentem descobrir quem é o rapaz da foto.
Eis algumas dicas:
1) É ator, cantor, compositor e apresentador de televisão.
2) É paulista e nasceu no ano de 1936.
3) Participou de novelas como: O Direito de Nascer e Ovelha Negra, na Rede Tupi e Pé de Vento na Rede Bandeirantes.
Boa diversão!


quinta-feira, 25 de abril de 2013

RELATO DO PASSEIO AO SESC BOM RETIRO – PEÇA TEATRAL: CRIANÇAS DA NOITE COM ROBERTO ARDUIN – DIA 21/04/2013

Nossa amiga Sueli Fontes organizou um passeio ao Sesc Bom Retiro. Fomos assistir a peça do Roberto Arduin, Crianças da Noite. Roberto trabalhou na nossa novela preferida, responsável pelo nosso fã Clube URCA. Ele fez o personagem Mr. Smith. Lembram? Quem não lembra, não é mesmo? Ele e sua esposa foram responsáveis por várias cenas engraçadas e românticas do nosso querido casal Rosa e Claude.
Fui com minha companheira Lili Brito. Minha companheira de mil e uma aventuras. Estava tudo certinho. Mapinha na mão. Saímos cedo prá chegarmos calmamente ao nosso destino, mas inventei de ligar o GPS . Nosso grande erro. O GPS ensinou um caminho errado e ficamos dando voltas e não chegávamos nunca ao teatro. Quando estávamos quase desistindo, pois achávamos que não daria mais tempo, conseguimos encontrar o caminho. Era tão fácil. Chegamos em cima da hora. Fui cumprimentando todo mundo. A Sueli, seu marido, seu filho e nora e a Sandra. Cumprimentei também uma moça achando ser amiga da Sueli. Somente depois, já sentada na platéia, conversando, que descobri que estava sentada ao lado da Lili Paulino, amiga do Fã Clube URCA e também do face. Ficamos muito felizes. Descobrimos que moramos perto e fazemos fisioterapia na mesma clínica. Foi muito engraçado!
A peça teatral era dramática e triste, pois tratava da época da guerra, mostrando crianças num orfanato e que seriam deportadas para um campo de concentração.
Ao final, Sueli nos apresentou ao Roberto Arduin. Ela já o conhecia de outras peças. Agradecemos os convites e o parabenizamos pela peça Crianças da Noite. Roberto ficou feliz com nossa presença. Engraçado, quando ela me apresentou, ele disse que já me conhecia do facebook.  Tiramos várias fotos. Depois nos despedimos dele e ficamos conversando mais um pouco no teatro. Pena que nosso encontro foi muito rápido. Gostaria de ficar mais um pouco com a Sueli e a Sandra. Ah! Nossa amiga Sandra fez aniversário no domingo, dia 21/04...”Parabéns San!”
Ofereci uma carona prá Lili Paulino. No caminho, resolvemos parar para comer algo e esticar a noite. Nós divertimos muito. Eu e as duas Lilis... Moramos tão perto e demoramos tanto tempo para nos conhecer. Falamos do nosso dia a dia... nossa rotina... da fofa e querida Sabrina Petraglia, que está atuando em Flor do Caribe. E também do nosso querido Claudio Lins. Convidei a Lili Paulino para ver o Musical NSCA e ela topou. Claro! Vamos nos encontrar de novo e esticar mais ainda nossa conversa. Deixei minha companheira Lili Brito em casa. É sempre um prazer enorme compartilhar estes momentos com as amigas. Sorte encontrarmos o Teatro.  Caso contrário, nossa noite não teria sido tão agradável como foi neste sábado.

Relato... Cleusa Tófoli

FOTOS







FIC - BORBOLETAS NO CORAÇÃO - CAPÍTULO 22 - AUTORA: SÔNIA FINARDI

XXII

- Nara, quer soltar meu braço? – Fala Claude já sem paciência alguma. – Preciso levar esse chá para Rosa.
Claude estava ao pé da escada, voltando ao quarto, quando Nara o segurou pelo braço, tentando, outra vez, uma reaproximação.
- Precisa por quê? Ela não pôde descer e  tomar  o café à mesa, como todos fizeram?
- Non, non pôde. Ela acordou indisposta. E mesmo que non fosse isso, ela é minha esposa, e eu gosto de fazer surpresinhas para ela, d’accord? Com licença.
Nara o observa subir a escada com um brilho de raiva e inveja no olhar.  Descontou a raiva apertando o corrimão com toda força e a inveja contraindo todos os músculos do corpo.
Eu devia ocupar esse lugar na vida dele, não essa desclassificada! Tirando o detalhe da gravidez, é claro...
- Não encontrou ainda a saída, Nara? Se quiser, eu a acompanho até a porta, darling! – Fala tia Elisabeth, chegando atrás de Nara.
- Elisabeth! – Exclama Nara, girando o corpo, ficando frente à Elisabeth – Sempre gentil comigo...  – Ironiza - Vejo que se alegra com essa escolha tão provinciana do seu sobrinho querido.


- Oh, yes, baby! Principalmente porque a escolha foi do amor!  O amor os escolheu e os juntou!
Nara toma uma postura prepotente e fala:
- Você e essas suas filosofias baratas... O amor não existe. O que existe é o desejo, a atração física pura e simplesmente.
- Uma pena você não crer no amor, Nara. Por que ele acredita em todos nós, até em pessoas preconceituosas e egocêntricas como você. Agora com licença, vou voltar para meus afazeres. Faça uma boa viagem de volta a Paris, honey! – Conclui Elisabeth, saindo pela porta lateral rumo ao estúdio.
- Ora, ora, Elisabeth!  Você pensa que me conhece!  Eu posso ter perdido a batalha, mas não a guerra, afinal eu só a estou declarando agora!
Enquanto isso no quarto...
Rosa não sabia o que fazer. Estava deitada a manhã toda. Claude trouxera o café da manhã no quarto, logo cedinho. Tudo na bandeja lhe pareceu saboroso e suculento.  Tomaram o café entre risos e brincadeiras.  No entanto, assim que se levantou, precisou correr ao banheiro mais uma vez.
Devolveu todo o café de uma forma nada agradável, enquanto seu corpo todo tremia e sentia um suor frio inundar-lhe a pele. Tentava respirar e controlar as ânsias sucessivas, mas era em vão.
Claude a amparou e a ajudou a tomar um banho e refazer-se. Depois “ordenou” que ela ficasse deitada.  Seus pais e irmãos haviam vindo até ela para se despedirem. Estavam voltando para São Paulo num voo direto pela manhã.
Amália queria permanecer e cuidar de Rosa, mas vendo que Claude tomava as rédeas da situação, ficou mais tranquila.
Assim, Rosa passara boa parte da manhã revendo o álbum virtual de Tia Elisabeth.
Mostrara-o para seus familiares e vira seu pai tentando disfarçar algumas lágrimas quando viu as cenas da igreja. Nesse instante, teve certeza que todo o trabalho que teve pra transferir o casamento havia valido a pena, feito a diferença para ele.
- Tia Elisabeth registrou vários momentos, cenas maravilhosas e inesquecíveis do casamento, que seriam fixadas num álbum.  – Explicava Rosa - Mas depois decidiu que seria em dois álbuns: um virtual e um  tradicional, que ainda está  fazendo.
- Ela editou várias fotos de borboletas e mariposas das que Rosa havia tirado num passeio que fizemos, bem como o vídeo da cachoeira e os colocou no álbum virtual entre as fotos do casamento. Foi muito criativa. – Completara Claude.
Fechou o arquivo e notou um outro “ álbum making off” entre os ícones do pendrive.  Abriu, curiosa.  Era o mesmo álbum. Mas o que abria o álbum era o vídeo do primeiro encontro, quando Claude e Rosa despencaram pelo barranco.
Rosa sorriu.  É claro que tia Elisabeth não deixaria uma oportunidade dessas passar!
- Voilá! – Diz Claude, entrando no quarto com o chá – Sorrindo... É sinal que já está melhor. Acertei?
- Estou melhor sim, meu amor. Acho até que vou levantar e continuar com meu trabalho na casa da piscina.
- Mas non vai mesmo. Vai tomar esse chá e descansar o dia todo. Joanna já está marcando uma consulta para você com o médico dela em Campo Grande. A casa da piscina pode esperar.
- Mas Claude... – Começa a falar, mas Claude senta-se na beira da cama e coloca os dedos sobre os lábios dela.
- Rosa, você passou mal a noite toda e non consegue manter nada no estômago.  Se non estiver grávida mesmo, precisamos descobrir o que é... Enton, só por hoje, fique em repouso, d’accord?
- Está bem... Eu sorria pelo making-off do nosso  álbum. Tia Elisabeth adicionou o nosso primeiro encontro na abertura dele.
- Voilá! Essa eu quero ver, me mostra, gat...
O celular toca e Claude atende, enquanto Rosa abria o arquivo novamente.
- Sinto muito, chérie. Os empreiteiros eston precisando de minha presença com urgência. Volto assim que puder, d’accord? – Diz, despedindo-se com um beijo leve.
E saiu do quarto sem dar tempo a Rosa de protestar.
Teimosa, Rosa levantou-se devagar. Nada, não sentia nada que a obrigasse a ficar na cama.
Então, ariscou o primeiro passo e tudo a sua volta girou. 
- Droga! – Exclama, voltando atrás rapidamente até sentar-se na cama e encostar-se à cabeceira dela sobre os travesseiros.
Fechou os olhos e respirou profundamente, concentrando-se em afastar aquele mal estar.  Acabou cochilando e acordou com o barulho da porta se abrindo. E não gostou nada do que viu.
- Posso entrar, querida?  - Nara pergunta, entreabrindo a porta e entrando sem esperar pela resposta.
Com certeza era a última pessoa que Rosa gostaria de ver naquele momento. Sentiu-se o próprio patinho feio da história infantil. Estava pálida, com olheiras, os cabelos desalinhados e de pijama.
Nara estava impecável. Vestia uma blusa azul  royal de seda pura e uma calça branca.  Cuidadosamente penteada e maquiada. 


O que tem de elegante, tem de fria, pensa Rosa, enquanto Nara a olhava demoradamente.
- Vim ver se está melhor. Claude me pareceu tão perturbado! Sua saúde sempre foi frágil assim?
- Minha saúde é perfeitamente normal. Só estou passando por um período delicado.
- Sei... O Claude sempre foi responsável. Agora eu entendo porque se casou com você, queridinha. Um filho sempre foi o sonho dele, ao contrário do meu.
- O Claude não se casou comigo por eu estar grávida, se é o que está insinuando.
- Ah, não? E que outro motivo ele teria? Ele veio parar nesse fim de mundo, só pra tentar me esquecer. Tenho certeza que depois que essa criança nascer, ele volta pra França pra ficar comigo.
Rosa que esperava pacientemente pelo fim da conversa, aperta os dedos contra o lençol que segurava entre as mãos. Olhou para o rosto impassível de Nara e seu coração se apertou.  Ela não era apenas fria. Era insensível, vingativa, ferina e perigosa, lhe alertou aquela voz interior.
- Quer chamar Dadi para mim? Acho que vou vomitar...
Foi a vez de Nara empalidecer, levantando-se incomodada.
- Claro, não se mexa... – Falou, saindo rapidamente para fora do quarto.
Rosa sorriu diante do evidente descontrole de Nara com a possibilidade de seu mal estar. Mas o sorriso se transformou em choro. Abaixou a cabeça entre as mãos, sentindo os olhos úmidos e antes que pudesse evitar as lágrimas escorreram pelo seu rosto, por entre seus dedos.
Quando Dadi entrou, estava ainda enxugando o rosto.
- Dona Rosa! Que foi que essa cobra fez pra senhora? 
- Nada não, Dadi.  A presença dela estava me cansando e eu arrumei uma desculpa, só isso.
- Já cansou a todos. Não sei como o Dr. Claude foi capaz de namor... Desculpa, Dona Rosa, isso é passado.
- Um passado que existiu entre eles... – Murmura Rosa mais pra si que pra Dadi. – Eu vou tentar dormir mais um pouco, obrigada por ter vindo, Dadi.
- A senhora não quer comer nada?
- Não. Mais tarde, quem sabe...
Rosa acomodou-se nos travesseiros e tentou relaxar e afastar os pensamentos que invadiam sua mente. Nunca havia pensado na possibilidade de Claude ainda gostar de Nara... Não, aquilo não tinha  lógica. 
A imagem de Claude apareceu diante de seus olhos: a barba por fazer, os cabelos levemente despenteados, sorrindo para ela. Com aquele sorriso profundo, que lhe provocava tantas sensações...

  
Fechou os olhos e relaxou. Não havia dúvida, eles se amavam. E foi seu último pensamento antes de adormecer.


Algum tempo depois, Rosa acordou. Sentia-se melhor. Saiu da cama com cuidado e ficou de pé. O chão pareceu oscilar, mas logo recuperou as forças e tudo ficou bem. Olhou para o relógio: mais de duas da tarde! Dormira por mais de quatro horas!
 Feliz por estar bem, foi tomar um banho e voltou ao quarto. Estava tão atenta procurando uma roupa, que mal ouviu a porta se abrir, quietamente, como se alguém pensasse que ela ainda dormia. Então, uma voz profunda ecoou em seus ouvidos:
- Mas o que pensa que está fazendo, hã?
Por um momento não se mexeu, sentindo-se a garotinha com a mão na cereja do bolo.
- Estou me arrumando... Acabei de tomar um banho, tenho que por uma roupa.
- Sei... – Claude falou como se falasse com uma criança – Non disse que deveria ficar de repouso?
- Sim, mas... – Sentiu-se tão culpada diante do olhar de Claude que as palavras não saíam.
- Vamos, de volta pra cama! – Disse, erguendo-a nos braços.
- Não! Me deixa pelo menos por uma roupa!Eu estou melhor e não sou criança, sei me cuidar!
- Non é o que parece, segundo eu fiquei sabendo. – Fala, enquanto a coloca no chão - O que Nara queria com você?
- Saber se eu tinha melhorado – Diz, desviando o olhar de Claude, enquanto se vestia.
- Por que non me diz exatamente o que ela falou, hã? Dadi disse que você estava chorando.
Mas porque Dadi foi abrir a boca, pensou, afastando-se até a janela, ficando de costas para Claude.
- Rosa? Quer, por favor, me contar? – Pede com uma entonação de ordem.
Sem saber explicar porque, Rosa sentiu-se profundamente irritada com isso e respondeu mais ríspida do que queria.
- Se está tão interessado, por que não pergunta a ela?
- Primeiro, porque estou perguntando a você. E segundo, porque Nara já foi embora.
- Se despediu dela? – A curiosidade foi maior.
- Sim, ela fez o favorzinho de me procurar...
- E ficou triste porque ela já foi? Queria desfrutar mais da companhia dela? Se arrependeu de casar comigo?
- Mon Dieu!  Ela deve ter envenenado sua cabecinha contra mim...  Non foi isso?
- Olha, devia ter perguntado a ela. Tenho certeza que ela adoraria explicar tudo pra você.
Claude ignora a leve ironia nas palavras de Rosa e insiste:
- Vai me contar ou non? Sei muito bem do que aquela víbora é capaz!
Rosa se mantém em silêncio, olhando para o jardim através da janela. Claude se aproxima, ficando quase colado ao corpo dela.
- Voilá! Estou vendo que discutir contigo é chover no molhado, hã?
- Se sou assim... tão aguada, por que se casou comigo? – Pergunta abaixando a cabeça.
Então, sente os braços de Claude rodearem seu corpo e a voz dele em seus ouvidos:
- Porque eu te amo. É razon suficiente ou quer mais? – Diz, apertando-a contra seu corpo, naquele abraço, juntando seus corpos e roçando sua barba pelo rosto de Rosa.
- É suficiente! – Diz sorrindo.  E girando no abraço o enlaça pelo pescoço – Mas para que não fiquem dúvidas, vou querer algo mais... convincente!
E o convite mudo de seus lábios entreabertos logo foi aceito.


Continua...

SESSÃO LEITURA - CAMINHO I - CAMILO PESSANHA

O poema que reproduzimos abaixo é da autoria do autor português Camilo Pessanha.
Para maiores informações sobre esse poeta, favor consultar: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/camilo-pessanha/camilo-pessanha.php.
Boa leitura!

CAMINHO I

Tenho sonhos cruéis; n'alma doente
Sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente...

Saudades desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!...

Porque a dor, esta falta d'harmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o céu d'agora,

Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora.

Fonte: http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=3041